segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Mamãe, tem um monstro no meu armário.

O edredon lhe cobria as orelhas, deixando de fora apenas seus olhos. O travesseiro já tinha a marca de sua cabeça afundada ali. Os lençóis estavam encharcados, já que, em plena noite de dezembro, ela estava coberta. Entretanto, o suor não vinha só do calor corporal. Vinha também do calor causado pelos arrepios e pelo medo que a envolvia.
O quarto estava escuro. Era iluminado somente por uma fresta de luz lunar que atravessava sua janela. A porta que dava para o corredor estava fechada, enegrecendo ainda mais o ambiente.
O guarda-roupa que ficava em frente à cama, na parede oposta, tinha uma de suas portas entreabertas.
Ela acordara no meio da noite e a encontrara assim, semi-aberta. E podia jurar que, antes de se deitar, a havia fechado.
Dali de dentro, entre os casacos e jeans, havia dois pontinhos arroxeados e brilhantes que despertavam na garota um pavor estonteante.
Ela sentiu as costas, molhadas de suor, encostarem na parede. Já havia se afastado o máximo possível e ainda assim não parecia suficiente. Ela queria ficar mais longe, mais, mais, mais e mais longe, mas a parede estava ali, impedindo-a de fugir.
Não devia de ser nada, é... Era melhor voltar a dormir...
GLIMPSED.
Brilharam, brilharam! Ah, meu Deus, eu JURO que aqueles pontinhos brilharam!
E o que são aqueles pontinhos?
Não, por favor. Oh, Deus, meu bom Deus, por favor, não me diga que são...que são, que são... (não, não pense nisso)são...olhos!
São, são OLHOS!
Pelo amor de Deus, são OLHOS!
E no momento em que percebeu aquilo, os pontos passaram a um vermelho ensurdecedor, sufocante, quase que...sedentos.
Ela impulsionou seu corpo contra a parede, mas, sem querer, empurrou a cama para a frente, afastando-a. Logo, caiu do colchão, enrolada em seu edredon.
Ficou ali, entre a cama e a parede, tremendo de calor, de medo e de calafrios. Queria subir de volta à cama, logo o pesadelo acabaria. Se ela simplesmente conseguisse dormir de novo...
Acontecia que não tinha forças para se mexer, não tinha forças para subir de gatinhas de volta para o colchão.
E aqueles olhos...AH, ELES BRILHARAM DE NOVO! Caralho, eu só posso estar enlouquecendo...
Alguma nuvem passou em frente o noturno sol prateado lá fora, escurecendo por completo o quarto.
E ai aconteceu.
Aqueles olhos saltaram do armário, rastejaram com uma rapidez incrível até a cama, deitando-se ali, de barriga para a cima. A cabeça ficou jogada para trás, a milímetros de distância do rosto dela, que mal respirava.
A criatura tinha a boca escancarada num sorriso de escárnio.
A garota sentiu suas forças desvanecerem, mas ainda assim tentou gritar. Forçou os lábios a se separarem e assim que conseguiu levar voz às cordas vocais, aquilo cujo rosto, naquela noite, só ela viu, e só ela poderia descrever (ou não), meteu uma das mãos de garra em sua garganta, arrancando, com um só puxão, sua língua.
Colocou-se de barriga para baixo e abriu ainda mais a boca. Era como se o maxilar não pertencesse mais a seu rosto, estava simplesmente onde jamais poderia estar, de tão baixo.
O bicho-papão atacou, ainda sorrindo.

Ps.: péssimo, eu sei... É que foi desmedido, deu vontade e saiu esse jorro de palavras, espero que os entretenha.
Natália Albertini.

Nenhum comentário: