domingo, 23 de novembro de 2014

R.

Ela era morena. E comprida.
Tão comprida quanto eu, mas se dobrava com muito mais facilidade.
Sentava ali do meu lado, assistindo a aquele filme comigo, como se fosse uma pessoa qualquer. Como se não tivesse saído da minha própria imaginação.
Tinha os cabelos lisos num coque, e os olhos ansiosos detrás de um par de óculos.
Os braços e as pernas eram longos, muito longos. Claro, eu os desenhei assim para que pudessem me resgatar mesmo do mais profundo poço.
Tinha um sorriso largo e rasgado, que não tardava em aparecer para me confortar.
Eu ficava esperando minha irmã - esta, sim, real - a meu lado esquerdo, a qualquer momento me pedir para parar de fantasiar e inventar amigos imaginários, e parar de falar com eles. Mas aquilo seria tão difícil... Porque aquela que eu havia criado parecia tão real.
Ela andava, falava e me compreendia como ninguém.
Bom, talvez pelo fato de que compartilhássemos da mesma mente, mas isso já não vem ao caso.
Meu coração, contudo, era só dela.

Natália Albertini.

Nenhum comentário: