quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

A gente já tá chegando? / Velocidade Alucinante.

enigma - sadness
<\embed> src="http://www.mp3tube.net/play.swf?id=3c9ac674677a3b7c5b2050d9572501db" quality="High" width="260" height="60" name="mp3tube" align="middle" allowScriptAccess="sameDomain" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" menu="false" Passou pela catraca e desceu a escada rolante, logo chegando ao piso inferior e postando-se de frente e um espaço vazio por onde dali a alguns instantes passaria o transporte público. Olhou para os lados e reparou em algumas poucas pessoas.
Um homem a seu lado tinha a expressão sisuda, o cenho franzido e a mão esquerda na têmpora do mesmo lado. Trajava um terno marrom escuro, trazia na mão uma maleta quase que do mesmo tom e olhava o relógio incontáveis e repetidas vezes. Aparentava estar bastante preocupado e com pressa.
Uma garota um pouco mais adiante vestia uma saia nada justa que alcançava-lhe os pés, uma regata monocromática e segurava uma bolsa de pano, de onde emergia um fio branco, um fio que ia até suas orelhas e a transportava a um outro mundo, pois ela com certeza não estava ali. Parecia bastante descontraída, despreocupada e nada desconfiada.
Olhando para o outro lado, avistou um rapaz trajando calça jeans, camiseta de alguma banda e carregando uma mochila às costas. Tinha o cabelo um tanto quanto bagunçado e os óculos caíam-lhe ao nariz, fazendo com que tivesse que ajeitá-los constantemente.
Mais à frente, conseguiu ver uma mulher que carregava algumas sacolas grandes e pesadas. Vestia uma roupa simples e seu cabelo estava preso num rabo-de-cavalo. Tinha a face abatida e aparentemente quase melancólica.
Voltou a encarar o espaço vazio que por enquanto abrigava apenas os trilhos metálicos. Abaixou a cabeça e ajeitou a mochila nas costas, imaginando se alguém a observava, mesmo que por apenas alguns segundos, assim como ela fazia com os outros.
O barulho familiar chegou a suas orelhas, alertando-a. Instantes depois, uma das portas metálicas estacionou bem à sua frente, permitindo-a que adentrasse o veículo.
Entrou e postou-se de pé, em frente a uma anciã sentada num daqueles banquinhos preferenciais, e segurou-se num dos canos para que não caísse.
O monstro de metal seguiu viagem com toda aquela sua velocidade. Marina começou então mais uma de suas filosofias dentro de seu cotidiano. De vez em quando tinha esse tipo de “ataque”, como dizia ela.
O que passava por sua mente agora era que todos os passageiros estavam ali, sentados ou de pé, ouvindo música ou não, acordados ou dormindo, alheios uns ás vidas do outros. Cada um dos passageiros devia ter uma história de vida inimaginavelmente incrível a seu próprio modo. Cada um dos passageiros tinha um sorriso, uma lágrima, um suspiro, um grito, uma piscada, um susto, uma vontade, uma vitória e até um fracasso para compartilhar com todos os outros. Mas ainda assim, ninguém se dava conta disso. Ninguém sequer parava pra pensar nesse tipo de coisa.
Estavam todos num mesmo barco e estavam todos destinados a um mesmo destino. Alguns paravam antes, outros entravam depois. Mas, no final, todos tinham o mesmo (in)feliz destino. Acotovelavam-se, xingavam-se e praticamente esmurravam-se para entrarem naquele trem que passava por debaixo da terra e levava ao inferno.
Cada um tinha uma razão diferente para encontrar-se ali exatamente naquele instante.
Achava incrivelmente interessante o fato de tantas pessoas terem seus destinos entrelaçados, ainda que por frações de segundos, serem levados a um mesmo destino, porém sequer darem-se por conta de quem são seus companheiros.
Daí tinha uma de suas doutrinas: o egoísmo só crescia no mundo em que vivia. Qualquer dia desses, o monstro criado por próprias mãos humanas, engoliria seu criador.
A moça chegou à estação desejada. Desceu do veículo e silenciosa e mentalmente, desejou que todos os outros viajantes que ficaram lá tivessem uma boa e não dolorosa viagem, e que talvez algum dia pudessem compartilhar suas vidas.


Natália Albertini.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Frappuccino Premiado



Lillix - Doughnut

Atravessou a rua e entrou na Alameda Campinas,apressada,deixando os saltos estalarem sobre a calçada.Abriu a bolsa Kate Spade comprada em Nova Iorque e retirou o celular de novíssima geração(da semana passada).Apertou um botãozinho, e pronunciou o nome do namorado,Fillipe,e mais algumas instruções fazendo com que o aparelho emitisse um bip e chamasse o número indicado.Tropeçou e quase caiu ao prender o salto esquerdo em uma fenda entre os paralelepípedos e xingou-os até não ter mais palavrões de fácil acesso em seu reservatório.

