terça-feira, 9 de abril de 2013

A Ponte.

Saiu do trem com a pressa e o cuidado habituais, segurando a bolsa com uma mão e a protegendo com outra.
Passou as catracas segurando o vestido para que não levantasse e pegou a ponte que levava para o parque.
Já passavam das dez. O caminho era escuro e sua única companhia era sua sombra trêmula e algumas cigarras.
A ponte devia ter cerca de 1km, mas ela estava acostumada com sua extensão.
A estação de trem ia ficando cada vez mais pra trás.
Seus passos no chão acimentado eram ásperos e solitários.
A bolsa parecia pesar mais agora, mas com certeza era só o peso de um longo dia de trabalho.
O vento uivou mais forte e uma lâmpada a seu lado, no gramado da beira da ponte estourou, sobressaltando-a.
Ela deu um leve pulo para a esquerda e sentiu o coração pular uma batida.
Se concentrou e voltou a andar. Ainda deviam faltar uns bons 700m.
Ela só queria chegar em casa. Seus pés a estavam matando, só queria um bom banho e sua...
Schps.
Um silvo.
Ela não parou de andar, mas olhou para trás.
No começo da ponte, na boca da estação, um homem de trajes escuros saiu. O barulho era apenas a sola de seu sapato so ial raspando no cimento.
Ele não era muito suspeito, mas ela inconscientemente apertou o passo e fixou a visão no posto policial que ficava quase no final da ponte.
SCHPS.
O barulho pareceu mais próximo, mas com certeza era apenas sua imaginação cansada.
Ela só precisava de uma boa noite de...
- Cama? - uma voz aveludada e grave sussurrou ao pé de seu ouvido.
Ela se arrepiou inteira e, com um gritinho de susto, saltou para longe da figura que agora estava a seu lado.
Arregalou os olhos e assim que abriu a boca para dar um bom grito de socorro, uma língua quente e dentes afiados invadiram sua garganta e arrancaram bons nacos de língua e gordas gotas de sangue.
Pálida. Ela ficou mais pálida que a lua.
Largou a bolsa no chão e, numa rajada de adrenalina, correu o mais rápido que pôde para alcançar o posto policial, onde um grande policial cochilava sobre sua mesa.
Os sons que ela emitiam não passavam de urros guturais.
Foi parada repentinamente quando topou com o homem de feições sobrenaturais mais uma vez.
- Vamos, boneca - ele disse num sorriso - Não estou a fim de brincar.
Atônita, ela o golpeou algumas vezes, para só então perceber que os murros em nada o afetavam.
Seus olhos não poderiam estar maiores e sua mente não podia estar mais desesperada e vazia. Que porra era aquela?!
Num movimento quase invisível, a criatura a golpeou na barriga e a fez gemer alto.
Com um imenso sorriso de satisfação, então, a segurou pelos cabelos e a içou para cima, obrigando-a a ficar de pé.
Seu pescoço pulsava vívida e pesadamente.
Ele sentiu aquele calor delicioso e usual abaixo do estômago.
Abriu a mandíbula num ângulo desumano e fincou os pontiagudos dentes na carne tão saborosa, sugando aquele visco grosso, vermelho e quente.
Fê-lo fluir todo por sua garganta, alcançando o êxtase em poucos segundos.
Quando terminou, limpou a boca com o antebraço e sumiu na escuridão.

O policial se agitou em seu sono, mas logo voltou à tranquilidade usual.

A saia dela levantou com o vento mais forte, afinal, sem uma mão protetora.