segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Tão nossas.

Uma era filha única e pequeneninha, outra tinha uma irmã mais nova e ria com efizemas pulmonares, outra tinha os cabelos bem curtinhos e um sorriso encantador, enquanto uma outra lutava judô e amava os animais.
Uma quinta tinha uns olhos de Capitu e franjinha, outra tinha luzes no cabelo e quilos de roupa da Puma, enquanto uma outra tinha uns cachos compridos e curtia um rock pesado.
Mesmo com tantas diferenças, as sete se reuniam todas as manhãs, nos dois intervalos, para trocar reclamações, risadas ou esperanças.
Já era dezembro. Meu Deus, já era dezembro... Mas elas não pareciam se afetar pelo clima nostálgico que rondava a todos, elas pareciam saber que suas peculiaridades, quando formando aquele coletivo, valia mais que qualquer distância ou tempo.
E por mais que de fato, em algum momento, se separassem, as lembranças seriam mais que só dois ou três bilhetes trocados, seriam milhares e milhares de fotos e vídeos.

Sei que não falo muito isso, mas acho que se olhar bem, vocês conseguem perceber que as amo muito e que têm um papel fundamentalíssimo em minha vida.
Obrigada.

Natália Albertini.

sábado, 28 de novembro de 2009

E viva Vinícius.

Abre os olhos devagar, se dá por conta que mesmo depois de dozer horas de sono, ainda está imprestável devido ao show da noite anterior...e que show!
Levanta devagar e vai escovar os dentes.
Toma um belo café da manhã.
Liga pra alguns amigos, assite um filme, lê, recebe alguns e-mails, toma um belo banho.
Cochila por uns vinte minutos.
Acorda com melhor disposição e põe-se a escolher uma roupa adequada, preparando-se pra noite que ainda está por vir.
Faz tudo cantando alto ao ritmo da música, com um sorriso no rosto.
Separa os pertences e come algo antes de sair.
E apesar das dores nas pernas e na coluna, tem uma vontade incrível de sair e festejar com os amigos, pra completar o dia.
Porque hoje é sábado!

Natália Albertini.
Novamente, desculpem-me pela baixa na produção de meus textos, é que meus dias têm sido um tanto quando complicados.
Enfim, show do AC/DC ontem INDESCRITIVELMENTE INCRÍVEL. Angus Toca muuuuuuuuuuuito, Malcom canta muuuuuito, todos foram MARA, amei demais!
A única coisa que desanda o ritmo um tiquinho hoje é pensar que, no fim, foi tudo ao contrário...

É, não é pra entender mesmo, nem eu sei direito.
Enfim, assim que der escrevo algo útil aqui.
Beijos enormes.

Natália Albertini.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Little bit of hell.

Tudo à minha volta era fogo. Chamas, labaredas, fogo, fogo e mais fogo. Eu mesma estava em chamas por completo.
Gritava, expelia ruídos indefiníveis, pedindo para que parassem de atear fogo em meu pobre corpo. Que minha alma sentisse tal excruciante dor, mas meu corpo não, não merecia queimar daquele jeito.
De repente minha respiração falhou e o oxigênio parecia se recusar a passar por minhas veias respiratórias.
O cabelo grudava em meu rosto e nuca quando comecei a vomitar tosses e tentativas frustradas de trazer o ar para dentro de meus pulmões.
Alguém começou a me espancar as costas. Sem forças para protestar, apenas virei o rosto e olhei minha agressora.
Entreabri os olhos até então cerrados e o que vi foi minha mãe me chamando calmamente.
- Quê? - e soltei uma arfada que ar quente, enfim conseguindo roubar algum oxigênio para mim.
- Tudo bem?
- Quê?!
Me dei conta, por fim, que o lençol estava umedecido, a camiseta grudada em mim e o shorts jogado no chão, do outro lado do quarto.
- Filha, que foi?
- Nada, mãe - arfei mais uma vez.
- Vou trazer o ventilador aqui, espera.
- Tá...
É. Só mais um pequeno cochilo durante um calor absurdamente...quente. (?)

Ps.: que calor gostosoooooooo! (Sem ironias, juro!)
Natália Albertini.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Vertigo.