Clique!O rapaz atendeu enquanto ela checava o salto danado:

-Sim?
-E aí,Gato?
-Oi,Sofia...Gata!Escuta,não posso falar agora.
-Por quê?
-Ahn...Porque...Porque tenho uma reunião importantíssima agora,estou entrando na sala.
-Hum,certo.
Ela percebeu uma voz feminina ao fundo do outro lado da linha e perguntou:
-Quem tá aí com você?
-Ahn...Ninguém.
-Tem uma mulher aí.
-Ah,sim!Ahn,claro...Quero dizer,foi a Priscila,a secretária,que entrou aqui e me entregou algumas pastas...
-Ah,tá bem então.Nosso jantar ainda tá de pé?-perguntou e escutou uns estalos que não vinham do seu lado.
-Depois a gente se fala,tchau.
-Beijo,até...-mas ele já desligara.

A morena adentrou a cafeteria Starbucks e pediu um frappuccino a base de creme com sabor morango adicionado a um cheesecake.Forneceu seu nome à atendente e sentou-se em uma confortável poltrona verde.
A porta de vidro abriu-se,mal chamando-lhe a atenção.Instantes depois,o casal que havia entrado junto pela porta aproximou-se do balcão.Assim que o atendente chamou 'Sofia!',a moça aproximou-se do balcão ao lado e só então deu-se por conta da palhaçada que estava a sua frente.O casal não passava de seu próprio namorado e sua chefe, Nicole.

Tudo bem,não ia se precipitar.Só porque eles estavam juntos,não significava que eles estavam tendo um caso.

Até ele segurá-la pela cintura e dar-lhe um beijo rápido e estalado.Calhorda filho-da-puta.

Os dois nem notaram a presença dela ali,uma vez que fizeram seu pedido e estavam entretidos em meio a carícias e palavras de afeto.Sofia fixou os pés no chão e prometeu mentalmente não sair dali até que o rapaz a percebesse.

Fillipe e Nicole saíram em direção ao balcão ao lado e pararam bruscamente.Ele a vira.Haha,imbecil,pensou Sofia.
-Sofia?-ele sobressaltou-se.
-Filliiiipe!-cumprimentou,alongando a segunda sílaba.
Ele estava totalmente sem reação.Idiota.
-Que surpresinha,hein?-ela acrescentou cinicamente,com um sorriso que brilhantemente transmitia a mesma emoção.
-Sofy...!
-Em carne e osso.-ela confirmou,substituindo o sorriso cínico por um furioso,acompanhado por um olhar fuzilante.-Posso ver claramente que você está entrando na sala!De reuniões,é claro...

Aquela briga estava ganha.E com classe.


PS.:Este texto foi o nosso primeiro juntas.Escrito na Starbucks em sua maioria.Chiiique, bem!

PepperAnn

Pra fora do peito e da garganta.

Bem, esta é a primeira vez em que escrevo como ninguém menos que eu mesma, Natália Albertini. Sem máscaras, sem falsos cabelos, sem falsas cores de pele, sem falsas roupas e sem pseudônimos. Esta é a primeira vez que faço isto e espero que ainda faça algumas vezes mais, pois assim posso expressar minha opinião sobre os mais diversos assuntos de maneira clara e objetiva.
Primeiramente gostaria de agradecer a todos os leitores e leitoras por darem atenção a nossos gritos, nossas lágrimas, nossos sorrisos, nossos suspiros; enfim, a nossos textos.
Agora, sim, apresentar-lhes-ei minha opinião sobre um assunto bastante discutido.
Chamou-me a atenção num dia destes a cena de uma mulher visivelmente paupérrima e seu filho, de mesma condição social, parados num farol. Sei que disso, todos falam, mas gostaria de contar-lhes o que se passou dentro de mim.
Eu encontrava-me acomodada confortavelmente dentro de meu carro quando meu pai passou por debaixo do farol verde e, simultaneamente, ao lado desta mulher. O que eu senti foi um misto de repúdia, dó e culpa.
Dó pelo fato de eu estar numa condição muito mais elevada que ela, dó pelo fato de ela, assim como o filho de aparentemente uns cinco ou seis anos, encontrar-se praticamente numa subvida, e não no que pode ser dignamente chamado de vida.
Dó pelo fato de nosso país ter o número de pessoas assim cada vez maior, dó de ver que o que os detentores de maior poder e influência querem mais é que esta classe baixa, ou melhor dizendo, baixíssima, cresça mesmo. É incrível o fato de eles realmente lutarem por isso, lutarem pelo extremismo. Lutarem para que a classe média suma, para que eles apenas se evidenciem cada vez mais com seus carros, casas e roupas luxuosíssimas, para que a classe baixa fique cada vez mais lá embaixo.
Dó de realmente acreditar nisso tudo. Tenho asco dos políticos que, de uma maneira geral, desejam isso com todo o coração e alma, quer dizer, se é que eles passam de um pedaço de carne humana que apenas quer marcar sua existência neste mundo com sua riqueza.
Por favor, se algum de vocês tiver um argumento forte o suficiente para me fazer acreditar que eles não querem ver o Brasil lotado de seres humanos com roupas, estômagos e corações rasgados e destroçados apenas para que possam alimentá-los com alguma ajuda mensal de dois reais e alguns centavos, fazendo com que estes miseráveis proponham suas reeleições, use-o agora.
Repúdia pelo fato de ver aquela mulher usando seu próprio filho – ou será que devemos dizer “seu próprio pedacinho de carne e sangue humanos”? – para conseguir alguns míseros trocados. É praticamente o mesmo que jogar um inseto ao lago para capturar seu próprio peixe. Percebia-se nos olhos dela que ela pouco se importaria caso alguma motocicleta arrancasse o braço do garoto enquanto ele o estendia para a janela de algum luxuoso carro, aliás, seria até uma boa coisa, sabiam? Afinal, ela teria um a menos para alimentar e ela não seria culpada por nada!
Repúdia por ver estampado na cara dela o mais típico exemplo de individualismo. Repúdia ainda por saber que nada disso passa na cabeça dela, que ela só faz isso graças ao instinto de sobrevivência que seu corpo colocou em uso, graças ao alarmante estado de desespero instalado nela.
E além de tudo, fui vítima de uma onda de culpa. Sim, me senti um tanto quanto culpada por ter sido ensinada a temer essas pessoas que lutam pela própria sobrevivência – e não pela dos filhos. Por ter sido ensinada a não dar trocados que não me fariam falta em momento algum apenas para não correr o risco de ser estuprada, seqüestrada, roubada ou qualquer outra coisa deste gênero.
Culpa por assistir aos filhos da puta verem de lá de cima de seus gigantes e vítreos edifícios o Brasil daqui de dentro ir à falência, torcendo para que isto apenas ande mais rápido, e não me mexer, aliás, não saber o que fazer, não saber como desatar minhas mãos e fazê-las atingirem o nariz daqueles malditos que praticamente berram aos nossos ouvidos em seus discursos: “FODAM-SE VOCÊS!” – desculpem-me as palavras, mas é exatamente isso.
Por hora, vou parar, pois me empolgo e, se não cessar este texto agora mesmo, fico até amanhã escrevendo.
Espero que opinem sobre este e todos os outros textos e comentem.
Grande beijo.

