quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Cochilo de camarão.

O astro-rei se pondo, tingindo o céu de salmão alaranjado. As luzinhas voadoras se acendendo, naquele esplendor entômico.
A varanda cheia de folhinhas trazidas pela brisa. As lâmpadas ainda apagadas. As redes balançando suavemente com o vento.
O colchão jogado de qualquer forma num dos cantos, próximo a uma das redes, perto da porta da casa.
E em cima dele, sobre uma canga colorida, um ser humano.
O corpo à mostra, vestindo um simples biquíni vermelho, liso, ainda úmido. Os cabelos numa trança improvisada. As pernas cruzadas, as costas viradas para cima. A cabeça sobre os braços dobrados.
Um sutil movimento representava sua respiração.
As pálpebras, imóveis, projetavam as sereias e os elefantes oníricos. A mente completamente não sintonizada na garoa que começava a cair, molhando a grama.
Aquele véu de sono, se tornando quase que ciente do cheiro de camarão vindo da cozinha.

Natália Albertini.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Pobrezinho.

A chuva não cessava nem por um instante e o interior do carro começava a ficar quente demais.
- Eu quero tomar chuva - disse a garota, começando a abrir a porta do automóvel.
Ele a censurou, segurando-a pelo braço.
- Fica aqui dentro, é melhor - e aproveitou para treinar sua voz sedutora enquanto passava voluptuosamente a mão pelas coxas dela.
Ela sorriu maliciosamente, lambeu-lhe a orelha e, sem mais palavras, pulou para fora, sentindo a pesada chuva encharcar-lhe. Fechou a porta atrás de si e ficou a deleitar-se com a sensação das pernas sendo molhadas, os chinelos, os shorts e a regata colando-se à pele.
Ele saiu e deu a volta no Audi prata, alcançando-a.
- Você não é lá muito sensata, não? - abraçando-lhe pela cintura.
- Não - e sorriu.
- Só disse para ficar dentro porque está muito escuro aqui, dentro do carro parecia mais seguro. E agora molharemos os bancos ao voltar lá pra dentro - sorriu, disfarçando a dor em admitir que talvez danificasse os bancos do seu bebê. Simplesmente não parou pra pensar que talvez não voltariam para o carro.
Os corpos se entrelaçavam enquanto as línguas se enroscavam e os lábios colidiam. As mãs corriam de cima a baixo, por vezes se encontrando, por vezes se apoiando no carro.
Deixando a libido dominar seu amor pelo carro, o rapaz a sentou no capô, inclinando-a para trás e tornando as passadas de mão cada vez mais...baixas, por assim dizer.
Clique.
Ele se pôs ereto, com os olhos arregalados, procurando por algo atrás dele, olhando atento para a casa da esquina,cujo muro era coberto por trepadeiras.
- Ouviu isso?
Ela riu alto.
- Que foi? Tá aí todo aflito.
- Você ouviu isso?!
- Isso o quê? - e puxou-lhe para perto de novo pela gola da camisa, porém logo tendo o beijo rejeitado, o que lhe provocou uma careta de irritação - Porra!
Ele tapou-lhe a boca com a mão direita, enquanto colocou o indicador esquerdo à frente dos lábios, pedindo silêncio.
Clique.
- Isso! ISSO! NÃO OUVIU?!
Ela continuava inabalável, só ficando mais e mais irritada. Esquivou-se dele e se pôs de pé.
- Ouvi... É o som da insanidade. Certo?
Ele revirou os olhos para a impaciência dela e se afastou, olhando ao redor, procurando de onde vinha aquele barulho tão perturbador.
Depois de alguns minutos de silêncio e procura em vão, ele desistiu.