O sol reluzia em sua pele, a camiseta preta parecia reter mais luz do que o usual, porque lhe queimava as costas, a calçada já parecia dura demais e a parede, pedregosa em excesso para que recostasses suas costas ali. Mas apesar daqueles fatores externos, o rapaz continuava ali, firme, divertindo-se com amenidades, esperando as horas que não passavam.
Uma de suas bandas preferidas se apresentaria naquela noite. Mas, meu Deus, ainda eram duas da tarde, faltavam exatamente oito horas para os portões serem abertos... Ai, que agonia...
Foi então que seu fluxo de consciência se interrompeu completamente. Por um ou dois segundos, seu cérebro se ocupou com um intenso branco e sua respiração falhou. A boca lhe pareceu seca, as mãos, de repente molhadas, a camiseta preta ainda mais quente (o que antes lhe tinha parecido impossível).
Seus negros olhos não conseguiam desgrudar da figura que se aproximava gradativamente, em passos calmos e seguros, indiferentes a ele. Era ela.
Pôs-se de pé num pulo só, arrumou o cabelo, esfregou os olhos, sem os desgrudar dela, ajeitou os jeans e endireitou a camiseta. Sabia como ela gostava que fizesse.
Seus amigos, alguns à direita, outros à esquerda, se levantaram gradualmente para cumprimentar a dupla de garotas que se juntou a eles. Ele engoliu em seco, incapaz de parar de fitá-la.
Enquanto elas cumprimentavam a todos, ele se posicionou ao fim do grupo, de modo que seria o último a cumprimentá-la.
Não conseguiu achar forma correta de recebê-la, mas balbuciou algumas sílabas, treinando silenciosamente, e assim que ela dirigiu os grandes olhos azuis a ele, abriu os braços de maneira acolhedora, deixando o espaço perfeito para ela. Seu corpo sentia saudades do dela há muito tempo, nunca esquecera sua textura e tamanho. Estava na expectativa, só dependia de um ou dois passos dela para completar o reencontro.
Contudo, ela não os deu. Manteve-se estática onde estava, com um olhar que não era nem desdenhoso, nem irritado, era só indiferente. A garota meneou a cabeça e se limitou a levantar sutilmente um dos cantos dos lábios, na imitação de um sorriso, e logo depois voltou o rosto para sua amiga e os outros amigos dele.
Seus ombros caíram, seus braços ficaram flácidos, seus lábios desceram numa visível careta desapontada. Sentiu uma terrível vertigem que fez seus joelhos falsearem, quase o derrubando ao chão.
Aquilo era... Completamente imprevisível, bem como foi a chegada dela. Só que ao contrário. Porque vê-la chegando foi espetacularmente bom, mas em contrapartida, vê-la ingorando-o foi inexplicavelmente frustrante.
Sua cabeça dava voltas e mais voltas, e ela nem sequer olhava para ele, nem sequer dirigia aqueles olhos aos seus, ao seu desespero tão visível.
O pequeno grupo se envolvia em previsões e esperanças relativas ao guitarrista, à setlist etc. enquanto ele se perdia em devaneios, enquanto seu corpo almejava por ter o dela em seus braços, nem que fosse pela última vez, para se despedirem da maneira correta.
O Sol de repente lhe ofuscou os olhos, forçou-o a fechar violentamente as pálpebras. E quando foi capaz de abri-las de novo, a garota já tinha sumido, já tinha ido embora, já o tinha deixado ali, desamparado, esperando por ela novamente.
E daquela vez tinha quase certeza que era em vão.

Ps.: é...sei lá, só saiu...
Natália Albertini.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Filhos indisciplinados.

A porta do meu quarto é aberta com um estalo sutil, levanto os olhos e vejo minha mãe. Com as mãos atrás do corpo, escondendo algo, ela me diz:
- Olha, só porque você é uma menina muito responsável e adorável, merece um agrado.
Põe as mãos à frente e me mostra um prato com pururuca (sim, causa uma puta indigestão, mas é tão gostoso...). Sorrio para ela, e enquanto pego o prato, ela continua, com um tom de censura:
- Ná, olha aqui pra mim.
Olho.
- É sério...
Espero que conclua.
- Já chega, tá?
Cara de interrogação.
- Já deu de estudar.
- Ah...isso.
- É, já chega, tá?
Reticências. Volto aos estudos.