Natália Albertini.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Final alternativo.


-E aí,gostou do filme?
-Interessante.E você,o que achou?
-Achei meio sei lá.
-Como assim ''meio sei lá''?
-Sei lá,ué.
-Entendo.E esse ''sei lá'' é legal ou chato?
-Legal.
-É,legal mesmo.
-Acho que eu devo fazer o que ela fez.
-Qual delas?
-A ruiva.
-E o que ela fez?
-Aquilo lá,com o namorado.
(silêncio)
-O quê?
-É.Tipo assim, ó: não gosto mais de você.
-Não gosta?
-Não como deveria ser gostar pra gente continuar junto.
-Espera aí,deixa eu ver o que eu sinto.
-Tá.
-Não sinto nada.Que estranho,né?Você vai me abandonar e eu não sinto nada.
-E isso não me incomoda nem um pouco.Nem sinto muito por você não sentir nada.
-Eu sinto só...esse frio do caramba.E eu,eu me sinto.Entende?
-Entendo.
-Então,a gente termina assim?
-Aham.
-Então tá.Quer que eu te acompanhe em casa mesmo assim?
-Na verdade,não,porque você pode atrapalhar a minha possibilidade de conhecer um cara legal no metrô.
-É e você pode fazer o mesmo comigo.
-Posso.
-Hum...bem,foi bom namorar dois anos com você.
-É,foi mesmo,de verdade.
-Isso não é algum tipo de brincadeira,é?
-Não,por quê?
-Porque se fosse ia ser bem incomum.
-Sei.Talvez fosse mesmo.
-Você não vai chorar?
-Não,por quê?
-Porque eu não vou chorar,então me sentiria culpado se você chorasse.
-Mas sou eu que estou terminando.
-É, você não deveria chorar.
(silêncio)
-Então...tchau.
-Tchau.
-A gente se vê?
-É,acho que sim.

Ele sorriu para ela e os dois se seguiram para lados opostos da avenida de calçada úmida e cheia de poças de água.

domingo, 20 de janeiro de 2008

De todas as suas amigas, ela era a mais ela.

