domingo, 23 de novembro de 2014

Resgate

O semáforo abriu e eu segui em frente, acelerando para o início do viaduto.
Foi quando vi, a meu lado esquerdo, parado no acostamento daquela pista, um homem.
Ele tinha a pele cor de cansaço, mas os cabelos ainda mantinham um tom de vivacidade. Vestia calças rasgadas e nada calçava.
O que me chamou a atenção, todavia, foi o que ele tinha nos braços: um pequeno gato, mesclado e bastante assustado.
O homem olhava de volta para o outro lado da via, onde alguém o devia esperar. A ele e ao gato.
Ele segurava aquele felino com tanta afeição. Eu quase conseguia ouvir o filhote ronronando em gratidão.
Tinha uma outra coisa também... Não era só o filhote que se agarrava ao homem. O homem também se agarrava àquela bolinha de pelos.
Quase pude ver, ali, naquele cenário de cimento, o amor que o homem passava para o pequeno bicho. E também a esperança que o gato passava para aquela criança crescida.

Natália Albertini.

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