- Ah, ao inferno - e voltou a beijá-la, deixando-a satisfeita.
Surgiu então, ao lado direito do casal, uma voz súbita e macia:
- Me procurando, bonitão?
Os dois abriram os olhos e viraram os rostos, com os corpos ainda imovelmente entrelaçados, em direção à loira que se postava ali, de pé, sorrindo.
A expressão que tinham nos olhos era puro susto.
A moça de cabelos compridos e claros deu alguns passos, ficando atrás do rapaz, que ainda abraçava sua namorada-por-uma-noite. Passou os braços pela cintura dele e sussurou de maneira que ambos a ouvissem:
- Eu estava por ai, sem ter aonde ir, e aí me deparei com vocês - sua voz era incrivelmente melodiosa - Fiquei observando-os por certo tempo. Tenho de admitir que vocês dois são muito... calientes - seu riso soou, simultaneamente, inocente e atemorizante.
- O que você quer? - perguntou a menina, de fato curiosa sobre a resposta.
- Bem... Digamos que vocês me...despertaram. Eu estava pensando se... Eu não poderia participar da brincadeira de vocês?
Com a mão direita, ela acariciou a virilha dele e, com a esquerda, um dos seios dela, sorrindo prazerosamente.
Enquanto ela os seduzia, sorrindo convincentemente, uma voz masculina surgiu à esquerda:
- Não vai me apresentar seus novos amigos, Dimitra?
Novamente o susto. Os olhares se voltaram para a figura de cabelos escuros, à altura do maxilar, e de pele clara, ao lado.
- Ah - e aquele sorriso estonteante novamente - Andreas, estes são Magno e Belina.
O casal, que já sucumbia aos encantos da loira, sobressaltou-se ainda mais. A garota disse:
- Espera aí... Nós não te dissemos nossos nomes!
- Nem precisavam...
O homem, alto, postou-se atrás de Dimitra, enlaçando a todos com seus braços compridos.
A cena, de longe, parecia uma orgia sob a chuva que havia se tornado torrencial.
- Achei que tínhamos um acordo, D. Dividimos os lanches, certo?
Um sutil tom de receio pareceu passar pela voz da loira, mas logo desvaneceu-se:
- Ahn...sim. Eu só os estava aquecendo para você.
- Ah, que altruísta você - a risada dele assemelhou-se a um trovão.
- E então, o que acham da nossa proposta, meninos? Todos juntos. Nada mal, hein?
O casal entreolhou-se apavorado. Aquilo estava começando a ficar estranho em demasia. O rapaz começou:
- Olha, acho melhor irmos andando... Já é bem tarde... E somos meio...reservados.
- É... - entretanto, a menina não parecia muito convincente. Como estava de frente para todos os três outros, seu olhar se prendeu no homem recém-chegado. E ele era incrivelmente belo. A mulher também não era de se descartar...
Quando tentaram se esquivar daqueles dois pares de mãos que os tateavam com gula, foram repreendidos.
- Ora, essa, Magno. Não é lá tão tarde. E sua Belina ficou bem tentada com a nossa oferta... Por que não experimentar? E nós também somos muito reservados. Garanto-lhes que nosso pequeno jogo não sairá daqui.
Dimitra riu maleficamente.
Num piscar de olhos, eles se movimentaram, separando o casal.
Antes mesmo de entender o que havia acontecido, Magno viu-se preso entre a loira e o carro, e Belina, entre o homem e o Audi.
Os últimos a chegarem se entreolharam, abriram um sorriso de orelha a orelha e começaram a festinha particular deles.
A coruja ouviu os pescoços estralarem e os corpos caírem amolecidos sobre o capô que, infelizmente, passou do prata ao vinho em questão de instantes.