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A noite caiu e ali estava ela: sentada diante de seu computador, prestes a fazer sabe-se lá o quê a fim de espantar o tédio. Decidiu-se por olhar fotos, relembrar bons momentos.
Começou sua revisão com fotos de si própria quando criança. Ah, como gostava daquelas fotos...
As próximas eram fotos com a família e amigos, porém num estado bastante avançado de sua vida, quase seu estado atual. As fotos lhe embalavam numa melodia alegre e calma, simultaneamente.
De todas as suas amigas, sempre se achou a mais afetuosa e a mais preocupada no quesito relações amistosas e familiares. De todas as suas amigas, sempre se achou a que menos guardava rancor. De todas as suas amigas, sempre se achou a que menos elevava discussões a um nível que não mereciam. De todas as suas amigas, sempre se achou a mais disposta a ignorar um possível passado desagradável e a optar por um presente mais confortável. De todas as suas amigas, sempre se achou a que mais tentava resolver logo os problemas, e não os levar longe demais, como todas as outras o faziam.
Não diria que a nostalgia já não a havia assolado, pois isso, sim, seria uma bela mentira. Era só que agora havia se conformado, agora havia entendido que nada do que foi voltaria a ser como era previamente. A amizade que possuía com certas pessoas e que todas julgavam ser infinita e maior do que tudo e todos havia perdido mais da metade de toda sua força e jamais voltaria a recuperá-la. Era assim e por mais que todas as outras tentassem mudar este fato, ele continuaria imutável. De todas as suas amigas, sempre se achou a mais sensata e a menos relutante a aceitar isto.
As fotos continuaram passando diante de seus olhos e o que ela reparava agora é que tinha demasiado poucas destas tiradas naturalmente, isso é, em quase nenhuma delas ela e as demais pessoas apareciam rindo, chorando ou qualquer outro tipo de pose para fotos inesperadas. Agora pensava se de todas as suas amigas, ela era a que menos tinha aproveitado a vida. Agora se questionava sobre seu modo de viver, seu modo de se divertir. “Ainda sou nova”, pensava ela. Mas será que era ainda realmente nova? Não parecia ser tão jovem, afinal, de todas as suas amigas, sempre se achou a mais madura em quase todas as situações.
Será que estava ela deixando escapar alguma coisa que a vida lhe oferecia? Não queria, aliás, não podia deixar nada escapar, afinal, uma vez que algo lhe escoa por entre os dedos, dificilmente ela volta, portanto, tinha de ficar atenta.
Será que era mesmo tudo isso? Será que realmente estava perdendo algo e deixando de aproveitar a vida como realmente deveria aproveitar? Ou será que era apenas que o modo de entretenimento de suas amigas lhe era diferente? Ou será que cada um aproveitava a vida como achava que deveria fazê-lo? Ou será que era somente a fome que todos os jovens têm?
Estava suficientemente confusa para um único dia quando a este mesmo ponto, outras dúvidas começaram a lhe perturbar. Dúvidas do tipo: por que ela, que sempre se achou menos feia que certas meninas de sua escola, não atraía olhares como aquelas atraíam? Por que ela, que sempre se achou mais interessante do que meninas que falavam somente sobre moda e meninos, não era a causa de murmúrios como aquelas eram? Por que maldito motivo ela, que sempre se considerou até que um tanto quanto particularmente interessante, não conseguia chamar a atenção de quem ela gostaria de chamar?
Ah, como odiava quando esse tipo de pensamento lhe invadia a mente. Como odiava esses seus períodos denominados por ela mesmo de “períodos quero-alguém-pra-mim”. Como odiava se preocupar com esse tipo de coisa. Como odiava se sentir fútil assim. Como odiava saber que tudo isso era natural e que continuaria enfrentando emoções como estas pelo resto de sua vida.
Nunca foi alguém que aspirava encontrar o amor de sua vida quando atingisse seus quinze anos. Aliás, não sabia ao certo se realmente acreditava que o amor de sua vida existia. Essa era, definitivamente, uma de suas épocas mais confusas e incompreensíveis de sua toda sua vida.
Nunca teve sonhos quando criança de ser uma princesa e achar seu príncipe encantado como muitas de suas amigas tiveram. Nunca esperou encontrar exatamente no momento que esperava alguém que a levasse às alturas e que a amasse e a fizesse amar de maneira inimaginavelmente absurda.
Não, jamais quis nada disso. Queria exatamente o contrário: queria continuar sozinha por um bom tempo, ao menos era o que sua razão, sua mente afirmava.
Já nos “períodos quero-alguém-pra-mim”, o sentimento dominava seu corpo como ainda o faria por inúmeras vezes ao longo de sua existência, e quase a convencia de que realmente precisava de alguém, precisava de um namorado.
O que a confundia e o que quase a levava a perder a cabeça era o conflito constante e sangrento entre sua razão e seu sentimento, sua mente e sua alma, sua pele e seu espírito.
Por fim, o que achava ter decidido é que queria apenas alguém que a surpreendesse e que, ao invés de levá-la ao céu, apenas a tirasse do chão. Queria alguém para abraçar e beijar a hora que quisesse, porém não alguém a quem dedicar seu amor eterno e infinito. Queria alguém que ligasse de vez em quando só para saber como ela estava, e não alguém que ligasse todos os dias e contasse seu dia inteiro.
Já não sabia mais o que queria. Não sabia se alguém a entenderia.
As fotos haviam se acabado e ela estava agora escrevendo, aliás, descrevendo sua situação, suas emoções, se é que essas podiam ser traduzidas em palavras.
Ela queria que magicamente alguma fada ou qualquer outra espécie de criatura mágica lesse aquilo e a mandasse imediatamente alguém com os requisitos necessários.
Como sabia que isso não aconteceria, decidiu apenas parar de escrever e ir fazer outra coisa, distrair sua mente para que não brigasse tanto com seu coração.
Enquanto desligava a máquina, pensava apenas se, assim como ela contava a história de muita gente, alguém a estaria observando de alguma lente e depois escreveria sua história.

