sábado, 30 de junho de 2012

Colorido.

O cômodo silenciava, escuro.
Nenhum aparelho ligado, nem emitindo som algum.
Flashes da noite viscosa e vermelha.
Preto.
Verde.
Roxo.
Vermelho.
E mais vermelho.
E ainda mais vermelho.
O visco daqueles pescoços latentes era provocativo demais.
Ela sabia que deveria parar, mas era incapaz.
Se esguiava pela pista de cança pelas sombras, deixando somente alguns trechos daqueles focos coloridos de luz lhe tocarem, no máximo, o braço.
Voltou a si.
As pernas iam cruzadas no chão, os braços, atrás do corpo, dando suporte a toda sua gula.
Sentiu uma gota do seu próprio visco avermelhado pingar em seu peito nu.
Olhou pra baixo, observou-o escorrer.
O que antes era apetite, agora transformara-se na consciência do abuso.
Não deveria ter tomado tanto...
Mais uma gota pingando.
E outra no colo esbranquiçado e estufado.
Encarou seu reflexo no vidro logo à frente.
Sua face pálida, seus olhos fundos.
Seus lábios gelados.
Sangue escorria pelo meio deles.
Muito sangue.
Todo o sangue.
O único colorido daquele rosto.

Natália Albertini.

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