sábado, 17 de janeiro de 2009

Liquidificador.

Sinceramente, não sei bem do que se trata tudo isso. Algo está fora do lugar, ou esse algo acaba de encontrar seu lugar, não sei ao certo. Tenho refletido tanto e tanto nesses últimos dias, tudo me parece filosófico, e o mundo inteiro parece estar percebendo isso em mim.
Eu devo estar exalando algum tipo de odor especialmente atrativo ou devo estar com alguma aura extremamente dourada e visível sobre minha cabeça, porque de todas as pessoas pelas quais eu passei ontem e hoje, no mínimo quarenta me olharam com a mesma cara, uma cara de espanto. Ainda só não consegui distinguir se é um espanto bom ou um ruim.
Hoje eu saí de casa e todo mundo me seguiu com os olhos. Sejá lá pura impressão minha ou talvez verdade, isso anda me incomodando. Não que eu goste de passar despercebida, mas, não sei, tem algo errado comigo.
O dia inteiro pareceu estranho, foi completamente ausente de emoções, se é que me entendem. Os únicos momentos em que sorri foram por pura educação, para cumprimentar alguém que, a propósito, acabou me elogiando. Só não sei se ironicamente ou não.
No ônibus, dois velhinhos me chamaram atenção. Um deles, o cobrador, super bem humorado e simpático. O outro, também bem humorado, que encantou-se com uma criança linda e acabou por dar-lhe um saquinho de mel que guardava no bolso da camisa para provavelmente ocasiões como aquela.
Voltando pra casa, deixei meu corpo me guiar, descendo do ônibus três ou quatro quilômetros antes de chegar em casa, simplesmente para observar o mundo à minha volta. E sabem que, enquanto passava por toda a calçada esburacada, todos os lugares pelos quais já passei por toda a minha vida, descobri coisas novas? Descobri coisas novas até em mim.
Redescobri uma bicicletaria e descobri que minha panturrilha fica mais bonita do que eu pensava quando fico nas pontas dos pés. Descobri uma oficina mecânica e redescobri minha pintinha ao lado do umbigo.
E sabe o que mais? Tenho percebido que minhas reflexões têm sido cada vez mais maduras e responsáveis. Ainda não fiz nada que me prove isso, mas, não sei, eu sinto e ponto.
Minhas reviravoltas têm ao mesmo tempo me ajudado e me embaraçado ainda mais em meus próprios nós, inclusive em relação a meu livro que enfim parece estar saindo do mesmo lugar.
Cada vez mais tenho querido ficar sozinha e sozinha. Não que não goste de companhia, porque eu definitivamente adoro isso. Mas minha própria companhia tem sido adequada e ponderada ultimamente, tenho gostado disso.
Entretanto, ao pensar no que minha amiga me disse outro dia, talvez possa ter feito um paralelo com minha maneira de ser. Andávamos juntas e ela me pediu que andasse mais devagar, porque quase ninguém conseguia acompanhar aquele meu passo. Talvez possa ser um paralelo, ou, quem sabe, até um transversal.
Isso provavelmente não interessa a ninguém em especial, mas posto para nutrir meu próprio egoísmo de ler mais tarde e também porque talvez alguém em algum lugar do mundo tenha sentido alguma pontada disso em algum lugar do corpo, consciente ou inconscientemente.
Vou trabalhar em meu livro.
Beijos.

Natália Albertini.

2 comentários:

Leka disse...

aí é que você se engana, me interessam e muito essas suas reflexões.
você não tem idéia de como eu acho lindo os seus pensamentos quando eu consigo enxergá-los e mais do que isso: perceber como são familiares já que eu ando me sentindo do mesmo jeito...

André C. disse...

Bom, eu posso dizer que encontrei certa familiaridade nas tuas palavras. Na verdade, em boa parte delas (não, minha panturrilha na fica mais bonita porque fico na ponta dos pés e eu também não tenho uma pinta no umbigo).

Li um livro uma vez, realmente não recordo-me qual, mas havia uma passagem que o personagem criticava o outro. Dizia "Eu odeio quando tentam me tirar a solidão sem me dar verdadeira companhia em troca". Acho que é mais ou menos isso. Por mais de uma vez, acho que nossa própria companhia é a melhor coisa que poderiamos ter. Em outros, a pior. Afinal, ninguém gosta de ficar ouvindo por tempo demais todas as tempestades que a própria mente confabula.

Enfim, tomei a liberdade de escrever um pouco por julgar que você não se importaria se escrevesse um pouco demais aqui.

No mais, não a conheço e não tenho a menor idéia de quais mudanças são estas ou que se passa, mas, seja o que for, deve vir em boa hora. Eventualmente vem.

See ya =)

Ps: Quando estiver egoista novamente, não se esqueça de postar.