Natália Albertini.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

União Imortal

The Corrs - Little Wing
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A grama estava enegrecida graças à noite. O vento era tranqüilo e silencioso. A água do lago, iluminada apenas pelo brilho do prateado sol noturno, dançava harmoniosa e calmamente, á mercê da brisa.
Os cabelos da garota, ruivos e suavemente cacheados, balançavam com graciosidade. Seus olhos, verdes, estavam acesos, queriam brilhar tanto quanto ou ainda mais que a própria estrela-maior. O corpo apoiava-se sobre os braços, jogados para trás que estavam, por sua vez, apoiados no verde escuro da grama. As pernas encontravam-se cruzadas, “assim como os índios”, dizia ela.
A garota era Lorraine, filha da noite e abençoada pelo dia. Trajava suas roupas usuais. O que a caracterizava e a fazia ser lembrada pelos outros eram sua capa verde de veludo, que alcançava seus pés, tinhas as mangas compridas e um capuz que lhe encobria quase metade do rosto, e seus inúmeros colares com pingentes de dragões. Os que conviviam com ela diziam que ela era uma das pessoas que mais levavam a sério a magia que circundava a região.
Lorraine vivia numa espécie de aldeia. Era um local afastado quase que completamente de qualquer outro burgo. Porém não era tão atrasada assim. Tinham roupas e tudo o mais que os plebeus tinham. Claro, não eram nobres, mas vestiam-se como os aldeões medievais costumavam se vestir. Era a Aldeia de Ghentay, onde as garotas eram dadas em casamento por volta dos treze anos. A ruiva era filha de um dos homens mais prestigiados dali, portanto, não era discriminada por ter quase dezesseis anos e ainda ser solteira. Seu pai, além de viver na época medieval e conviver com aquela escola, era incrivelmente compreensivo e permitiu que ela trilhasse seu próprio destino. A moça se considerava alguém de muita sorte por ter aquele homem como seu pai.
O lago que compartilhava a noite com ela era o Lago Fersanno, no qual já havia nadado incontáveis vezes. O único barulho que quebrava o silêncio majestoso e simultaneamente dantesco da noite era o chacoalhar das folhas dos salgueiros que a rodeavam.
Lorraine ouviu um farfalhar de asas e prontamente olhou para o céu. Avistou uma sombra enorme encobrir a Lua por um ou dois segundos. Apenas sorriu e fechou os olhos, ouvindo a imensa criatura pousar a seu lado.
A ruiva abriu delicadamente os olhos, abaixou o capuz esverdeado e girou a cabeça para a direita, o que fez com que seus olhos encontrassem os dele.
Ele era o dragão Gabriel. Era seu companheiro de quase todas as noites desde sua infância. Os dois haviam se conhecido ali mesmo, na margem do Fersanno. Haviam se tornado melhores e inseparáveis amigos. Porém, algo mais havia sido despertado em ambos os corações. Os dois haviam encontrado um no outro um complemento que jamais encontrariam em qualquer outro ser, em qualquer outra época.
Ela postou-se de pé, em frente ao enorme dragão azulado. Os olhos de Gabriel eram acinzentados, seus cílios eram longos e suas asas, encantadoramente grandes; enfim, o corpo todo do dragão era magnificamente delineado. Ray, assim chamada por ele, inspirou profundamente e expirou devagar.
- Obrigada por ter vindo – agradeceu a garota.
Ele apenas grunhiu baixo, olhando-a aos olhos e meneando a cabeça. A moça abraçou-o pelo pescoço, deixando-lhe deitar a cabeça em seu ombro esquerdo. Os dois respiraram simultaneamente: já sabiam o que estavam fazendo ali.
Ela não disse e nem diria uma palavra a mais, simplesmente concluiu que não precisava. Apenas o olhar e o abraço podiam traduzir tudo o que tinha a dizer.
Ray virou o rosto e deu-lhe um demorado beijo na face. Logo depois afastou-se, olhando-o mais uma vez aos olhos, e que olhos... Como amava aqueles olhos, e como ele amava os dela.
Era simples e infelizmente um amor impossível, jamais conseguiriam ficar juntos como pretendiam.
A menina tirou do bolso interno de sua capa um punhal, seu punhal, o mais sagrado de todos. Tinha uma extremidade imensamente afiada e a outra, extremamente trabalhada com fios de ouro, prata e cobre. Ela engoliu, sentindo uma bola de lã, de difícil, quase impossível deglutição, descer por sua garganta. Os olhos encheram-se de lágrimas, mas não permitiu que escorressem por seu rosto, tinha de se mostrar forte naquele momento.
Não havia desgrudado os olhos dos dele por um segundo sequer, e não mudou isso, não fez questão de mudar.
Gabriel também não havia deixado de fitá-la por um instante só, porém agora fechou os olhos e deu o sinal com a cabeça para que ela acabasse logo com aquilo.
A perfuração foi rápida e não lhe causou muita dor. O sangue logo começou a brotar do peito do dragão. Uma aura de luz e brilho envolveu-o e, em plena noite, quase cegou Lorraine de tão clara. O dragão havia se transformado num garoto, num rapaz, num humano. Os dois, sem hesitar, aproximaram-se e beijaram-se com o maior fervor e paixão possíveis.
Ao sentir os lábios dele afastarem-se dos seus, foi a vez de Ray. O seio esquerdo jorrava sangue, manchando o verde da capa e da grama. Os dois deitaram-se lado a lado, não deixando de se olhar. Gabriel jamais havia se transformado em garoto, mas ela o via assim até agora.
Respiraram por uma última vez e, enfim, a brisa levou suas almas dali para que pudessem alcançar seu objetivo: imortalizar sua união.

Natália Albertini.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Tesão Mais Álcool Igual A Cura Milagrosa.

