Poliglota
Os cabelos lhe caíam ao rosto, desembaraçados e insistentes. A coluna não tinha boa postura: se inclinava para que as mãos pudessem trabalhar melhor. Concentrava-se de forma pesada na foto que começava a aparecer no papel gelatinado imerso na bacia de revelador. O cronômetro batia os primeiros dez segundos da leve agitação que ainda devia ser levada até um minuto e vinte a mais. Ela tinha o corpo envolto pelo ambiente rasamente iluminado por alguns spots de luz vermelha . Sentiu, então, outro corpo pressionar-lhe contra a bancada. Outro pescoço pressionar-lhe o seu. Ele inalou o ar com força, enquanto ela arfou. Ambos sorriram. As mãos dele eram voluptuosas e rápidas. Acharam logo o caminho de sua cintura e, então, por dentro de suas pernas, beliscando-as bruscamente. Ela jogou um dos braços para trás e puxou-lhe com força os cabelos da nuca. Antes do cronômetro alcançar os nove minutos, os corpos já se enroscavam felinamente , rasos , vermelhos. Madrugada a dentro. Muitas vezes ...
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