sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Mendigos.

Ele era o que chamamos de mendigo. Um dos mais pobres.
Sentava numa mureta da esquina, com as roupas maltrapilhas e malcheirosas, rotas. Tinhas a muletas também apoiadas à mureta, enquanto descansava sua única perna.
Tinha uma toca à cabeça e cabelos muito ralhos e grisalhos.
A vida não lhe tinha sido leve.
Tinha o feito sujo, desgraçado e pobre. Muito pobre.
À sua frente, contudo, sentava um cachorro.
Um vira-lata, assim como ele mesmo. Com o pelo indefinido e até meio grisalho.
Se postou ali e ali ficou. Sentado, encarando o mendigo. Encarando. Encantado.
Sua admiração crescia e crescia, naqueles pequenos olhinhos cintilantes.
Era tão visível que arrancou do mendigo um grande sorriso.
O mendigo lhe estendeu a mão. Ele lhe estendeu a patinha direita em retorno.
Os dois ficaram se encarando, de mãos dadas, infinitamente.
Os dois seres mais ricos do mundo.