Timbaland & One Republic - Apologize

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Roberta caminhava com as mãos nos bolsos do sobretudo, rumando em direção ao parque. Ao chegar no local desejado, avistou de longe Thiago, sentado num dos bancos, a propósito, no banco em que deram um de seus primeiros beijos.
A garota aproximou-se do namorado que, por sua vez, levantou-se, postando-se de pé, recebendo-a com um abraço e um beijo, dos quais ela tratou de se esquivar rapidamente. Sabia que algo não ia bem, ele nunca pedia que se encontrassem com tanto fervor se algo não estivesse fora do lugar.
A morena limitou-se a acomodar-se no banco, logo sendo imitada por ele. O rapaz iniciou o diálogo com uma voz tímida:
- Como você tá hoje, meu amor?
- Nada de surpreendentemente excêntrico, apenas bem.
Ele sorriu, divertia-se com o modo com que a moça encarava seu dia-a-dia. Antes que prosseguisse, ela adiantou-se:
- O que tem para me contar?
Thiago praticamente arrancou o sorriso do rosto, de vez em quando odiava o jeito dela de perceber suas intenções. Já que estavam ali, ele teria de lhe contar, por bem ou por mal, então, que fosse pelo menos mal e que fosse agora, antes de perder a coragem que acreditava ter.
- Beta, tem sido tão difícil essa sua ausência, pra mim.
- Thiago, você sabe a razão de tudo isso, não acho necessário justificativa alguma.
O garoto estampou uma expressão sizuda no rosto, encarando-a com certa impaciência, ela estava tão rude e ainda nem sabia do que tinha para lhe contar. Era melhor terminar logo com isso.
- Sim, eu sei. Sei que tem que ficar com sua mãe, sei que não quer descuidar dela por um segundo sequer, mas ainda assim, somos namorados.
- Olha, meu bem, eu sei que não tenho te dado a atenção que merece, me desculpe. Você não imagina o quanto eu gostaria de passar horas apenas com você, jogando conversa fora ou até mesmo ficando em silêncio. Mas o médico disse que o estado dela é perigosíssimo, quase terminal. E eu tenho tanto, mas tanto medo. Eu tenho a impressão de que se eu sair de perto dela, algo ruim vai acontecer. A propósito, não quero demorar muito aqui. Diga-me logo o que tens a dizer.
Thiago sentiu um aperto enorme no peito e um vazio preenchê-lo por completo. Lágrimas brotaram-lhe aos olhos, porém ele não as permitiu que caíssem, segurou-as e enfim iniciou o discurso que tinha planejado:
- Querida, ontem eu fui na festa do Paulo, aquela que você recusou. A Marcinha estava lá e eu acabei bebendo demais e, por fim eu...
- Pode parar - ela o interrompeu.
- Não, quero lhe contar até o fim.
Roberta simplesmente abaixou a cabeça, meneando-a. Esfregou uma mão nas outras, respirou de maneira extremamente profunda e ergueu a cabeça novamente, deixando o olhar fugir por alguns instantes, logo voltando-o ao rapaz à sua frente. Thiago, antes chamado por ela de "Thi", percebeu que a garota estava a ponto de chorar. O rapaz foi insolente a ponto de dizer:
- Mas, Beta, veja pelo lado bom: eu estou te contando antes que outros te contem, eu estou te contando!
Roberta esboçou um sorriso. Achou enorme graça no fato do garoto realmente achar que aquilo melhorava alguma coisa. Por um instante achou que ele estava brincando, mas no momento seguinte, entendeu que o coitado era realmente ingênuo a ponto de crer em tamanha bobagem. E pensar que um dia ela o havia considerado um dos mais sensíveis e respeitosos homens que já havia conhecido.
Ele aproximou-se, ensaiando um abraço, mas ela, obvia e rapidamente, repeliu-o.
- Me desculpa... - ele insistiu.
Ela balançou negativa e lentamente a cabeça mais uma vez, franziu o cenho de modo melancólico e deixou que duas ou três lágrima percorressem sua face, alcançando seu queixo e molhando suavemente seu sobretudo. Ela limitou-se a dizer:
- Agora é tarde, e nada justifica essa sua atitude. Espero que seja maduro o suficiente para aceitar sua perda. Se bem que, por outro lado, ganhou a Marcinha. Faça bom proveito. - e levantou-se, dando-lhe as costas e dirigindo-se ao hospital, ao quarto 103, o quarto de sua mãe.
Adentrou o quarto, beijou a testa da doente adormecida e largou o sobretudo na poltrona. Foi ao banheiro lavar as mãos e logo depois sentou-se ao parapeito da janela. Observava, alheia ao mundo lá de baixo, as pessoas passeando na calçada. O que a espantou foi que os olhos não estavam irrigados com aquela água chamada lágrima, o coração não bombardeava, nem nada do processo habitual que a mistura de frustração, desespero e desapontamento causava. Enfim entendeu porque nada daquilo havia acontecido: Roberta sabia que se ele havia feito aquilo com ela, não era digno de tê-la consigo. Se ele havia feito aquilo, ele não a mereceria nem em um zibilhão de anos.
Algumas semanas depois, a mãe da moça recuperou-se extraordinariamente, recebendo alta e podendo deixar o hospital. Claro, ainda tinha de tomar uma certa medicação, mas estava praticamente curada.
Roberta agradeceu a todos os deuses e santos aos quais tinha recorrido anteriormente, mas, principalmente, agradeceu ao fato de Thiago ter fodido com a vadia da Marcinha, afinal, aquele ato de bebedeira e tesão simultâneos havia lhe causado algo muito melhor: a cura de sua mãe.
Roberta, dali em diante, acreditou mais do que nunca que a natureza sempre mantém tudo em equilíbrio.

