segunda-feira, 21 de novembro de 2011

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Colo.

Ela deu dois pequenos passos pra trás e encaixou o corpo nas pernas meio abertas dele, em jeans.
Sua cintura encostou no torso dele, mais baixo, devido à altura de onde ele se sentava.
Eles se olharam e trocaram uma ou outra palavra.
Ela sentou-se em sua perna direita, de lado, cruzando as próprias pernas, com um dos braços passando por seu latente pescoço, revirando-lhe os cabelos de leve.
Ele enlaçou-a com ambos os braços. As mãos iam uma ao joelho mais alto dela e a outra, à coxa não tão coberta pela saia.
Ele falava com um amigo sentado ao lado.
Ela, ajeitada no corpo dele, olhou para frente e deixou-se encantar com as luzes multiplamente coloridas do espaço.
A música batia de leve em suas espáduas, e as mãos dele, em suas pernas.
Sorriu pelo clima da noite, satisfatoriamente ébrio.

Natália Albertini.

domingo, 6 de novembro de 2011

Antebraço.

Ele se escorava à porta do carro, de vidros escuros e intransponíveis, no banco couriáceo traseiro.
No meio de suas pernas abertas, as costas dela escoravam-se em seu peito desnudo.
A cabeça de cabelos longos pousava em seu ombro esquerdo. As mãos dela lhe beliscavam a perna e lhe puxavam os cabelos da nuca.
Ele tinha antebraços fortes e braços mais fortes ainda. Uma de suas mãos apertava o peito esquerdo dela, por baixo da camiseta.
Ela abriu os olhos por alguns instantes. Olhou o volume que a mão dele fazia sob a camiseta. Seus olhos continuaram a descer. Viu seu abdôme desnudo, com um antebraço dourado, de veias visíveis, com um pulso largo e pesado, adentrando-lhe a calça, pressionando-lhe mais abaixo.
Respirou fundo e fechou os olhos novamente.
Ele lhe sussurrou alguma indecência ao pé do ouvido.
Seu peito subiu.
O arrepio desceu.

Ps.: tava faltando uma baixaria aqui, né?
Natália Albertini.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Aterrisagem de emergência.

Respirei fundo.
Cerrei as pálpebras, certa de que um oceano me subiria aos olhos.
Errei.
Não subiu.
Inspirei mais uma vez e soltei o ar devagar.
A consciência de que toda a euforia das últimas semanas foi mera ilusão pesa sobre meus ombros.
Pode ser que amanhã eu acorde e me iluda novamente, pode ser que ache que estava louca hoje, assim como neste momento acho que ontem estava maluca.
Nesse pequeno e novo âmbito da minha vida, o qual me recuso a nomear, as tentativas têm sido em vão, tudo ainda me parece artificial e sempre sinto que o universo não me dá em troca com tanta paixão quanto eu.
É, e mais uma porta se fecha.
Dizem que deve-se tentar todas as portas, afinal, uma delas há de estar aberta.
E se eu não quiser isso?
Acho que por enquanto tenho a simples vontade de continuar nesse corredor imenso sem forçar qualquer maçaneta.
Detesto acima de tudo meus momentos de desilusão e aterrisagem no mundo real como este, mas me são naturais e intrínsecos.
De teimosa que sou, sigo desiludida, de cabeça erguida, olhando sempre à frente, nunca para trás.
De sagitariana intuitiva que sou, sigo com os ouvidos bem abertos. Nunca se sabe quando uma refutação pode surgir...

Ps.: when darkness turns to light, it ends tonight.
Natália Albertini.