sexta-feira, 26 de junho de 2009

3S2 é campeão! Vou pra Socorro e vocês, não!

Ainda estou em estado de choque.
E sem pernas, sem voz, sem água salgada, sem cabeça etc. Hehe.
Valeu por tudo, gente.
E na próxima eu posto algo bem reflexivo, daqueles beeeem chatinhos de se ler.

Beijo a todos.

Natália Albertini.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Interrogação

E por vezes me pergunto se eu realmente deveria me perguntar.
E por vezes me pergunto se eu realmente deveria me preocupar.
E por vezes me pergunto se eu realmente deveria me importar.
E por vezes, acabo fingindo preocupação só para ver como me sinto.
E sempre continuo não sentindo nada.
Por vezes, até menos feliz do que se não tivesse me importado.
Portanto, não paro pra me perguntar certas coisas...
E por vezes me pergunto porque as pessoas se preocupam tanto assim...

(?!)

Natália Albertini.
Ps.: zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz...

domingo, 21 de junho de 2009

The Wall.

O cenário era composto somente por algumas árvores balançando de leve com a brisa suave da madrugada que aliviava em parte aquele calor quase insuportável e um muro que separava os dois extensos terrenos vizinhos.
A moça estava sentada, tinha uma perna de cada lado do muro, como se quisesse ter ambos os lados como chão firme. A mão esquerda se encontrava apoiada atrás do corpo, servindo de apoio para as costas inclinadas. O cabelo estava preso numa trança de raiz já bagunçada, uma vez que havia sido feita havia umas boas horas. O corpo estava meio á mostra, coberto somente por um shorts jeans e um top vermelho, além de um par de chinelos pendurados nos pés. O rosto estava fixo no rapaz à sua frente.
Ele, por sua vez, estava sentado de costas para o próprio terreno, que ficava à esquerda dela, como se negasse a condição de morar ali, como se só quisesse enxergar o lado dela. Estava sem camisa, como sempre, deixando visível a tatuagem do braço direito. Segurava numa das mãos uma garrafa da cerveja alemã que mais gostavam, bem como ela o fazia. O semblante dele estava travado em feições sérias e distantes, com os olhos fixos num ponto qualquer do gramado, embora refletissem uma mente que estava a milhas e milhas dali.
O silêncio atual agradava aos dois. Entretanto, após dar um grande gole na bebida de cevada, ela retomou a conversa que havia-lhes ocupado a noite toda e parte da manhã:
- Fazia tempo que não ficávamos até as duas e meia aqui fora, conversando - e sorriu de canto, num misto de satisfação e nostalgia.
- É... - ele respondeu automaticamente.
- Onde você está?
O rapaz sorriu e arfou de leve, distraído com a sinceridade na pergunta dela, e enfim voltou-se para encará-la:
- Voltei.
- Mas onde estava?
- Na minha ausência. E ai, pra variar, você leu minha mente e começou a falar sobre isso...
- Ah...- de novo o sorriso assimétrico.
- Você me amedronta.
Ela meneou muito levemente a cabeça, entretida com aquele comentário que ele reforçou com:
- Eu falo sério.
- O pior de tudo é que eu sei disso. E sei que não faz sentido.
Foi então a vez dele de entornar a garrafa e beber quase todo o líquido amarelado, refrescando a garganta e o peito, facilitando o diálogo:
- Você me faz rir. Muito. O que não é muito comum...
- E por isso eu te assusto?
- Também...
- E que mais?
- Eu consigo conversar com você. Contar até o que eu acho que não deveria contar...
- Mas você confia em mim, não?
- Como não confiaria? - e, com a cabeça, indicou o percurso de uma casa a outra, apontando a distância entre as duas moradias.
"Ótimo, então você só confia em mim porque estou longe o suficiente para tanto...", pensou a moça, mas se recusou a falar em voz alta. Poderia lhe ferir os sentimentos, deixou de lado, era boa em irrelevar fatos e palavras. Contudo, seu sorriso fugiu de seu rosto, deixando espaço apenas para um olhar vago que fingia observar as estrelas.
- Eu deveria ir dormir agora, antes de colocar todas as cinco cervejas pra fora.
- Eu disse que deveria ter comido - ela respondeu, num tom quase que maternal.
Não obteve reação, simplesmente sentiu um pequeno vento quando ele se voltou para sua própria casa e desceu do muro, se colocando de pé. Ela continuou com o olhar no céu, sem dirigi-lo ao rapaz que estava agora ao seu lado.
- Eu também devo entrar e...- e foi interrompida.
Foi surpreendida por um toque tão suave e inesperado dos lábios dele no ombro esquerdo dela que a fez arrepiar-se. Olhou-o, e por um momento seus olhares se prenderam, tornando aquilo bem mais interessante que qualquer estrela do céu.
Não foi necessário que ninguém sorrisse, suspirasse ou proferisse qualquer palavra mais; o olhar foi simultaneamente o boa-noite, o bom-dia e o muito-obrigado de ambas as partes.
Ela desceu e se pôs de pé do seu lado do gramado, sem perder o contato. Ao mesmo tempo, terminaram a cerveja e bateram as garrafas no muro, quebrando-as, repetindo o ritual de fim de noite e início de manhã que faziam sempre que se encontravam ali. Não sabiam porque, simplesmente tinham aquele impulso louco, como se os pequenos e tão perigosos cacos de vidro despedaçados representassem eles próprios, cada vez se fragmentando mais e mais. Todavia, de maneira estranha e até meio surreal, os pedaços de garrafa pareciam não ter se quebrado direito agora. Os dois suspiraram, inconscientemente desejando que da próxima vez a garrafa não se quebrasse, se mantivesse inteira por completo.
E assim cada um voltou para sua casa, de costas um para o outro, mas com a boca da garrafa quebrada na mão. Ela faria boa companhia para todas as outras ao lado das camas de seus donos.