Natália Albertini.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Desperdício de pele.

Shiny Toy guns - Le Disko
<\embed> src="http://www.mp3tube.net/play.swf?id=2479334e9a96cbef0d673aa7f22ef672" quality="High" width="260" height="60" name="mp3tube" align="middle" allowScriptAccess="sameDomain" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" menu="false" Andava com a cabeça erguida e com os braços soltos, balançando como bem queriam. Os cabelos estavam presos à metade, deixando a parte de cima presa e a de baixo, solta e graciosamente encaracolada. O vestido acima dos joelhos, de alsas largas, de cor laranja e que permitia ao biquíni aparecer parcialmente, delineava-lhe o corpo de maneira atrativa. Os chinelos que calçava eram de um modelo diferente do usual e tinham a cor verde claro. Os brincos eram de tamanho mediano e o colar com um pingente de dragão enfeitava-lhe o colo.
Tinha um sorriso estampado no rosto e conversava alegremente com sua amiga, igualmente atrente e merecedora de atenção. Ambas estavam moderada e agradavelmente receptivas.
Ao chegarem ao local desejado, caminharam por algum tempo, ganhando alguns olhares famintos e palavras de pedestres da mesma calçada que beirava a praia. Decidiram retornar e sentarem-se em algum banco.
Sentaram-se, estabilizaram-se e mudaram de assunto. O assunto agora era os garotos que passavam em frente a elas. Alguns eram realmente desejáveis, outros, nem tanto e outros, bem... Outros não eram tão chamativos, por assim dizer.
Vários deles as olhavam apetitosos, mas não passavam disso: lobos famintos. Outros trocavam com elas algumas poucas palavras, mas não se aproximavam. Haviam ainda aqueles que eram mesmo atraídos e chegavam a sentarem-se mais á frente para discutirem se valia ou não a pena "trocar uma idéia", como diziam eles.
As garotas frustraram-se, uma vez que nenhum deles teve coragem ou falta de vergonha suficiente para contatá-las diretamente. Afinal, o que tinham elas de tão errado?
Elas não tinham o corpo visivelmente desagradável, do que eles normalmente não gostavam nem um pouco. Elas não tinham aquele ar de superioridade nem muito menos o de inferioridade. Elas tinham uma conversa envolvente e um rosto sinceramente bonito.
Passaram a falar sobre a razão de não serem abordadas uma vez sequer. Sabia que era tolice e futilidade, mas, afinal, era adolescente e, ainda por cima, mulher, logo, tinha dessas coisas de vez em quando.
Começou a achar que era espantadoramente horrenda. Não, não seria isso, senão, nem olhares daquele gênero ganhariam. Seriam olhares abismados ao invés de parcialmente interessados. Começou a achar que elas tinham cara de garotas fúteis e sem conteúdo. Não, não, disso jamais se convenceria, pois sabiam que não eram. Nem que lhes disessem isso, jamais acreditaria. Sabia que sempre haveria alguém infinitamente mais fútil.
Abandonou tais pensamentos quando uma súbita sensação tomou-lhe o corpo. A sensação que lhe disse que não queria alguém para se atracar pelo resto da noite. Não, não era isso que buscava agora. Queria apenas alguém que papeasse com elas sem segundas intenções que precisassem ser saciadas exatamente naquele momento. Queria alguém com uma conversa acolhedora e, se acontecesse algo mais, bem, aí seria um belo de um lucro...
Dois garotos se aproximaram delas. Eles não eram deuses gregos, mas pareciam ser bastante simpáticos. Resolveu prosseguir receptiva. Eles fingiram um sotaque e ela fingiu uma risada, fingindo-se entretida com a piada, bem como sua amiga.
Os dois pediram para sentarem-se e a partir daí não fizeram mais que rir com algum tipo de piada interna. Mais pareciam dois imbecis. Piadas internas são realmente boas, porém não quando se quer conhecer alguém novo e, se possível, conquistá-lo(a). Ela revirou os olhos, inventou alguma desculpa e esquivou-se dos dois, que prosseguiram sentados e rindo.
Ao afastar-se do local, chegou, juntamente a sua amiga, à conclusão de que os tontos eram eles e não elas que não eram atraentes. Chegaram à seguinte conclusão: os homens eram todos uns covardes e que ainda por cima não faziam uso do coração pulsante que tinham a mais que as mulheres.
Riram-se disto por alguns momentos e depois voltaram a alguma outra conversa que valia a pena, pois aqueles garotos que as olharam certamente não mereciam horas de comentários.

A gente finge que a garota não sou eu, tá?
Voltei do outro planeta.
Natália Albertini.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Vaaaaamos prometer,queridos!

