terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Coleção de insetos.

O barulho pesado e incisivo da água gelada batendo no pequeno toldo transparente sob o qual várias pessoas se espremiam não tirou a concentração dele.

Tinha a calça encharcada até os joelhos, a camiseta respingada e o cabelo bastante molhado, apesar de ter chegado até ali debaixo de seu guarda-chuva. Espremia os olhos castanhos para conseguir enxergar o pequeno pontinho amarelo e saltitante a bons metros de distância, que se aproximava.

Enquanto os cabelos loiros eram ensopados e os pés daquele mesmo corpo pulavam alegremente nas poças de água, o observador viu, além dela e através da cortina de chuva á sua frente, uma época quase remota, onde brincara com aquela criança, onde trocaram confidências, onde se faziam visitas e levavam escondidos em seus casacos alguns insetos para completarem ambas as coleções.

Com um relâmpaço cortando o céu, ele finalizou os devaneios, deparando-se com a bela figura loira, agora bem mais encorpada e formosa, já com a mesma idade dele. Olhou para a moça com olhos quase nostálgicos, quase que implorando com estes que os dela os reconhecessem.

- Que chuva, não? - ela comentou, rindo inofensivamente.

É, ela não o havia reconhecido, nem chegaria a fazê-lo. Ele deixou um pequeno sorriso escapar-lhe ao canto esquerdo dos lábios, deixando as lágrimas evaporarem antes mesmo de serem derramadas. A nostalgia o mantinha muito bem nutrido nesses casos.

Ps.: super confuso, nem eu entendi, mas ok...

Natália Albertini.

Um comentário:

Hacius disse...

É dífícil fazer um comentário aqui. Não, eu até sei onde fazer (eu acho). Só não sei como. Entrei tanto dentro do texto. Consegui até sentir as gotas das chuvas. É isso que ninguém deveria perder: a sensação das gotas da chuva no corpo. Gostei muito do texto. Belissimamente escrito e descrito =D