sábado, 26 de dezembro de 2009

Desculpem-me a ausência. Prometo que isso acaba quando eu entrar na USP.
Tô indo pra praia agora, logo, incomunicável por uma semana.
Se tiver meu número, liga.
Se não tiver, é porque de fato não quero que me ligue. [;
Kiddin'.

Divirtam-se com os antigos, crianças.
E FELIZ 2010 PRA TODOS!
Lhes desejo tudo de melhor.

Pois é, não tive tempo nem mesmo de escrever uma reflexão sobre meu ano. :S
Desculpem-me.

Beijos a todos.
Natália Albertini.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Acabei de ver Sete Vidas.
Não gostei.
Terminei hoje de ler Noturno, do Guillermo del Toro e Chuck Hogan.
Detestei.
Comecei agora mesmo The Bone Collector, do Jeffery Deaver.
Espero sinceramente que valha a pena.

Sim, estou mal-humorada.
Beijos.

Natália Albertini.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Mamãe, tem um monstro no meu armário.

O edredon lhe cobria as orelhas, deixando de fora apenas seus olhos. O travesseiro já tinha a marca de sua cabeça afundada ali. Os lençóis estavam encharcados, já que, em plena noite de dezembro, ela estava coberta. Entretanto, o suor não vinha só do calor corporal. Vinha também do calor causado pelos arrepios e pelo medo que a envolvia.
O quarto estava escuro. Era iluminado somente por uma fresta de luz lunar que atravessava sua janela. A porta que dava para o corredor estava fechada, enegrecendo ainda mais o ambiente.
O guarda-roupa que ficava em frente à cama, na parede oposta, tinha uma de suas portas entreabertas.
Ela acordara no meio da noite e a encontrara assim, semi-aberta. E podia jurar que, antes de se deitar, a havia fechado.
Dali de dentro, entre os casacos e jeans, havia dois pontinhos arroxeados e brilhantes que despertavam na garota um pavor estonteante.
Ela sentiu as costas, molhadas de suor, encostarem na parede. Já havia se afastado o máximo possível e ainda assim não parecia suficiente. Ela queria ficar mais longe, mais, mais, mais e mais longe, mas a parede estava ali, impedindo-a de fugir.
Não devia de ser nada, é... Era melhor voltar a dormir...
GLIMPSED.
Brilharam, brilharam! Ah, meu Deus, eu JURO que aqueles pontinhos brilharam!
E o que são aqueles pontinhos?
Não, por favor. Oh, Deus, meu bom Deus, por favor, não me diga que são...que são, que são... (não, não pense nisso)são...olhos!
São, são OLHOS!
Pelo amor de Deus, são OLHOS!
E no momento em que percebeu aquilo, os pontos passaram a um vermelho ensurdecedor, sufocante, quase que...sedentos.
Ela impulsionou seu corpo contra a parede, mas, sem querer, empurrou a cama para a frente, afastando-a. Logo, caiu do colchão, enrolada em seu edredon.
Ficou ali, entre a cama e a parede, tremendo de calor, de medo e de calafrios. Queria subir de volta à cama, logo o pesadelo acabaria. Se ela simplesmente conseguisse dormir de novo...
Acontecia que não tinha forças para se mexer, não tinha forças para subir de gatinhas de volta para o colchão.
E aqueles olhos...AH, ELES BRILHARAM DE NOVO! Caralho, eu só posso estar enlouquecendo...
Alguma nuvem passou em frente o noturno sol prateado lá fora, escurecendo por completo o quarto.
E ai aconteceu.
Aqueles olhos saltaram do armário, rastejaram com uma rapidez incrível até a cama, deitando-se ali, de barriga para a cima. A cabeça ficou jogada para trás, a milímetros de distância do rosto dela, que mal respirava.
A criatura tinha a boca escancarada num sorriso de escárnio.
A garota sentiu suas forças desvanecerem, mas ainda assim tentou gritar. Forçou os lábios a se separarem e assim que conseguiu levar voz às cordas vocais, aquilo cujo rosto, naquela noite, só ela viu, e só ela poderia descrever (ou não), meteu uma das mãos de garra em sua garganta, arrancando, com um só puxão, sua língua.
Colocou-se de barriga para baixo e abriu ainda mais a boca. Era como se o maxilar não pertencesse mais a seu rosto, estava simplesmente onde jamais poderia estar, de tão baixo.
O bicho-papão atacou, ainda sorrindo.