Minutos depois, após se esbaldarem de fluído vital humano, Dimitra rolou os corpos para o declive próximo que terminava no rio.
Quando voltou, Andreas a esperava, já sentado atrás do volante.
- Belo Audi este. E pensar que ele não tinha nem 20 anos. O pai deveria ser milionário...
- Sim... Mas da próxima vez me lembre de arrastá-los para o chão ao sugá-los. É uma pena estragar essa pintura.
- É vero... Pobre carro.

Ps.: é, A e D, pobre carro.
Natália Albertini.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Easy times.

Estava recostado à parede externa do barzinho, já que não era mais permitido fumar lá dentro.
Tinha o cabelo escuro cortado irregularmente meio bagunçado, a mão esquerda no bolso dos jeans e a direita segurando aquele pequeno palito vicioso. Seus olhos vagavam pela rua, vazios de sentimento, mas cheios do constante castanho.
A camisa listrada de amarelo e branco estava aberta até o quarto botão, deixando à mostra a camiseta lisa branca que vestia por baixo.
A música que vinha lá de dentro era contagiante, e ele podia mentalizar, ou quem sabe até mesmo ouvir, seus amigos entornando as canecas de cerveja e rindo alto.
O celular vibrou no bolso de trás da calça.
Colocou o cigarro na boca e deu uma tragada enquanto pegava o pequeno e moderno telefone protátil que tinha na tela o aviso de "1 nova mensagem de texto".
Apertou a tecla que indicava "ler". A mensagem era:

E aí gato? Q vai fazer amanhã? Sdds! Mi liga. Bjs!
*;

Fechou o celular e o colocou de volto no bolso, logo pegando com os dedos o cigarro novamente.
Que menina mais idiota... Eles haviam saído só uma vez, ela teve uma postura completamente receptiva, senão até agressiva. Se beijaram sem mais nem menos, transaram naquela noite mesmo. Ela nem se importou em voltar para casa de ônibus.
Que menina mais idiota...
Ele estava cansado delas. Cansado daquela atitude tão passiva, tão aberta, tão...fácil.
Ele queria alguém que o fizesse ter a vontade incontrolável de levá-la até em casa, que o despertasse fisicamente, mas que o fizesse lembrar que o respeito vem antes de qualquer atração.
Passou os olhos por algumas meninas que caminhavam ali.
Uma delas lhe chamou atenção. Até cogitou em falar com ela, mas ai a viu abaixar-se e vomitar a única coisa que tinha no corpo a noite toda: puro álcool.
Aquilo o repeliu, seus lábios desceram numa careta de asco.
Deu uma última tragada e jogou o cigarro ao chão, pisando em cima.
Voltando para a mesa com seus colegas, pensou que jamais encontraria alguém assim, isso não existia.

Mais tarde naquela noite, quando estava pagando a conta, avistou, ao longe, na pista de dança, uma garota um tanto quanto incomum.
Ela fixou os olhos nos dele por alguns segundos, mas nada mais.
E agora? O que fazer? Será ela só outra fácil? Ou será a mulher da minha vida?
Indecisão, frio na barriga.
Think fast, time's runing out.
Time's always runing out, slipping through your fingers.
Ah, melhor deixar pra lá... Afinal, o que é mais provável?

Ps.: nós e essa mania de nunca pensar no improvável.
Natália Albertini.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Mas se te pegam fazendo isso, menina...

Adentrou a papelaria alguns passos atrás de sua mãe.
Seus olhos foram atraídos pelas cores vibrantes de alguns post-its, clips e canetas. Se pudesse, viveria numa papelaria... E numa livraria também, claro.
Andando entre as prateleiras, à procura de uma pasta com elásticos, deparou-se com uma parte reservada aos dicionários.
Seu corpo parou ali instintivamente.
Eles eram tão pequenos e coloridos. Suas fontes eram tão bonitas. Suas páginas eram tão brancas. Eles eram tão gordinhos...
Ah, não resistiu.
Suas mãos, como que se movendo por vontade própria, alcançaram um deles.
Seus olhos checaram o local num ângulo próximo a trezentos e sessenta graus, para confirmar que não estava sendo vigiada.
E aí aconteceu, ela materializou aquele seu mais íntimo desejo, representante de um dos pequenos prazeres que mais a deleitavam.
Não podia se controlar... Ela finalmente aproximou o dicionário de seu rosto, posicionou os dedos sobre suas folhas e, ao folheá-las rapidamente,... Ah... Aí está.
Aquele cheiro inigualavelmente bom... Não... Extasiante de páginas novinhas.
Inspirou tão profundamente que pôde sentir seus pulmões se expandindo.
Seus lábios desenharam um tímido sorriso de canto, contido.
Enquanto devolvia o dicionário à prateleira, com tanta cautela quanto o havia pego, checou o local novamente. Aparentemente ninguém viu aquele seu ato.
Ouviu sua mãe chamando e a seguiu, com as narinas ainda acariciadas por aquele cheiro estonteante.

Ps.: e quando ouvia aquela música do Capital Inicial na qual ele cantava "e o que você faz quando ninguém te vê fazendo ou o que você queria fazer se ninguém pudesse te ver?", eu juro que me imaginava trancada num quarto me inebriando, praticamente me drogando de tanto cheirar livros novos... He-he. Cada louco com sua mania, né...
Natália Albertini.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

E se fosse?

