sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O que os astrônomos diriam se tratar de um outro cometa.

Acho que dizer que eu estou dilacerada é um mero eufemismo.
Desde quarta-feira, venho experimentando um humor ótimo. Os dias esquentando, o Sol despontando na minha janela, meus alunos satisfeitos, aumento de carga horária, confiança, estudos demasiados e o que mais importa, satisfação minha, felicidade comigo mesma.
Hoje não foi diferente, mas o sonho de ontem á noite me mostrando seu rosto pela zilionésima fez com que uma pequena pontada de sei-lá-eu-o-que me perturbasse a manhã toda. Não que tenha feito meu humor mudar, mas desceu um ou dois degraus.
Agora chego em casa e esse sentimento de nostalgia adicionado a certa raiva (acho que é isso, não consegui definir) me faz olhar algumas fotos suas atuais. E o que mais me dói é que você é completamente outra pessoa e eu, aparentemente, já não faço mais parte da vida dela.
Sua face parece mais emblemática do que nunca. As sobrancelhas meio caídas, bem como os ombros. E o que me machuca, o que me dilacera é saber que eu não sei mais te decifrar. Saímos de sintonia. E você não se importa nem um pouco.
Desorbitados, sistemas planetários totalmente diferentes e longínquos.
Estamos aprendendo a viver um sem o outro. E pensar que já nos prometemos que isso nunca aconteceria...
Tolos.
Toda a minha coragem de enfrentar essa maratona de aulas e simulados que me ocupará o fim de semana todo, começando daqui a quinze minutos, se esvaiu por entre meus dedos. A melancolia começou a me assolar, e isso não é nada bom. Além de muito melodramático.
Já engoli orgulho demais por você. Gostaria que você se entregasse um pouco mais ás vezes, já que agora o sempre nos é vetado. Mas, sinceramente, também aprendi a não alimentar grandes esperanças.
Se nossos eixos continuarem se desorbitando assim, uma pena. Perda da maior amizade que já encontrei em minha vida. Mas paciência... Não só de você eu vivo, nem nunca vivi. Vou me ajeitar.
É, Natália, fica ai escrevendo sobre isso... Nem das mudanças do número de parágrafos, nem das aulas extras, nem muito menos de quão mal estruturado fica seu texto ao falar sobre essa amizade de anos, nem de como seu cabelo está maior, e nem sequer pense que da falta que você sente daquilo tudo ele se dará conta.
Simplesmente engula e siga sua vida. Todas as suas forças já se esgotaram nas batalhas anteriores, ainda não percebe?
Vocês (se) perderam.

Natália Albertini.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Spinning Heads (num movimento centrípeto acelerado...Não, espera...)

Outro de meus pequenos prazeres: ficar à deriva, vegetando (briófitas não tem vasos condutores...Pteridófitas, angiospermas e gimnospermas são traqueófitas) na frente do computador, simplesmente ouvindo Coldplay, sem sequer balbuciar os versos (redondilho menor, cinco versos, rendondilho maior, sete) que sei de cor.
Mas o que acompanha esse meu pequeno deleite (leite...lactose...) hoje não é agradabilíssimo (superlativos): perceber o quanto medo, desprezando as tais medidas preventivas, esse semestre já começou a me dar.
Num misto de cansaço, reflexões excessivas, nostalgia precoce e, admito, certa empolgação, já que sou uma das adeptas ao modelo de vida sem-tempo-para-nada, me deparo com uma maré vermelha que é causada pela proliferação das algas... Ai, não, calma. Digo...me deparo com uma maré de sentimentos antagônicos, porém complementares (sim, complementares...as raízes imaginárias sempre vêm acompanhadas de suas conjugadas).
Não sei se isso tudo é por ser adolescente, mulher (é, a igualdade perante a lei entre homens e mulheres foi estabelecida na Constituição de 88, portanto é muito recente), Natália, sagitariana ou tudo junto.
Realmente, esse último semestre vai me deixar completamente louca e fora de mim. E o pior é que não sei me decidir entre ânimo, vide prévia explicação, ou medo, idem. Já tô até vendo, meio embaçado, admito, uns Guimarães Rosa radioativos e uns amperímetros da O.R.I.
Gosh...
Heavens help us, mates.

Natália Albertini.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

F.