Ps.: péssimo, eu sei... É que foi desmedido, deu vontade e saiu esse jorro de palavras, espero que os entretenha.
Natália Albertini.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Desculpem-me pela ausência (AGAIN).
Tudo bem corrido, tempo escoando por entre meus dedos. Meio perdida.
Tô na segunda fase da FUVEST! *-*
E com umas ideias boas de contos.
Assim que der (vontade), eu posto.

Estou lendo Noturno, do Guillermo del Toro ( *0* ) e do Chuck Hogan. Depois desse, The Bone Collector.
Beijos a todos.

Natália Albertini.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Matemática Viscosa.

- Mas, antes de ser senoide, é uma equação modular, concordam?
- Sim... - alguns alunos responderam.
Enquanto o professor copiava o exercício na lousa e alguns estudantes já o resolviam por conta própria, do lado de fora da sala de aula veio um grito aterrorizado, rasgando o silêncio.
Todos se encararam com olhares cheios de interrogação e receio. Antes que murmúrios começassem, o professor perguntou:
- Isso foi lá fora? - e foi até a janela, procurar na rua, lá embaixo, por algum acidente de trânsito.
Uma voz sozinha o corrigiu, assustada:
- Não, professor...foi aqui dentro. - Não deveria ter pronunciado tais palavras. Todos já sabiam que havia sido ali dentro, mas dizê-lo tornava ainda mais real o que agora já se transformava em medo.
O tutor fez uma pergunta quase que retórica, para si mesmo:
- Aqui dentro?
Deixou o microfone numa das carteiras da primeira fila, largou o giz no suporte protuberante da lousa e saiu da sala com determinação, sem pedir licença, deixando-os somente a única exigência de terminarem o exercício.
Obviamente, ninguém o fez, estavam todos muito aflitos.
O silêncio lá fora imperava. Será que ninguém tinha ido ver de onde tinha vindo o grito? Tinha sido tão... Tão enlouquecedoramente desesperado, alguém havia de ter ido atrás!
Dentro da sala de aula, um ou outro zunido surgia, mas as palavras morriam, dando lugar à quietude geral, aguçando cada ouvido que desejava escutar algo lá de fora.
Tolos curiosos.
Um.
Dois.
Três.
Quatro minutos e trinta e sete segundos e nada de o professor voltar. Para certa parte, a apreensão começava a se desvanecer, enquanto para outra, crescia exponencialmente.
Como um trovão no meio duma tarde ensolarada, um barulho explodiu ao fundo da sala, o que chamou a atenção de todos e cada um daquela sala.
As expressões variavam entre desespero, medo e horror diante do que se via ali, escorregando parede abaixo. Era o corpo de uma jovem coberto de uma mistura rubro-negra, meio barro e meio sangue. Fresco.
A camisa da garota estava rasgada numa das extremidades e na gola. A saia também estava em farrapos. Tinha as pernas arranhadas, bem como os braços.
O garoto da última fileira, a menos de um metro da morta que descia as costas pela parede, caindo sentada, conseguiu ver suas unhas sujas de terra, reboco e uma outra textura que, a medir dali, lembrava pele.
O silêncio era cristalino até o momento em que o corpo desfalecido se estabilizou no chão, com o rosto caído para um dos lados e os olhos vidrados. Exatamente no momento em que parou, fixo, houve um grito quase tão atemorizado quanto áquele que dera origem a todo o alvoroço.
Houve confusão dentro da sala, alunos tropeçando nas mesas e nas alças das próprias bolsas, se trombando uns com os outros nas tentativas inúteis de achar o caminho correto pra deixar a sala.
Simplesmente não havia saída. Isso é, a menos que se quisesse pular o cadáver ensanguentado da menina que de repente começava a parecer demais com a namorada de um dos meninos dali.
Vozes alternavam-se entre os estridentes de desespero e os roucos de fraqueza. Desordenadamente, uns e outros tentavam pedir aos colegas para que se acalmassem, mas o clima de pavor era geral, dificilmente alguém os dava ouvidos.
Quando o garoto se aproximou daquela que, confirmadamente, era sua namorada, percebeu que em seus olhos mortos não havia só medo e desespero, mas também uma profunda dor. Deu-se por conta que a menina havia morrido sofrendo. E muito.
No mesmo instante, as luzes se apagaram. Tudo o que se via era preto. Uma escuridão pesada e intransponível que envolvia a todos. Entretanto, não houveram gritos.
O desespero de todos e de cada um foi silenciado antes que as pregas vocais pudessem imprimi-lo.

As equações matemáticas na lousa, o barulho constante causado pelo efeito de microfonia, as persianas fechadas, imóveis, sem o menor sinal de vento.
O piso acarpetado por um novo tipo de vermelho, que exalava seu próprio odor e exibia sua própria magnitude.

Natália Albertini.