 Boys like girls - The great escape
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Meu Deus,ano novo.Pelo amor de Deus,desse jeito parece que eu vou morrer sem ter aproveitado nada.De vez em quando passa pela minha cabeça que eu posso estar morta amanhã por causa dessas coisas do século XXI,sabem,não se tem mais idade pra morrer.Talvez seja só uma neura da minha síndrome do pânico ou um modo mais realista de enxergar as coisas,mas não é legal pensar nessas coisas.E essa é uma das minhas missões para o novo ano,parar de pensar nessas coisas ruins.Sim,eu sou realista,mas às vezes acabo sendo muito pessimista e isso me prejudica um pouco porque as pessoas não gostam muito de ficar perto de alguém assim,mas tudo bem,eu ainda tenho amigos.

Nesse ano eu vou ter que aprender a ser um novo eu,mas ao mesmo tempo não perder minha 'essência de Ana Paula' que está comigo desde que nasci e não,não está em forma líquida em um frasquinho de perfume porque nem mesmo é um,é uma coisa muito mais complexa.

Será que é tão difícil se renovar?Vou ter que deixar de ser pessimista;me preocupar muuuito menos com as coisas;deixar de me achar um E.T. ambulante;tentar não chorar por tudo que me dá vontade de chorar;deixar os otários nem tão otários chamados de Garotos para lá;e,principalmente,confiar no meu taco.

Como eu PRECISO confiar no meu taco.Sinto que se não começar com isso agora,será o fim da linha.Namorados não virão, morrerei virgem e de câncer aos 60,não vou escrever meu best-seller e nem ser jornalista, não vou conseguir meu bangalô de veraneio no Havaí nem meu apartamento de frente para o Central Park...E olha só estou sendo pessimista de novo.

Esse é o grande problema das promessas de ano novo.Você promete um monte de coisas e fica tão sobrecarregado que é humanamente impossível cumprir todas elas em um só ano.Aí você se lembra dela durante cinco dias e conforme o ano vai passando você vai esquecendo,esquecendo,esquecendo...E se bobear,quando chega no final do ano que era novo,nem se lembra do que prometeu no começo dele e começa a fazer outras promessas para o ano que virá e que seguirão o mesmo ciclo.

Mas quer saber?Prometa,prometa mesmo,sem medo da frustrãção final.Às vezes pode até dar certo!Afinal,é meio chato você seguir a vida sem uns objetivozinhos não tão radicais,parece que você vive em vão.Tudo isso também depende do seu estilo de vida,é lógico.Se você acha que deve seguir por aí sem lenço e sem documento,ótimo,faça-o!

Eu mesma já prometi para mim mesma que esse ano vou deixar de ser insegura em relação ao que eu escrevo.Eu penso em tantas coisas,mas na hora de escrever pareço um homem que tira a roupa da mulher e ela é uma baranga(e aí vocês sabem o que acontece com o pipi).Tenho que arriscar,se eu não escrever,nunca vou saber se ficará bom ou não.E não importa quantas vezes eu tenha que começar a mesma história ou o mesmo texto,ou quanto tempo demore para ficar pronto, eu só vou dar o primeiro passo.

O primeiro passo é a coisa mais importante,se não tem primeiro passo não tem porcaria alguma.

Uma coisa que é certa para mim eu sei: vou continuar vivendo as minhas fantasias,meus sonhos constantes que me fazem voar e às vezes me frustram por não serem reais(mas a sensação que eles causam vale por tudo);ter sonhos enquanto durmo e acordar tão encantada que quase nem ouvirei o que vão me dizer pelo menos até duas horas depois de acordar;seguir a determinação de fazer acontecer hoje pra que os meus maiores sonhos dêem certo no futuro;contar ar sílabas das músicas;gostar de Barbies porque elas são simplesmente Barbies;inventar histórias para cada música que eu escutar(na infância eu inventava é música pras cenas que eu via e pode parecer idiota,mas uma vez inventei para um lenço de pano);me maquiar como uma perua para ir até a esquina;morrer de medo de baratas a ponto de me isolar por causa de umazinha;cagar de medo de aviões,mas mesmo assim entrar neles e pensar que vou morrer com qualquer turbulência;virar madrugadas fazendo nada na internet;ler fanfics imbecis;fazer gracinhas e piadinhas que ninguém acha graça;fazer inúmeras caretas para o espelho(embora não achem saudável);fingir que sou vocalista de banda no meu quarto;cantar bem alto para a vizinha me elogiar no elevador;fingir que toco violão;cometer as maiores gafes e fingir que não aconteceram comigo;acordar com cabelo de mendiga;gostar de Harry Potter;fazer uma bagunça tremenda no meu quarto;dançar os clipes de black fingindo que sou a Beyoncé;comer bem devagar...

Porque essa é minha essência,essa sou eu de verdade.

Agora com licença,porque tem um fim de tarde perfeito me esperando numa praia deserta e vários garotos gatíssimos que eu vou beijar(minha mente está pensando que não vou pegar bonitão algum,vejam bem) e eu tenho que começar a cumprir minhas promessas,tipo tocar violão de verdade(isso eu já venho prometendo há dois anos),que eu vou fazer aulas de espanhol,francês e dança,não vou mais contar pra nenhum garoto que sou a fim dele(por enquanto estou me saindo bem),que eu vou sair da minha seca secular...


PepperAnn