terça-feira, 31 de agosto de 2010

Untitled.

I miss you so freaking-damn-fucking much.
Once again.
And forever.

Ps.: Centenas de textos se formaram em minha mente, pensei em escrever muito e pouco sobre coisas várias, mas há sempre uma mesma inquietação que fica aqui, me cutucando. Portanto, esta é uma noite inútil. Não escrevo, não leio, não canto, não me mexo, não te esqueço.
Ps2.: And I keep wondering why, keep forbidding my lips to say goodbye.
Natália Albertini.

sábado, 28 de agosto de 2010

Lost wings.

Eu aqui passando as fotos do dia de hoje, clicando vagarosamente nas setas do teclado.
Abro a pasta de todas as fotos depositadas na câmera, decido ver as do último Natal, já que a primeira delas parece tão feliz.
De repente, um murro em minha cara, me enchendo a boca de sangue.
Uma foto da tia ao seu lado.
Você, atrás dos seus óculos, com sua camisa listrada e sua blusa de lã por cima, sentado no seu lugar de patriarca da casa tão costumeiro.
E a tia ali, ao seu lado, como sempre.
Você sorri com os olhos e com os lábios, e tem as mãos entrelaçadas, como bem as lembro.
Um chute em minhas costas, me empurrando abismo abaixo.
Recordações e pesares rodando em minha mente.
Eu caindo.
Inconformada, tento entender que você, nunca mais. Que sua casa, talvez, nunca mais. Mas nada disso faz sentido, nada disso tem a ousadia de tomar forma em minha mente.
Nada.
Nunca.
Eu caindo.
Vontade de pegar o cortador de unhas, te fazer sentar à varanda, tirar seus chinelos e lhe cortar as longas unhas.
Vontade de passar meu indicador sobre sua unha rachada do polegar esquerdo.
Vontade de você aqui mais uma vez.
Pra sempre.
Meu maxilar esfarelado, meus olhos mutilados.
E eu caindo nesse abismo pleonasticamente infinito.
E sua luz ficando cada vez mais e mais longe.
E eu caindo nesse abismo, sem saber como voar sem você pra ser minhas asas.
E esse monstrinho dentro de mim, de unhas compridas e dentes afiados, que me rasga lentamente de dentro pra fora, sugando meu sangue e minhas forças.
E eu vendo a ponta de uma de suas unhas cutucando minha barriga.
E eu caindo nesse abismo.

Ps.: I'm so sorry, I swore I'd write this without sharing a tear, but it's just impossible. I miss you so fucking much...
Natália Albertini.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Mente indisciplinada.

O grupo postou-se à frente da sala em função da apresentação do trabalho.
Uma das garotas começou com:
- Então, nós vamos falar sobre...
Meu cenho se franziu. Divaguei.
Tá, eu sei que é informalidade, mas ué, mas ela ainda não tinha falado nada. Como é que fez uso duma conjunção conclusiva se ainda não tinha nada para concluir, muito pelo contrário, ia ainda iniciar?!
Ela prosseguiu:
- O anúncio é muito claro e possui algumas ambiguidades.
Não, calma... Ela opôs duas ideias, certo? Então a conjunção não deve ser aditiva, mas sim adverstiva, já que ela propôs uma antítese. Não, um paradoxo. Não! Um oxímoro!
Ai, credo, Natália, chega. Você já passou no vestibular.
É, chega, chega! CHEGA!
- O anunciante também faz uso de metáforas...
Metáfora! Figuras de linguagem, ...

Ps.: dedico este à Bebê! :D
Natália Albertini.

domingo, 22 de agosto de 2010

Meus lânguidos azulejos.

O astro-rei lambia languidamente os azulejos vermelhos do chão.
As quatro meninas sentavam-se ali, rodeadas por sorrisos e memórias poeirentas.
Uma de óculos e anel, outra de rasteirinha e regata branca, outra de chinelo e franja abrangente, e uma outra de unhas douradas e bermuda.
A névoa de domingo à tarde as rondava.
A parede imperfeita servia de apoio para aquelas colunas ainda não inteiramente estruturadas.
Falavam e riam, calavam e sorriam.
Externa e internamente.
Sorrisos de almas velhas em corpos jovens.
Memórias de almas jovens em corpos velhos.
Não precisavam sequer se tocarem para se darem por conta da conexão ali presente, tão palpável.
Mais um domingo à tarde, depois do almoço.
Mais um.
Mais.
E mais.

Natália Albertini.

domingo, 15 de agosto de 2010

Mouth-watering.