O sofá estava apinhado. Os homens, todos uns brutamontes, amontoavam-se para assistir àquele finalzinho de tempo da partida de rugby. Todos ali, o mesmo grupo do ginásio e do colegial. O mesmo da faculdade. O mesmo de anos e mais anos.
Alguns torciam para o time de verde, os outros, para o de vermelho.
Apesar dos socos, gritos e movimentos bruscos, as canecas não derramavam nem um pouco de cerveja.
No sofá, que tinha lugar para apenas três, da esquerda para direita, estavam Roberto, Júlio, Dênis, Álvaro e Paolo, o dono da casa, sentado no braço do acolchoado.
Intervalo.
Depois de alguns suspiros, goles e pigarreadas, Álvaro deu início à pior parte daqueles encontros:
- E aí, Beto, como é que o tá o Renanzinho?
Os outros inspiraram fundo e tentaram transmitir calma e força ao amigo.
- Ele tá... desanimado. A Thalissa também, é claro... É tudo tão...difícil. Esse câncer nos deixa apavorados, sabem? Nós não sabemos até quando...até quando... - cerrou os dentes e se concentrou para terminar a frase - até quando o teremos...
Os amigos respiraram fundo novamente. Júlio, que estava a seu lado, deu-lhe um tapa no ombro, passando, naquele simples contato, todo o apoio e, quem sabe, os adiantados pêsames do grupo.
- É, Beto - emendou Dênis - não estou passando exatamente por isso, mas eu sei o quanto essas doenças assustam. A mãe da Lorena morreu de câncer...
Ainda que meio tímido, Paolo perguntou:
- E a Lorena, Dênis?
Os olhares se voltaram para ele desta vez.
- Ela está estável. Mas de vez em quando dá de rejeitar os remédios, ai as crises voltam...
Roberto disse:
- Câncer é difícil, mas ao menos a pessoa meio que está conosco o tempo todo... Esquizofrenia deve ser... - não conseguiu completar.
- E é - Dênis terminou, fechando os olhos por um momento e pondo um fim naquele assunto tão difícil.
Júlio direcionou-se ao mais alto dos cinco:
- Como estão seus pais, Álvaro?
Demorou um pouco a responder, mas prosseguiu:
- Estão...inconsoláveis - sorriu para disfarçar as lágrimas que lhe subia aos olhos - Eu sei que eles me amam muito, mas não tenho problema algum em admitir que a Geovannela era a paixão deles. Depois de terem visto as fotos para reconhecimento... Cara, eles ficaram...em choque. Vocês não fazem ideia do que o filho da puta fez com a minha irmã... - trincou o maxilar - Ele lhe arrancou toda a pele com ela consciente... Vocês têm noção do que é isso? - a voz falhou.
Algumas manifestações de pesares.
Dênis perguntou ao mais novo de todos:
- Júlio, e a Carlinha?
- Bem, ela não fala comigo... Mas ainda assim a Irene insiste em dizer que ela está indo bem. Vocês tem alguma ideia do motivo pelo qual ela não se aproxima de mim?
Os homenzarrões negaram, esperando o pior.
- Outro dia mesmo... Ela disse assim, na minha cara, que eu sou exatamente igual ao filho da puta que a sequestrou! - ele meneou a cabeça - A psicóloga diz que é só uma saída mais fácil, que a mente dela tenta pôr a culpa em alguém pra facilitar, e que é passageira... Mas vocês não imaginam como foi horrível ver nos olhos da minha filha todo aquele...medo! É! MEDO! De. Mim.
Suspiros.
Álvaro perguntou ao anfitrião, dando-lhe um amigável tapinha na perna:
- E por aqui, Paolo, como estão as coisas?
Ele inspirou e expirou antes de começar a falar.
- Na verdade, não sei. Eu sinto que a Andreia tá comigo só por pena... Ela me olha...diferente. Não consigo me aproximar, física E emocionalmente, dela faz uns bons meses.
- E o médico, que diz? - um deles indagou.
- O de sempre. Para não parar com o coquetel. Mas tenho minhas sérias dúvidas sobre isso... Talvez se eu par... - interrompeu-se, achando-se ao mesmo tempo covarde e corajoso demais.
- Nem pense nisso - outro soltou.
E numa cena quase que comitrágica, os cinco ficaram por alguns segundos quase na mesma posição: mãos apoiadas nos joelhos, canecas de cerveja encostada no peito e olhos fixados no chão.
Cada um preso em seu próprio problema e, ao mesmo tempo, nos dos outros.
Pensando em quanto queriam que a vida fosse tão fácil e colorida como era a uns bons anos atrás, que os cabelos parassem de cair, que as juntas não doessem, que a vida não fosse tão dura.
Pensando em quanto valia aquela amizade.
O jogo voltou.
Entretanto, as reflexões foram tão profundas que demoraram uns bons três minutos para ligarem-se de novo na partida.
Recorde.
Da última vez não demoraram nem dois minutos.
E assim o jogo continuava. Homens se batendo, brigando por uma única bola. A arquibancada indo à loucura. Eles apostando ali no sofá, como se fosse o último dia na Terra.
Na verdade, nunca pararam pra pensar... e se fosse?