Uma ou duas horas mais tarde, ela volta a meu quarto, com um tom pesaroso:
- Filha, numa boa...já não chega por hoje?
- Não, mãe, não dá. Tô testando a capacidade de armazenamento da minha massa encefálica. Sabia que tudo que aprendemos é gravado no cérebro e que as funções involuntárias, como respirar, são controladas pelo bulbo, e que...
Ela suspira e, profundamente decepcionada, comovida com sua perda de influência sobre mim, me deixa falando sozinha, enquanto eu já me perdia nos cálculos dos coeficientes angulares.

E pensar que ainda há alguns meses, era exatamente o contrário: dizia-me que já bastava a diversão, e que fosse aos estudos.
Quem sabe um dia eu alcanço o equilíbrio, não?
Equilíbrio...isso me lembra ponto de compensação fótico, que é o ponto em que a respiração e a fotossíntese...

Natália Albertini.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Casmurra.

Saibam que este será um dos textos mais complicados (em todos os sentidos) que já escrevi até hoje, portanto, perdoem-me erros gramaticais, pleonasmos, antíteses e qualquer outro equívoco, é só que...
É só que eu me econtro perdida, reclusa, trancafiada em mim mesma. Ando assim meio enmimesmada, metida pelos cantos comigo mesma. Machado que me perdoa as citações, mas essa minha metafísica eclodiu justamente em meio à releitura de meu livro de cabeceira.
Nos últimos dias, cílios e mais cílios têm se desprendido de minhas pálpebras. Daí, parto para duas reflexões, só não sei se paralelas, exclusivas ou complementares. A primeiro é a de que meus olhos estão aflitos por encontrarem algo que já não sabem mais onde procurar, e em meio a esse desespero em que se encontram, já chegaram a tal ponto (sim, eu sei que é Caetano) de expulsar até mesmo sua proteção ciliada. A segunda consiste numa necessidade tão grande de fazer, de realizar desejos, que até mesmo meu corpo já se deu conta disso, embora eu não divida meus cílios e acabe por assoprá-los para longe sozinha mesmo.
Acontece que minha bússola está tão desorientada que eu não consigo mais ouvir o que meus olhos querem ou os desejos pelos quais meu âmago grita. Sou toda pedaços, cacos soltos, esmigalhados, desconexos.
Simplesmente desmantelada, vomito toda a minha angústia por meio destas palavras. E estou tão ridiculamente desorbitada que não sei o principal motivo disso tudo. Não sei se é a aflição pela maratona de vestibulares que começa essa semana, se por nunca achar que minhas aulas são proveitosas o suficiente, se por ter perdido meu melhor amigo sem razão aparente alguma, se por, depois deste acontecido, eu ter me retraído, diminuindo cada vez mais a confiança em todas as outras pessoas, se por ter visto meu pai mutilado pelo oitavo ano da ausência de sua mãe e não ter sido capaz de abraçá-lo e dizer que eu estou aqui sempre, para tudo, ou sei lá eu por que outro estúpido motivo.
Eu sei que entregar-se de corpo e alma aos outros é muito vantajos, mas o que eu faço se não consigo? Simplesmente não consigo, e aqueles que dizem que invejam minha "frieza" são grandes tolos, isso, sim.
Aqui encaixam-se perfeitamente os versos do Coldplay "nobody said it was easy, no one ever said it would be so hard, oh, take me back to the start".
Mesmo que nunca leiam isso, gostaria de expressar nitidamente meu sincero pesar a todos aqueles amigos que já fizeram parte da minha vida em algum momento. Sinto muito por não ter me entregado a vocês como vocês se entregaram a mim, de modo que cada um deixou uma de suas borboletas comigo (guardo-as todas numa caixa separada), e eu, com vocês, nada meu. Logo, não os culpo caso se esqueçam logo de mim ou não façam questão de lembrar, porque sei que, por não me dedicar da forma necessário, não os marquei.
É, talvez seja esta a causa de toda essa minha infeliz angústia que me obnubilam os olhos e encharcam o travesseiro, salgando-o. Talvez seja a insatisfação em não conseguir demonstrar a cada um o quanto me fez bem. Talvez, por querer tão bem a tudo e todos, por fazer questão de ignorar qualquer contravenção, tornando possível sempre a convivência amena, eu não consiga me encontrar. Talvez u tenha me esquecido do que é ser Natália, do que é só ser.
Sinto muito, caros amigos, muitíssimo mesmo.
E quanto a mim, bem... Como bem e não durmo mal.