Ela afastou os lábios dos dele, olhou-o aos olhos e fez um beicinho, com cara de pensativa.
Ele se manteve calado, apenas a observando, admirado, enquanto ela se ajeitava em seu colo. Até que ela quebrou o silêncio:
- Você tem fumado, ?
Ele abaixou os olhos, como que envergonhado, e enfiou a mão no bolso.
- Não faz isso, você acaba com seus pulmões...
Ele tirou a mão de dentro do bolso e mostrou o último cigarro que tinha por perto. Com um movimento dos dedos, quebrou o pequeno objeto bicolor e o jogou na lareira.
Ela fixou os olhos na lenha e os deixou ali, repassando a cena mentalmente. Tinha vontade de rir e ao mesmo tempo de beijá-lo. Pensou em como aquela cena poderia dar um filme se eles se comunicassem melhor, quem sabe até falassem a mesma língua, se a lareira estivesse acesa e se um maquillador tirasse algumas sutis imperfeições de seus rostos.
Entretanto, aquele ato fora tão...tão...particularmente engraçado na vida real. Foi delicadamente cômico, e lhe provocou a repentina vontade de rir.
Voltou o rosto para o olhar dele e, desta vez, se prendeu ali. Ora, que se dane se havia sido piegas. Fora um ato de altruísmo e, ao mesmo tempo, auto-respeito dele.
Ela sorriu, meio envergonhada e meio grata, e esperou a reação dele. Ele finalmente sorriu para ela, ajeitou-a novamente em seu colo, a abraçou a deitou a cabeça no ombro direito dela, respirando devagar.
Ela afagou-lhe os cabelos negros e sussurrou-lhe um quase que indecifrável "gracias" ao ouvido direito dele. Beijou-lhe a nuca e passou a lhe fazer um cafuné de leve, enquanto o observava adormecer como uma criança de cinco anos o faria.
Respirou fundo e agradeceu por tudo estar acontecendo ali. E, principalmente, por tudo não a seguir até em casa, era o que mais a deixava contente, embora parecesse um tanto quanto insensato para outras pessoas.

Natália Albertini.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Caixinhas, caixinhas, minhas caixinhas.

Recostou-se numa parede e revirou o cabelo de qualquer forma, só para tirá-lo do rosto. As pernas não conseguiam parar de se mover ao ritmo do reggaeton no último volume.
Apoiou as mãos na cintura e depois as passou à nuca, pendurando-as ali. Varreu quase que toda a casa noturna com seus olhos então acinzentados.
Viu um grupo de amigos recém-feitos dançando, viu argentinos pulando, cantando e bebendo. Viu os lasers indo e vindo pelo ambiente, iluminando uns e outros, tornando os olhares felinos. Bem, alguns até mesmo lupinos...
Viu e ouviu tudo aquilo e tentou ao máximo arquivar até os mínimos detalhes em seu departamento de memórias agradáveis.
Se pudesse, guardaria tudo aquilo numa caixinha vermelha com um laço branco. E quando sentisse vontade de voltar, era só desfazer o laço, abrir a caixinha e, tum, pular ali dentro.
Numa fisgada pesada, percebeu que não estava mais na festa tão animada, mas, sim, em casa, em sua própria cama. Droga, estava sonhando de novo... Que saudades de tudo...
Se virou na cama e afogou o rosto no travesseiro, esticando os braços. Os dedos tocaram uma superfície dura e lisa. Estranhando o fato, sentou-se na cama e olhou para o colchão. Só então deu-se por conta de que não estava deitada de fato num colchão, mas, sim, sobre milhões e milhões de caixinhas vermelhas com laços de cores diversificadas.
Arregalou os olhos e avistou uma com um laço branco. Gananciosa, esticou a mão direita para alcançá-la. Assim que o fez, desamarrou o laço e jogou longe a tampinha vermelha. Enxergou somente algumas luzes fluorescentes. Sem hesitar, mergulhou ali dentro.
Infelizmente, acabou por descobrir que a fluorescência vinha da luz de seu próprio quarto. Sua irmã havia acendido para procurar algo que perdera no meio da noite.
Bufou e revirou-se na cama, desta vez em seu próprio colchão, quase implorando ao subconsciente para trazer de volta as caixinhas.

Ps.: nossa, oi, o que é isso? Sei lá, só fui escrevendo enquanto cantarolava Hasta Abajo Papi e Descontrolado! xD
Ps2.: oooooo saudaaaaaaades! :S
Natália Albertini.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Peter Pan

Entre as sombras das árvores, a luz do Sol consegue se esgueirar e iluminar pequenas partes do painel. Sobe devagar pela sua mão esquerda, que guia o carro, quase lhe alcançando o cotovelo. Deixa-lhe a pele ainda mais branca, embora me pareça impossível.
Seu cabelo está um pouco bagunçado na nuca, levando meus olhos a alcançarem seu pescoço e seu maxilar. Subo. Sua boca, seu nariz e um Ray Ban espelhado.
Desço. Seus ombros que fazem a camiseta esticar informalmente.
Você fala com tanta naturalidade, mas também aprecia tanto quanto eu não me calo.
Por vezes apoia os óculos acima do joelho na perna direita, que gracinha.
Enquanto eu olho pelo retrovisor, tentanto evitar teu embalo, você fica cantarolando Elvis baixinho, e me faz tomar consciência novamente da aura de pozinho mágico que te envolve.
E mesmo agora, depois de certo tempo, aquele pozinho ainda me faz cócegas ás vezes. E eu juro que poderia voar se fosse como todas as outras...

Ps.: back from the paradise. Although I'm not there anymore, it ain't over yet. Take you guys with me everywhere I go from now on. Thank you all so fucking much.
Ps2.: ÔÔÔÔÔÔÔÔ BARILÔ BARILÔ BARILOCHE!
Ps3.: não, o texto não tem nada a ver com Bari. Eu devia ter postado antes de ir. Espero que a pessoa nunca leia isto. Um pouco de vergonha, né, sabe como é...hihi. x:
Natália Albertini.