Natália Albertini.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Party everyday. Pa-pa-pa-party everyday!

As estrelas tinham desaparecido há muito, mas o céu ainda tinha certo brilho.
Camila olhou para cima e viu os prateados pontos, que mais pareciam segmentos de reta, caindo, umedecendo seu rosto e seus cabelos, bem como as vestes.
As pernas estavam frescas, mergulhadas na água, enquanto os braços, apoiados atrás do corpo, sentado na borda da piscina, estavam levemente sendo aguados pela chuva.
A música continuava alta lá atrás, os corpos dentro da piscina continuavam se movimentando de acordo com o ritmo, as luzes coloridas continuavam rondando o ambiente e ela continuava com um sorriso de canto.
Um par de pés se aproximou, experimentou a água, mergulhou nela.
Ao seu lado se sentou Vinicius. Ele a olhou, ofereceu-lhe um copo de conteúdo colorido, e, quando ela rejeito, simpaticamente, ele mesmo tomou um gole da bebida.
- Não quis entrar? - a voz dele era melódica, embora por vezes desafinada.
- Por que entraria?
- Ah, sei lá... A chuva... Quase todas as meninas entraram.
- Ah...por isso? Não, eu adoro a chuva. E não me preocupo tanto com o cabelo - riu de leve, e ele a acompanhou.
- Puta festa, hein?
- Sim... bela festa.
- Acho que é disso que mais vou me lembrar mais tarde.
- Mais tarde? Daqui umas duas horas, diria?
Ele riu, apreciou seu senso de humor.
- Ah, você me entendeu.
- Claro... Foi só uma piada infame. Vou me lembrar bem disso também.
Ela o olhou, sentindo o que estava por vir. Mas antes de permiti-lo beijá-la, olhou ao redor, apreciando a piscina em movimento, a chuva molhando as cadeiras tombadas, os copos espalhados ao chão, lá dentro, as meninas só de biquíni dançando sobre as mesas, e os meninos abobalhados.
Abriu ainda mais o sorriso, dando-se conta de quão babaca e...adolescente era aquilo tudo, mas ao mesmo tempo, de como a entretia, e de como jamais abriria mão daquelas comemorações com seus amigos.
Ele por fim tentou um movimento e ela, como estava com os reflexos mais lentos que o normal, deixou-se levar.
Não se arrependeria mais tarde, não acordaria machucada.
Isso é, exceto seu fígado...

Ps.: saudades das nossas festas.
Natália Albertini.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Quebra-mar.

