segunda-feira, 25 de abril de 2011

As flores.

O bosque era meio fechado, a claridade era envolta na penumbra.
Cada uma delas se estirava a uma das cadeiras. A terceira espreguiçadeira servia de apoio para as toalhas, camisetas e um par de óculos-de-sol.
A mais velha das duas meninas se ajeitou à sombra e abriu o livro, sendo assim empurrada à era medieval, de volta à corte de Artur, ouvindo os pensamentos de Morgaine le Fair.
A mais nova se ajeitou de lado, com as pálpebras semi-cerradas e perguntou baixinho:
- E se a gente dormir aqui? O que acontece?
A mais velha soltou um riso de leve deboche e respondeu:
- , nada, a gente dorme, tonta.
Sorriram.
A mais nova adormeceu primeiro. Uns vinte minutos e quinze páginas depois, a mais velha caiu no sono verde também.
As respirações eram rasas, sossegadas, farejavam o cheiro esverdeado de mato que tanto as rodeava.
O sono foi leve, não havia sonhos. Foi tranquilo.
O barulho constante de água da cachoeira ao pé do declive as embalava como uma canção de ninar.
E, assim, dormiram ali até que a relva sutil as envolvesse e as tornasse também folhas, galhos, frutas e flores.

Natália Albertini.

sábado, 23 de abril de 2011

Luta.

Com Pink Floyd me embalando a escrita, sinto dois finos feixes de luz me perfurarem o rosto.
Fria, tiro os óculos-de-sol, fazendo-os de tiara.
Levanto a face e me surpreendo com um par de olhos que atingem o mesmo azul dos meus a me encarar.
De prima, fujo, escondo-me nas letras, fingindo voltar a produzi-las, dissimulada.
Ainda consigo senti-lo me queimando. Hold back the smile.
Mais dona de mim, volto a confrontá-lo.
Desta vez, quem se surpreende é ele, abaixando o semblante.
Sem que ele veja, sorrio.
Ele se levanta e espera a chegada do metrô a seu destino.
Nos encaramos brutamente, secos, pela última vez. Orgulhosos.
Ele enfim parte.
Para sempre.

Ps.: ai que essa linha verde me mata qualquer dia! x.x'
Natália Albertini.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Yellow wings.

The white and creased sheets were underneath them.
The two bodies were involved in their unique atmosphere of sleeping passion.
The one from the bottom was strong, had the mouth open and the arms spread on the pillows. It was lighter than the other one and it had a large and comfortable chest, where the second body had its head laid.
The second one was smaller, though not weak. The hair was longer, such as the eyelashes. The breast was on the other one's chest, breathing in the same rythims.
The sun was shallow and the air, wet.
A few pieces of clothes were on the floor, torn apart. The bodies wore just one or two of them.
They looked peaceful.
The guy breathed deeper and held the girl closer, kissing her forehead unconsciously, and she smiled in their dream.
While they felt each other, a billion yellow butterflies flew around the clear bedroom, almost lifting it up with them.

Ps.: ACHO QUE MEU ESPAÇAMENTO VOLTOU! *.*
Natália Albertini.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Roxo.

Encostou ao balcão e pediu uma tequila, quase aos berros, com as mãos aneladas e de nhas bem feitas. Ainda se mexia involuntariamente com as batidas da música, revirando o cabelo. Virou-se e encarou the dancefloor à iluminação escura de verdes e roxos. Sorriu de canto e com os olhos. Voltou-se e tomou o shot, sem caretas. Agressiva, limpou o que lhe escorreu da boca, borrando o batom vermelho. Trotou para o centro da pista e cabeceou a música, fazendo o álcool girar a mente, o corpo, a noite, o planeta. Ps.: desculpem-me mil pelo tempo GIGANTE sem postar, tive muitas ideias, comecei vários textos, mas essa falta de espaçamento nesse blog tá me tirando do sério. ): Tomarei providências. Natália Albertini.

sábado, 16 de abril de 2011

Estrelas.

Confortáveis e bem acomodados ao sofá, eles conversavam sobre fools and kings.
A cerveja desaparecia com rapidez dos gordos copos, e mais tarde ele teve a pachorra de dizer que se foram nove latas, o que ela negava com a cabeça.
Suas falas eram rápidas, ágeis e famintas pelas próximas. As mãos subiam e desciam no ar, complementando as informações. As gargantas não se secavam, mergulhadas em cevada.
Ainda que ele fumasse, ela lhe sorria.
A sintonia agradou a ambos instantânea e simultaneamente.
Ele vestia uma daquelas grandes jaquetas de motoqueiros, enquanto ela calçava sapatilhas.
Enquanto as falas soltavam borboletas, os olhos escondiam jaguares.
Conversaram assim por mais umas boas horas.

Mais tarde, o carro balançava e o silêncio assistia aos arranhões e mordidas, aos palavrões e aos tapas desferidos.
A noite terminou, então, estrelada.

Natália Albertini.