sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Meus amores, este é um post de despedida para 2008.
Espero que todos vocês tenham um ótimo final de ano, bem como suas famílias.
Desejo-lhes tudo de bom nesse mundo.
Estou indo viajar hoje e não sei quando volto.
Espero que, assim que voltar, traga comigo muitas idéias, sinceramente.
Só pra vocês se manterem informados, estou lendo Crepúsculo, em seguida lerei The Woman in White, e, se possível, terminarei Alice Através dos Espelhos.
Exceto o segundo, os livros são ótimas indicações. Não indico aquele porque ainda não o li. Depois dou-lhes um parecer.
Enfim, ótimo 2009 para todos!
Muitos beijos.

Natália Albertini.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Vício.

Dimitra escorou-se na parede ao sentir o cheiro da pólvora do .38 na cintura do policial gordo que dirigia a viatura a 660m dali. Suas pupilas se estreitaram felinamente e, de maneira súbita, se dilataram.
Ao constatar-se fora de pergio, adentrou o beco e abriu a porta cinza pela qual teve de passar abaixada. Desceu a escada de ferro e enfim pisou em chão firme. Seguiu pelo aposento frio e abandonado sendo guiada por seu faro e seu tato, deixando a visão descansar um pouco.
Alcançou o cômodo terminal e bateu três vezes na porta vermelha. Um segurança de mais de dois metros de altura a abriu e revistou a loira por completo.
- Tudo limpo, senhor.
- Bom. Venha aqui, gracinha.
Dimitra aproximou-se do homem sombrio sentado na cadeira semelhante a um trono e, segura, bravou:
- Eu quero o que te pedi.
- Ah, é? Então você tem que pegar.
- Está bem. Onde está?
- Adivinha - sorriu como um gato de Chesire.
O que se sucedeu foi apenas selvageria ao som de Mozart e gemidos.


Uma hora e meia mais tarde, Dimitra estava em casa, enfileirando seu pó mágico, quando seu companheiro chegou, sobressaltando-a.
- Andreas!
Ele uivou como um lobo, bateu a porta e partiu para cima dela, virando a mesa.
- Você não aprende nunca?!
- Desgraçado! Eu paguei caro por isso!
- Não sabia que o que você tem no meio das pernas valia tanto - o moreno não gritou; diminuiu o volume e aumentou o grau de sarcasmo.
- Filho da puta! - mas antes que, num pulo, ela o alcançasse, ele se esquivou.
Brigaram de maneira brutal como sempre e tudo terminou com um lambendo e sugando o sangue do outro de maneira apressada e prazerosa.
- Merda - sabia que precisava trabalhar mais seu auto-controle naqueles dias.
- Danazzio...
- O que eu falei sobre o sotaque?! Você é uma turista agora, esqueceu?
- Desculpe.
- Venha, eu trouxe comida.

Os pratos usados estavam no chão, cheios de unhas, pequenos ossos e uma ou outra veia ainda não comidos, ao lado dos copos lambuzados de fluído plasmático rubro. Pelo vidro sujo da taça percebia-se o vai-e-vem da cama mais à frente. Por volta das seis da manhã atingiram novamente o cume de prazer dourado.
Assim que o sol nasceu, os dois adormeceram.

To be continued...
Natália Albertini.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Homens...

- Dá pra decidir?
- Você acha que é fácil assim?!
- Não, não acho, tenho certeza. Eu já me decidi há séculos!
- Mentirosa!
- O quê?! - os olhos faiscaram.
-Nada - engoliu em seco.
- Medroso.
- Só quis dizer que sua decisão foi tomada apenas a alguns minutos atrás, não a séculos - num volume bem mais baixo.
Calou-se.
- Amor?
- Que foi?!
- Por que parou de falar?
- Pra ver se você se decide logo!
- Droga! Isso é muito difícil pra mim.
- Ai, vocês...
- Nós? Nós quem?
- Vocês, homens!
- Ai, que susto, achei que tinha mais de um...
- Pelo amor de Deus! Você bebeu hoje?
Risadas.
- Tô falando sério!
- Claro que não, né?
- Sei lá...
Silêncio.
- Decidiu?
- Ai, ainda não, bebê!
- Não é tão difícil! Ou é isso ou é aquilo, ponto.
- Mas eu tenho mais de duas opções...
- Quer que eu escolha pra você?
- Não, não, isso não! Você vai ser má.
- Então vai logo, não tenho o dia todo!
- Você sabe como é sempre difícil, pra mim, tomar decisões desse tipo.
Finalmente uma terceira pessoa interferiu:
- Pelo amor de Deus! Você só tem que escolher um entre três tipos de molho e me dar o dinheiro! Dá pra agilizar ou tá difícil, colega? - esbravejou o caixa.

Natália Albertini.

Cafeína.