Murmúrios, conversas e risadas de todos os lados.
Pequenas pedrinhas me irritando a parte debaixo das pernas, acomodadas sobre a mureta.
O barulho do mar quebrando, tranquilo e sereno, nas pedras ali embaixo.
Mais palavras e sorrisos de todos os lados, mas aqui por dentro, calmaria.
Meia-noite, fogos, muitos feliz-ano-novo, abraços e beijos.
Individualidade para apreciar os fogos, bebericando um pouco de champagne, apesar desta ser unicamente amarga.
Pois é. 2010. 17 anos. Faculdade. Ex-amigos.
Ex-amigos? Não, calma, não é o fim do mundo.
Ah, é...certo...é só um novo ano.
Só?
Puta que pariu, é um ano novinho em folha.
Mas...engraçado...fiquei uma hora aqui, em silêncio, observando os outros e esperando os fogos, e nenhum balanço de 2009 me passou pela cabeça.
Saco, essas pedrinhas estão realmente me enchendo o saco.
Pois é... Acho que esse é o ano.
Entretanto, nada de butterflies on my stomach, nada de spinning head. Estranho. Isso significa maturidade?
Risada contida.
Claro que não, idiota, é só sua estúpida insensibilidade taking over again.
Ou seria só que...sei lá...ainda não caiu a ficha?
I was told that seria o pior ano novo da minha vida, que minha vida passaria diante dos meus olhos, que eu choraria até a barriga doer, até a garganta ficar irritada (assim como minhas pernas estão agora com essa mureta infernal), que eu lembraria de todos os meus amigos e lamentaria por não ter festejado mais, por não ter me despedido corretamente and stuff like that. E, contudo, cá estou, passando outro ano novo na praia, sem grandes epifanias e ainda...viva.
Será que é só a insensibilidade AGAIN?
Puta que pariu...it sucks, se for, really.
Ou será que seria bom pensar que eu sou a pessoa mais sortuda do mundo e que eu, tipo assim, GANHEI NA LOTERIA?
Isso é, que eu vou, sim, fazer USP, vai ser mara, vou ter todos os benefícios de faculdade e, ainda assim, manter todo o meu glamour (?!) de colegial?
Não, né...cada pergunta...
Mas e se for melhor pensar assim?
E se pensar assim afaste toda a possível dor ou incômodo?
É...pode ser uma boa.
Por enquanto, acho bom apostar nisso, quem sabe...
Chega, não aguento mais flagelar minhas pernas aqui.
Levanto-me.
Pulamos as sete ondas, tomamos um pouco de chuva e aí, passar umas boas seis horas com uns amigos (de colégio).
Nada melhor.

Ps.: E-C-A. Que nojo... Mas precisava me livrar disso o quanto antes. Tá meio difícil escrever ultimamente. Tenho ócio demais na cabeça. Tô numa época de sentir muita coisa. Muita gente diz que tem dificuldade em se expressar, em lidar com palavras. Pra mim, isso ocorre au reverse. As palavras me infestam, me intoxicam. Recentemente tenho feito alguns exercícios em relação a isso. Tento só sentir, tento me desligar das palavras que descrevem aquilo. Embora ache uma puta sacanagem com todo o meu esforço literário e me ache uma puta traíra, por vezes é bom, faz bem. Não sei se deu pra entender, mas enfim... Só quero dizer que acho que meus posts vão ficar bem mais escassos, embora me doa MUITO dizer isso. Mas nada permanente ou irreversível, não se preocupem (leitores inexistentes). Enfim... E aí, qual a boa de hoje?
Ps2.: parabéns aos meus pais pelo aniversário de casamento. (:
Natália Albertini.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Preciso lhes dizer que, é, estou em GRANDE dívida.
Sei que não escrevo nada descente há semanas, meses, anos, sei lá.
É que tudo tem estado tão corrido... Só agora posso dizer que... F-É-R-I-A-S! *-*
Desculpem-me não ter escrito nada sobre o Ano Novo, mas ainda vou, acho.
Tenho ideia pra uns dois textos que podem (ou não) sair bons.
Começa agora uma nova fase da minha vida e...puta...que felicidade e que medo ao mesmo tempo.
Nostalgia?
Talvez... Mas parece que as amizades foram tão firmes, que não tenho tanto medo de perdê-las. Reconquistei duas, e isso me deixou mais segura.
Por enquanto é só ÓCIO-ÓCIO-ÓCIO-ÓCIO-ÓCIO-ÓCIO! Hehehehe.
E agoniando enquanto espero o resultado da santa fuvest, né? x.x'
Enfim, tô lendo The Bone Collector, do Jeffery Deaver, e O Lustre, da Clarice (aaawn ><").
Vou pra praia amanhã de novo e volto sóóó semana que vem.
Qualquer coisa me liguem.
Quando voltar, escrevo algo por aqui, tá bem?
Cuidem-se!
FELIZ 2010!

Beijosmil!