Natália Albertini.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Veia vem, artéria vai.

Se eu pudesse e fosse suficientemente covarde, juro que enfiava meu braço inteiro garganta abaixo e agarrava esse pequeno pedaço de mim que não desiste de tropeçar. Eu o retiraria, coberto de viscosidades, e o encararia com o maior prazer do mundo. Porque, se estivesse no externo, não tomaria mais controle de mim.
Colocaria-o sobre a tábua de carne, pegaria o maior facão da minha primeira gaveta e enfiaria o instrumento no pequeno, ainda pulsante, tantas vezes quantas necessárias para me satisfazer.
E só depois de perceber toda e cada minúscula parte sua dilacerada e melecada de visco, veias e artérias, eu me daria por contente. Só enfim eu poderia sorrir aquele meu sorriso mais canalha, feliz de ter minha mente em pleno controle de tudo.
Mas como já disse, ainda me resta alguma coragem...Afinal, não pode não ter utilidade alguma, deve servir pra alguma coisa boa em algum momento da vida esse tal de bombeador de sangue... Vai entender...
Quem sabe num dia desses ele não acaba caindo e quebrando a cara de tanto tropeçar?

Natália Albertini.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Quebra de Rotina.

Abaixo de seu corpo deitado com as costas para cima, os lençóis estavam completamente desarrumados. Tinha os braços cruzados, servindo de apoio ao pescoço que, por sua vez, pendia para fora da cama, deixando a cabeça caída. Os cachos caíam de maneira bagunçada, descobrindo sua nuca.
A única peça de roupa que vestia era o par de calças jeans, bem arrumado em comparação ao bolo de roupas amassadas ao lado.
Ao som de alguma música de idioma estrangeiro com batidas vibrantes, fixou os olhos no cômodo à diagonal direita, onde encontravam-se três pessoas. Eles conversaram e aparentemente se movimentaram muito, mas a cena que pareceu ser congelada foi a de um rapaz de pé e um casal abraçado na cama. Os três apontavam para ela, rindo. Neste instante, suas íris acinzentadas naquela noite se iluminaram, e um sorriso despontou em seu rosto.
Não se sentiu mal por estarem rindo dela, nem deveria. Sorriu não para acompanhá-los, sorriu para eles, para ela mesma. Pensou em quanto aquilo significaria dali a alguns anos, em quanto gostava daquelas três pessoas tão peculiares e únicas. Em como gostava de compartilhar shows do Iron Maiden, planos diabólicos para assustar os outros e quase todos os pensamentos por telepatia, sem contar os cachinhos quase iguais. Em como gostava de cada um pelo que eram, e dos três juntos pelo que formavam. Em como ficava feliz de tê-los por perto para tirá-la da rotina que tanto a enlouquecia.
Depois de dois ou três segundos vislumbrando isso, deu-se por conta que estava realmente numa posição estranha e merecedora de risos. Com a cabeça pendendo para fora da cama e as costas completamente nuas, não merecia muito respeito naquela hora, mesmo. Sorriu novamente, mas debochando de si mesma desta vez, e levantou, começando a procurar a última peça de roupa que havia tirado, e podia jurar que fez isso com as luzes apagadas.