Duas batidas delicadas na porta lígnea. Com um lenço de papel na mão direita e o cabelo desajeitado, foi atender a porta.
- Oi, Li - a voz serena e tranquilizadora disse.
O lenço de papel foi largado para que as mãos pudessem encontrar a nuca e as costas do recém-chegado coração.
- Entre - a voz chorosa convidou.
A porta foi fechada de maneira sutil e os dois corpos se permitiram não se moverem.
- Nada ainda?
- Não - e mais lágrimas brotaram-lhe aos pés dos olhos.
Abraçaram-se por algum tempo, e no silêncio estabelecido, conseguiram ouvir murmúrios vindo do escritório.
- Vou lá vê-lo.
- Não! Ele não vai te reconhecer!
- Vai, sim - soltando-se das finas e molhadas mão.
- Não, por favor! Ele não sabe quem eu sou. Só sirvo para fazer-lhe café. Nem comer ele come mais.
Não deu ouvidos e caminhou pelo corredor, abrindo a porta que deveria dar para o escritório. O que na verdade encontrou foi uma aura prateada que mantinha em suspensão palavras rimadas em português, alemão, italiano, inglês e espanhol.
- Papai?
- Get out of here! You hijo de la puta!
Por sorte, conseguiu fechar a porta milésimos de segundos antes da xícara de porcelana atingir-lhe a cabeça. Respirou fundo e voltou a abraçar a irmã que ainda chorava.
- Eu te disse! - vacilou - Oh, meu Deus, já faz mais de uma semana e tudo o que ele faz é elaborar poesias misturando as línguas e pedir mais café - as palavras saíram entrecortadas por soluços.
- Ele pede?
- Na verdade, ele ordena. E ordena para ela.
A partir daí os soluços foram de ambos, e durante alguns pequenos intervalos, o poeta gritava de sua toca:
- More coffee, mujer!

Natália Albertini.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Sex, blood and rock'n'roll.

Techno trance - Blade 2 vampire revenge

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Fios de luz vermelhos e roxos sendo atirados para todos os cantos da boate, inclusive os mais escondidos, sombrios e sujos cantos. Inclusive a entrada.
A escada de ferro entre as paredes escuras não ficavam vazias nem por um instante. O lugar estava prestes a explodir. Entretanto, parecia sempre existir um novo convite para um novo corpo entrar ali. A música atraía. Música alta e eletrizante.
Música que envolvia os canos sobre os balcões centrais. Canos sendo entrelaçados e esfregados por mulheres extremamente excitantes com seios avolumados, pernas grossas, lábios sendo lambidos a todo tempo e roupas insinuantes pela quais muitas mãos de ambos - ou, quem sabe, até mais - os sexos passavam e deixavam dinheiro.
Moedas tilintavam dentro da caixa registradora cheia. Cédulas caíam ao lado desta, logo ficando encharcadas pela bebida que era derramada. Tequila, vodka, martini, vinho e até coisas das quais meros humanos nunca ouviram falar.
Um grito agudo por trás dele que tinha certeza de que ninguém mais o tinha ouvido. Era hora.
Entornou, agressivo, a dose de tequila que o fez engolir também o sabor nojento do sangue do mendigo de algumas horas atrás. Levantou determinado da mesa e empurrou a porta verde musgo, olhando diretamente para o chão tingido de sangue.
Ah, quanto sangue. Aquele cheiro demasiadamente bom e aquela cena incrivelmente linda. Dimitra se enroscava na mulher sob ela, colocando em atrito cada parte de seus corpos. Gemia e transpirava. Tinha os seios maiores que o normal, bem como os lábios. Fazia movimentos continuos de vai-e-vem, pintando seu corpo de vermelho.
Entrou no pequeno aposento sombriamente gelado e fechou a porta atrás de si, vociferando, quase latindo algum tipo de ordem para que a loira saísse de onde estava.
Atirou-se por cima do corpo da americana estúpida e lambeu-lhe os seios e o colo até alcançar seu pescoço, de onde sugou seu fluído vital ainda quente. A parceira tentou tomar posse novamente da morena, porém seus movimentos foram agilmente interceptados pelo homem de cabelos lisos e escuros.
Colocou-se de joelhos e olhou para o cadáver, limpando a boca com o braço esquerdo. Seus rubis cintilaram perceptivelmente Fitou Dimitra, levantou-se e a colocou de pé, segurando-a brutamente pelo antebraço. Forçou-a contra a parede e puxou seus cabelos da nuca, chupando-lhe o ombro.
- Dannazione, Andr...
- Cala a boca, vadia. Larga essa porra de sotaque italiano. E trate de se vestir. Temos que ir
A vistosa loira arranhou-lhe as costas quando ele se virou, fazendo-lhe o sangue subir. Tornou a olhar para ela e decidiu terminar a noite ali mesmo, entre todo o sangue e toda a vodka derramada da adega.
A americanazinha foi testemunha do prazer que nenhum humano jamais poderia alcançar. Muito menos numa adega imunda cheia de insetos como aquela.

Ps.: to be continued.
Natália Albertini.