Ps.: obrigada, Machado.
Natália Albertini.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

"Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente.
Se só me faltassem os outros, vá lá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde.
Mas falta eu mesmo, e esta lacuna é tudo."

Machado descreveu para mim perfeitamente este momento.
Nada mais a dizer.

Beijo,
Natália Albertini.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Borbolínea.

O astro dourado brilhando no alto, as nuvens escondidas do outro lado do planeta, a rede parada, estática na varanda longínqua, o barulho da piscina ainda mais longe, o cheiro de carvão queimando desde as nove da manhã, a grama seca, mas ainda verde, o ar rarefeito, difícil de ser respirado, o biquíni meio úmido, a sensação do algodão da canga debaixo das costas, o cabelo jogado de qualquer jeito, o peito subindo e descendo de forma profunda e relutante, reclamando da escassez de oxigênio, e ela ali, deitada sozinha, naquele calor que tornava o mundo todo uma imensa TV de cachorro, pensando nas idas e vindas da vida, tornando-se quase que ela mesma uma própria gramínea, ou borboleta. Como preferir.

Ps.: calor pra caraaaaca, mas assim que é bom. (H)
Natália Albertini.

domingo, 1 de novembro de 2009

Pôr-do-Sol

O cheiro dos bancos couriáceos misturado ao ar condicionado ocupava todo o interior o automóvel importado. O Sol de fim de tarde passava pelos vidros, tornando realmente necessário o uso dos óculos escuros por ambos.
O carro era guiado através de ruas calmas, bem arborizadas, e tinha como destino a Praça do Pôr-do-Sol.
Aparentemente, ele dirigia calmo, e ela só olhava pela janela com um sorriso de canto, despreocupada. Internamente, montanha-russa de ambos os lados. Subindo e descendo, girando em loopings insanos.
As pernas, que o vestido deixava à mostra, pareciam não encontrar maneira certa de ficarem: retas, pareciam desleixadas; cruzadas, muito vulgar; joelhos distanciados, muito masculinas; joelhos fechados, tímida demais. E os braços?
Ai, meu Deus, os braços! Cruzados, ao lado do corpo, no colo ou um mexendo no cabelo e outro encostado no vidro?
"Será que eu escolhi a roupa certa? Será que eu falei demais ou ri muito alto? Oh, céus, será que...?", pensava a garota, enquanto tudo o que demonstrava fisicamente era tranquilidade e leveza de espírito.
Ao mesmo tempo em que ela subia e descia com as traves do vagão abertas, ele era chacoalhado de ponta-cabeça.
As mãos e os pés estavam firmes na direção, contudo, tudo o que passava em sua mente lhe causava sérias vertigens.
Aumentar ou abaixar o som? Elvis ou John Mayer? Falar do cabelo dela ou de seu vestido? "Nossa, que pernas... E como ela fica linda com essa cara serena...É...tem que ser agora. É ela! Assim que você descer do carro, cara, você vai abrir a porta pra ela e vai elogiá-la, e ai...pule do precipício. Mas e se ela recusar? Oh, céus..."
E então eles suspiraram simultaneamente. Olharam aos olhos um do outro e riram de forma sutil.
O sorriso permaneceu no rosto durante um bom tempo, enquanto, em silêncio, se perdiam em novas reflexões, o peito palpitando e a barriga com um vazio que ia e vinha.
Enfim ele estacionou o carro e precipitou-se em dar a volta, abrindo a porta para ela.
E a montanha-russa de repente virou um abismo escuro pincelado com asas de borboletas.

Natália Albertini.