Belas e longas pernas cruzavam-se, realçadas pela saia curta, preta.
Nos pés, botas de altos saltos e cadarços de veludo.
Grosso e charmoso coque no topo da cabeça.
Nas mãos, um dry martini.
Nos olhos, o outro sofá.
Os sofás eram ainda mais escuros à rara iluminação do local, baseada principalmente em vermelho e roxo.
As batidas da música faziam tremer as paredes, arrancando pequenos pedaços de reboco.
Seus olhos eram fixos nele.
O rapaz conversava com um dos amigos.
Ele tinha os jeans meio rasgados, os tênis de couro, a camisa xadrez meio aberta e aquele pescoço tão lascerante aparecendo, sustentando um dos mais belos rostos já vistos, um maxilar invejável.
Ela o encarava, sem sequer tomar outro gole do copo.
Ele a viu, encarou-a de volta, enquanto entornou a garrafa de cerveja naqueles lábios tão carnudos.
Seu olhar ainda era fixo.
Fixo naquela carne cervical que latejava em calor e sangue.
Um sorriso beirava o canto de seus lábios, tão úmidos quanto os dele.
Os ombros dele esticavam a camisa, cujas mangas dobradas que qualquer forma revelavam braços pesados e violentos.
Ela descruzou as pernas e juntos os joelhos, separando as botas.
Tomou o drinque todo num só gole, colocou a taça no chão e se pôs de pé, chamando a atenção do rapaz.
She was stunning.
Ela deu dois passos e parou.
Como se fosse o ato mais normal e esperado de todos, encaixou o quadril no dele e sentou-se em seu colo, atacando sua boca com a língua.
Ele, embora espantado, correspondeu instantânea e satisfeitamente.
Tratou de levar a mão livre a uma das nádegas da moça e apertá-la com força.
Fez questão de dar a garrafa de cerveja ao amigo ao lado para que pudessa agarrá-la sem restrições.
Ela desceu os lábios àquele pescoço tão vibrante e apetitoso, primeiramente acariciando-o.
Arreganhou a boca e com caninos vorazes perfurou as três camadas de pele, chegando a uma das artérias, sugando com força aquele visco tão quente e libidinoso.
Rebolou de leve os quadris, se alimentando prazerosamente.
E a expressão de tesão daqueles olhos azuis dele tornaram-se logo em desespero e agonia enquanto sentia as perfurações dos dentes no pescoço e as ungueais nas costas, sentindo seu rubro-negro escorrer, morno, por sua pele.

Ps.: é, adoro gory vampires in tha clubs, so sorry.
Natália Albertini.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Eterno véu.

Ainda tenho na ponta dos dedos a memória de sua unha rachada ao meio, no polegar esquerdo.
Você com aquele rosto limpo e lívido, de olhos fechados e lábios selados.
Aquele estúpido véu te cobrindo.
Aquelas velas.
Aquelas pessoas.
Toda aquela solenidade.
Toda a minha vontade de arrancar esse estúpido véu e agarrar seu corpo, gélido, com força. Te segurar aqui comigo.
Pra sempre.
E então aquela mulher chegou e se apresentou como sua amiga, logo dizendo:
- Ele falava tanto de vocês, netas dele... Quando ia chegando perto do aniversário de vocês, ele se corroía em indecisão, falava que não sabia o que dar, que ia acabar dando dinheiro, mesmo...
Minhas pernas fraquejando.
Minha visão embaçando.
Meu peito se contraindo em oceanos.
Esse véu nos separando.
Pra sempre.

Ps.: por quê?
Natália Albertini.

sábado, 7 de agosto de 2010

"The tears come stream and down your face, when you lose something you can't replace, when you love someone but it goes to waste. Could it be worse?"

Enquanto tento escrever algo que de mim não quer sair, sinto meu avô aqui ao meu lado, inclinado sobre mim, tentando ler a tela do computador, me perguntando sobre os sites e como consigo digitar tão rápido.
Sorrio de canto e olho, por debaixo de seu corpo, para o corredor, à esquerda.
Vejo meus primos e eu, pequenos, correndo e rindo.
Em seguida eles passam pela janela deste quarto, à minha direita, fazendo a cortina balançar sutilmente.
Memórias desprendidas dos acolchoados da sala, floridos. Dos porta-retratos na estante, da TV ligada, do tapete e da mesa de centro que sempre deixa ser posto sobre si um um vaso de belas orquídeas ou margaridas.
Lembranças do espelho de corpo inteiro do corredor, do enorme e branco banheiro com a abertura escura e sombria para o telhado.
Recordações dolorosas e coloridas da cozinha que, tão grande, sempre acolhe a família em datas comemorativas, da tesoura escondida atrás da cortina, da geladeira sempre cheia de guloseimas, iogurtes, dos armários, dos pratos e dos copos, da dispensa ladeada por comidas e materiais de papelaria, do quartinho com a tábua de passar e o grande armário que abriga tudo.
Memórias do piso gelado e escuro da varanda, do balanço, do quintal marcado pela tinta que certas netas uma vez passaram, da pequena orquidaria e das árvores tão floridas, do portão de vidro, agora de alumínio graças a meu pequeno incidente quando criança, que dá pra garagem de duas vagas.
Lembranças escuras e poeirentas da passagem secreta para o pequeno quarto de ferramentas.
Volto a mente para este quarto, esta escrivaninha, este teclado, este corpo postado aqui tentando pôr em palavras que não, meu vô não estava aqui, foi só uma armadilha de minha mente.
Ele ainda está lá, sendo velado.
Mas vô, não se preocupe, já peguei o DVD de bolero que você me pediu pra pegar... Vou cuidar bem dele, pode deixar.

Ps.: And sometimes it seems that this is just a terrible nightmare and i'm going to wake up anytime...
Ps2.: New life for me now. And not always new is good. Right now, it's terrible, because it means 'without you'.
Natália Albertini.

domingo, 1 de agosto de 2010

Arranca esse anel

De ombros largos e cabelo claro e bagunçado.
De olhos claros e dedos compridos.
De costas longas e de boa postura.
De sorriso avassalador e tênis de couro.
De aliança.
De me dar vontade de jogar essas maçãs carameladas nas suas costas e...

Ps.: Why tha fuck every single time I got to Outback I fall in love?! x.x'
Natália Albertini.