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Macio.

O sol ia alto no céu naquela manhã. O cheiro da maresia e de protetor davam o clima. As ondaa batiam ansiosas nas pernas de todos aqueles que iam saudar o mar. Escutava conversas, sem ouvir exatamente o que se falava. Estava de bruços na canga, o cabelo molhafo às costas, o sol lhe lambendo as espáduas e a cintura, o calor fazendo a pele macia e bronzeada. Um sorriso aos lábios. Sua projeção de futuro era tão longíqua quanto o que iria comer no almoço. Ps.: vem, férias! :( Natália Albertini

Cabana.

O sol matinal se espreguiçava pelo chão do cômodo. O sofá-cama jazia quieto, sob o ventilador que rodava lânguido. Ele dormia calmo, uma coberta fina sobre o corpo, e um semblante de quem sonhava longe dali. E em paz. Já batiam quase nove horas. Me aproximei e sussurrei bem baixinho que acordasse, a manhã já batia à janela. Meus cachos se estenderam por cima de sua cabeça, imergindo-nos naquele local secreto que só nós dois poderíamos ver. Beijei a pintinha em sua pálpebra direita, ainda fechada e sonolenta. Ele se alongou devagar e demorou a abrir os olhos, mas quando os abriu, fixou-os logo em mim. Eu não podia fazer menos que abrir um sorriso que pudesse abraçá-lo por inteiro. Ele, ainda meio sonhando, me agarrou a mão esquerda e a pôs debaixo de seu travesseiro, como para que não fugisse. Em pensamento, disse que não. Não vou fugir. Da sua, Natália Albertini.

Laranja.

O barulho lânguido da água se acalmando e a luminosidade escassa me envolviam. Acima da superfície, somente meus olhos. Abaixo, o corpo inteiro imerso naquela massa morna e líquida. Ao longe, o som dos animais notívagos se escondendo em arbustos. Observei o topo do manto de água balançar devagar. Afundei e olhei à direita. Um enorme e majestoso crocodilo me encarava, preguiçoso. Seus olhos brilhavam arroxeados, e a cauda jazia estática. À minha esquerda, mais deles se aproximavam, nadando rápido, assustados. A massa de água me empurrou inevitavelmente para mais perto de onde o primeiro deles deitava. Ao tentar me esquivar, percebi que ele já havia fugido também. Com toda a rapidez que se pode ter no ambiente submerso, voltei à esquerda. Das profundezas daquele canto, a água se deslocava ainda mais rápido e mais forte, me empurrando, e dois pontinhos alaranjados, mais brilhantes que o dos crocodilos, se aproximavam numa velocidade nauseante. Tomei impulso nos azulejos atrás d...

Meu.

O barulho no apartamento era alto demais, o anfitrião talvez até recebesse uma multa por isso. O ambiente, contudo, era delicioso. Vozes animadas, clipes na TV e muita comida e bebida à mesa. Já passavam das três da manhã, e seu organismo que ainda se comportava como o de uma criança clamava por uma cama. Tinha, entretanto, o melhor travesseiro sob sua cabeça de olhos já fechados: o ombro direito dele. O ouvido direito dela captava todo o som da festa, animada demais para aquela hora da madrugada na opinião dos vizinhos. O esquerdo ouvia com carinho as batidas do coração dele sob a polo preta. De cada lado da cabeça, um extremo: bagunça e tranquilidade. O corpo que se fazia de cama para ela se mexia um pouco, suas cordas vocais vibravam com um tom divertido. Ao mesmo tempo, o braço direito dele a envolvia, acariciando suas costelas e espáduas. O mais puro afeto a inundou. Ela o abraçou mais forte. Sentia que... Não. Ela sabia que, se quisesse, poderia dormir naquele omb...

Algo bom. E alto.

- Quero ouvir algo bom. E alto. Ele parou no farol e selecionou a banda preferida deles. Aumentou o volume até os vidros do carro tremerem, até suas veias pulsarem com mais força, até ver as feições satisfeitas dela, traduzidas num sorriso que ele adorava. Os acordes pesados, rock do melhor, vibravam incontroláveis. Eles urravam as letras. As cabeças chacoalhando, o carro perfurando a noite com aquele volume estrondoso de guitarras. Os faróis dianteiros iluminavam a avenida encoberta pelo escuro. Algumas almas nas esquinas, encarando a fonte do barulho alto demais. Um estranho na noite. Lá dentro, eles continuvam cantando as letras rápidas e trabalhadas demais. Ele tinha a mão na perna esquerda dela. Ela, o coração na boca. Natália Albertini.

Colorido.

O cômodo silenciava, escuro. Nenhum aparelho ligado, nem emitindo som algum. Flashes da noite viscosa e vermelha. Preto. Verde. Roxo. Vermelho. E mais vermelho. E ainda mais vermelho. O visco daqueles pescoços latentes era provocativo demais. Ela sabia que deveria parar, mas era incapaz. Se esguiava pela pista de cança pelas sombras, deixando somente alguns trechos daqueles focos coloridos de luz lhe tocarem, no máximo, o braço. Voltou a si. As pernas iam cruzadas no chão, os braços, atrás do corpo, dando suporte a toda sua gula. Sentiu uma gota do seu próprio visco avermelhado pingar em seu peito nu. Olhou pra baixo, observou-o escorrer. O que antes era apetite, agora transformara-se na consciência do abuso. Não deveria ter tomado tanto... Mais uma gota pingando. E outra no colo esbranquiçado e estufado. Encarou seu reflexo no vidro logo à frente. Sua face pálida, seus olhos fundos. Seus lábios gelados. Sangue escorria pelo meio deles. Muito sangue. Todo o san...

Soulsick

In spite of it all, I'm still soulsick. Yeah, have you heard of it? Oh, it is terrible. It eats me alive.  And I've heard it won't heal. Not even with time. Joy has slowly come back to me, found some abandoned rooms to live in. It brings me to life in most of the days. But then there are these dark, cold and rainy days, when world seems to be just a big old monster that makes you shiver with every step it gives. Part of my soul is as black as night, as cold as winter and as dead as a corpse. Nope, na-na-no. It is not dead. Oh, no, my friend, it is alive.  By a thin line, but it is alive, because it still hurts. And the pain gets bigger than any room full of joy i may have rented. I see world in blue, green, yellow, pink, purple, red, and then... Colors start to fade, then it's all gray and dark again, then my feet lose ground and my head loses me. Then I'm a hurt creature, screaming and moaning in deep agony. My screams could scare little children.  Oh, da...