segunda-feira, 9 de julho de 2012

Algo bom. E alto.

- Quero ouvir algo bom. E alto.
Ele parou no farol e selecionou a banda preferida deles.
Aumentou o volume até os vidros do carro tremerem, até suas veias pulsarem com mais força, até ver as feições satisfeitas dela, traduzidas num sorriso que ele adorava.
Os acordes pesados, rock do melhor, vibravam incontroláveis.
Eles urravam as letras.
As cabeças chacoalhando, o carro perfurando a noite com aquele volume estrondoso de guitarras.
Os faróis dianteiros iluminavam a avenida encoberta pelo escuro.
Algumas almas nas esquinas, encarando a fonte do barulho alto demais.
Um estranho na noite.
Lá dentro, eles continuvam cantando as letras rápidas e trabalhadas demais.
Ele tinha a mão na perna esquerda dela.
Ela, o coração na boca.

Natália Albertini.