quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A Deusa

Eu passei pela porta, escolhi uma das raias e fiquei de pé, na frente dela.
Joguei meus óculos na piscina e comecei a me alongar brevemente.
Percebi, então, dois pares de olhos logo à minha esquerda, mais abaixo.
Eu olhei.
Eles congelaram.
Eram dois rapazotes, de seus 17 ou 18 anos, provavelmente fazendo uma aula teste na piscina, e dividiam a mesma raia.
Eles me olhavam estarrecidos.
Eu, de pé, acima deles, os choquei. 
O olhar deles, estarrecido, sem palavras, me alimentou, e eu cresci.
Tinha meus 1,70m. Depois, 2m, 3, 4, 5, 6 metros de altura.
Me tornei imponente.
Minha forma física e aura tomaram conta da atenção deles de forma que nenhum outro som era ouvido senão o de admiração deles. Uma admiração sem entendimento. Eles me olhavam sem saber o por quê.
Era a Deusa que se mostrava por mim.
Quebrei o brilho que me rodeava e mergulhei, nadando como eles nunca viram outra humana nadar.
Ficaram completamente estancados, embasbacados. 
Eu fui Igraine, Morgause e Morgaine.
Para eles, fui Ela.