segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Vício.

Dimitra escorou-se na parede ao sentir o cheiro da pólvora do .38 na cintura do policial gordo que dirigia a viatura a 660m dali. Suas pupilas se estreitaram felinamente e, de maneira súbita, se dilataram.
Ao constatar-se fora de pergio, adentrou o beco e abriu a porta cinza pela qual teve de passar abaixada. Desceu a escada de ferro e enfim pisou em chão firme. Seguiu pelo aposento frio e abandonado sendo guiada por seu faro e seu tato, deixando a visão descansar um pouco.
Alcançou o cômodo terminal e bateu três vezes na porta vermelha. Um segurança de mais de dois metros de altura a abriu e revistou a loira por completo.
- Tudo limpo, senhor.
- Bom. Venha aqui, gracinha.
Dimitra aproximou-se do homem sombrio sentado na cadeira semelhante a um trono e, segura, bravou:
- Eu quero o que te pedi.
- Ah, é? Então você tem que pegar.
- Está bem. Onde está?
- Adivinha - sorriu como um gato de Chesire.
O que se sucedeu foi apenas selvageria ao som de Mozart e gemidos.


Uma hora e meia mais tarde, Dimitra estava em casa, enfileirando seu pó mágico, quando seu companheiro chegou, sobressaltando-a.
- Andreas!
Ele uivou como um lobo, bateu a porta e partiu para cima dela, virando a mesa.
- Você não aprende nunca?!
- Desgraçado! Eu paguei caro por isso!
- Não sabia que o que você tem no meio das pernas valia tanto - o moreno não gritou; diminuiu o volume e aumentou o grau de sarcasmo.
- Filho da puta! - mas antes que, num pulo, ela o alcançasse, ele se esquivou.
Brigaram de maneira brutal como sempre e tudo terminou com um lambendo e sugando o sangue do outro de maneira apressada e prazerosa.
- Merda - sabia que precisava trabalhar mais seu auto-controle naqueles dias.
- Danazzio...
- O que eu falei sobre o sotaque?! Você é uma turista agora, esqueceu?
- Desculpe.
- Venha, eu trouxe comida.

Os pratos usados estavam no chão, cheios de unhas, pequenos ossos e uma ou outra veia ainda não comidos, ao lado dos copos lambuzados de fluído plasmático rubro. Pelo vidro sujo da taça percebia-se o vai-e-vem da cama mais à frente. Por volta das seis da manhã atingiram novamente o cume de prazer dourado.
Assim que o sol nasceu, os dois adormeceram.

To be continued...
Natália Albertini.

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