Ps.: vocês sabem que é pra vocês. Só quero agradecê-los por isso e por tudo o mais, principalmente por serem vocês e por me deixarem ser junto. Sinceramente...sem limites, galera. He-he.
Natália Albertini.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Gotas.

A mochila pendurada nos ombros já incomodava, bem como o excesso de roupa, o pequeno espaço que o bolso oferecia às mãos e os pés começando a sentirem-se encharcados. Atravessou a rua e começou a andar em direção a um pequeno toldo duma padaria, debaixo do qual esperaria a chuva tornar-se menos intensa.
Quase chegando no destino, arregaçou todas as mangas que lhe cobriam o braço esquerdo para checar as horas. Mas além da constatação do horário, pôde sentir o contato da chuva com sua pele. Sentiu as pequenas gotas geladas batendo de leve em sua derme, cutucando, escorrendo, escorregando. Aquele contato fez todo seu corpo, embora coberto por sabe-se lá quantas blusas, inclusive sua nuca, onde os cabelos molhados se grudavam, estremecer, arrepiar.
Com agilidade, tirou a mochila das costas e a jogou ao chão. Começou a se despir, tirando a primeira, a segunda, a terceira e a quarta blusa, permanecendo somente com a regata azul que tinha por baixo de todas. Atirou longe os tênis e o par de meia, e ficou ali, só de jeans e regata, com os braços pendendo ao lado do corpo, com as pálpebras cerradas, sentindo a água tocar-lhe.
Deixou os cabelos se encharcarem, bem como o resto da roupa e de si própria. Esperava que a chuva não fosse somente água, mas sim sapos ou borboletas caindo do céu. Metamorfoses em si mesmos, aqueles pingos.
De tão intensa foi a precipitação interna, o frio exterior não mais se fazia presente. Muito pelo contrário, seu corpo parecia até sentir certa sensação de calor.
Passados alguns instantes, conseguiu fixar os olhos, anteriormente voltados para seu interior, no céu cinzento acima de sua cabeça. Viu os pingos pingando suas pontinhas, vindos de cima, daquele azul acinzentado. Viu que a mudança vinha de cima.
As gotas de chuva, naquele momento tão parecidas com girinos e ímagos, tocando suas maçãs do rosto, passaram então a se misturar com a chuva que seus próprios olhos externavam na esperança que, partindo do topo de seu corpo, de cima, pudessem lavar tudo o que viesse abaixo, transformando-o.
Não lembra de quanto tempo ficou ali na realidade. Só que a água de cima, tanto quanto a sua própria, a fizeram tão bem que criou asas coloridas e passou a coachar.
Pouco antes de esticar a comprida língua para fora e pegar uma das gotas como se fosse uma mosca, abriu os olhos e percebeu-se descoberta, suando frio e tremendo. Tentou juntar forças para gritar, mas não as conseguiu.
Simplesmente cerrou novamente as pálpebras e enrolou-se como num casulo, esperando a febre ser levada junto com a chuva surreal.
Trevas.

Natália Albertini.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Lis no peito, flor de lis.

[...]
"- Em que medida o trabalho de Clarice Lispector, no caso específico de 'Mineirinho', pode alterar a ordem das coisas?
- Não altera em nada. Não altera em nada. Eu escrevo sem esperança que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada.
- Então por que continuar escrevendo, Clarice?
- E eu sei? Porque no fundo a gente não tá querendo alterar as coisas, a gente tá querendo desabrochar de um modo ou de outro, né?"
[...]

Entrevista concedida por Clarice Lispector ao jornalista Junio Lerner em 1977, na época de publicação do seu último romance, A Hora da Estrela.

Desculpa, simplesmente não sei explicar isso que tá percorrendo meu corpo inteiro agora. Nunca tinha sentido nada nem de longe assim. Acho que é a mesma sensação que uma criança tem ao decidir que o Homem-Aranha é seu ídolo. A minha decisão só foi um pouco tardia, mas quem sabe não mais duradoura?
Nunca tinha me identificado com alguém assim, de tremer e arrepiar ao ouvi-lo falando. De sentir a pele vibrando a palavra "destino". Tá, completamente piegas, mas...ah, deixa, desisto...não sei explicar mesmo.
Só um detalhe: a data mais provável de seu nascimento é dia 10 de dezembro, meu aniversário. ¬¬'

Natália Albertini.

domingo, 7 de junho de 2009

Auto-orelha e contra-ajuda

Pois lá estava esta obra quase esculpida na editora, quando alguém se apercebeu: falta a orelha! E agora?, pensei. De silicone é moda, mas o órgão, no caso, não comporta. Pedir uma para um colega mais graduado, tudo bem, só que aí o livro corre o risco de sair, como tantos outros, com mais orelha que cérebro.
Não é fácil uma orelha. Não faltou nem um engraçadinho sugerindo pedir uma ao nosso escritor mais famoso, sob a torpe alegação de que ele é mago mesmo e tem por sobrenome um bicho com orelha de sobra. Das ilações com Van Gogh, justo o meu pintor do coração, nem é bom falar.
(...)

Carlos Moraes, orelha do livro Como ser feliz sem dar certo - e outras histórias de salvação pela bobagem.

Ps.: sim, morri de rir com isso hoje no meio da prova, beijos.
Natália Albertini.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A HUNDRED, GUYS!

Ia postar uma ceninha, mas só de ver que o post de ontem foi o de número 100, resolvi falar só isso! xD
Aaah, que emoção!
100 desabafos meus já. Nem parece, né?
A todos (ainda que poucos) que leem isto aqui, meu muitíssimo obrigada. Vocês são mais do que fundamentais para minha escrita, embora ás vezes não se deem conta disso.
Obrigada mesmo e voltem sempre.
Um grande beijo a todos.

Natália Albertini.

terça-feira, 2 de junho de 2009

D.R. (Discussão de relação)

- Não, você não entende...
- Claro que entendo! Você está simplesmente dizendo que pra você é pior do que pra mim.
- Não, estou tentando ser compreensiva...
- Não tá, não! Eu sei que é só mais um daqueles seus joguinhos psicológicos!
- Tá! Tudo bem! Você que ganhou! O que você quer ouvir, meu Deus?! Que eu discordo de você? Que eu acho que pra mim dói bem mais?
- Não, porque você sabe que é pior pra mim. Muito pior...
- Ah, por que você não vai se ferrar, hein? Que coisa mais idiota...
- Não, não é. Você sabe o que significa a palavra dor?!
- S... - ela começou, mas foi logo interrompida por um jato de palavras saídas da boca dele.
- Claro que não sabe! Você nunca, nunca, nunca - e enfatizou esta última - vai sentir o que eu sinto quando me machucam!
- Felizmente... - ela falou para si mesma, mas ele acabou por ouvir e se ofender ainda mais.
- Como você é insensível!
- Tá vendo? É por isso que você sofre mais! Porque você se deixa tomar pela dor muito mais facilmente que eu. Como acha que eu aguentaria a minha dor, é, aquela mesmo, aquela que você nunca, nunca, nunca vai sentir, se fosse sensível como você?
- Não tem nada a ver...
- Claro que tem! Ou você acha que é uma questão física?
- Claro que é!

Apertei os olhos e apurei os ouvidos. Como ele podia achar que um término de namoro era uma dor física? E que máximo, ela estava quase que perfeitamente despreocupada com os sentimentos dele. Foquei mais ainda meus sentidos na briga do casal sentado na mesa à frente, até parei de comer por alguns instantes, realmente me interessei pela discussão que havia pego já começada. Eles continuaram.

- Por Deus...só você, mesmo.
- Não! Não sou só eu! Todos os outros homens do mundo se sentem exatamente assim quando vocês, mulheres, fazem isso.
- Isso o quê?!
- Isso! Desprezam a nossa dor!
- Não estou desprezando. Só acho que não há motivo nenhum pra discutir o que todo mundo sabe!
- E o que todo mundo sabe?
- Que a dor de uma cesária é bem maior que a dor de um chute no saco. Só que nós, mulheres, conseguimos aguentar a dor bem melhor que vocês, meros homens.
- Ainda acho que pra nós dói bem mais!
A garota simplesmente se levantou, bem como ele tinha feito ao proferir suas últimas palavras, o olhou aos olhos e chutou-lhe os culhões com força inesperadamente grande e bem aplicada. Ele caiu ao chão, gemendo e gritando, enquanto ela, com um ar de divertimento, o olhou e respondeu simplesmente:
- É, realmente. Exatamente agora, dói bem mais em você do que em mim.
E saiu, rindo-se.

Ah, sim. Eles não estavam discutindo a relação. Era só a eterna guerra dos sexos. Ri de leve e voltei a comer, divertida com a desgraça do garoto. Afinal, é isso que fazemos de melhor, sendo homem ou mulher.


Ps.: parabéns, mamãe! :D
Natália Albertini.