quarta-feira, 2 de abril de 2008

Flores e fronhas.

Sigur Rós - Sigur Rós - Glosoli
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Os dedos transmitiam para todas as mais longíquas extremidades do corpo o amarelo, o vermelho e o verde que se estendiam por baixo dele e iam até onde os olhos podiam ver. As pétalas das flores amarelas eram mais macias que as das flores vermelhas, porém seu caule tinha mais espinhos.
O sol já não estava mais a pino, logo daria espaço à amante que nunca encontrava. O ar se movimentava com intensidade média, nem forte, nem fraca, faziam os cabelos dele se moverem quase que imperceptivelmente.
Cerrou os olhos e sorriu discretamente. Ninguém havia dito uma palavra sequer - na verdade, ninguém poderia, estava sozinho naquele imenso campo amarelo e vermelho - mas sabia que dentro de instantes ela estaria com ele.
Passados dois ou três segundos, o toque mais macio que o amarelo despertou-lhe o ombro adormecido. A mão era fina, tinha os dedos compridos e frios. A dona das mãos gélidas sentou-se ao lado direito dele, logo pousando a cabeça em seu ombro.
Ele demorou alguns segundos mais para abrir os olhos, estava tentando achar pontinhas de carne para enfiar satisfação e alegria que transbordavam, sem lugar para ficar. Ao olhar novamente para o horizonte, viu o astro-rei quase ausente, dividia agora seu imenso e infinito brilho com a garota a seu lado. Levou a mão direita ao joelho esquerdo dela e o acariciou ternamente. Ainda vasculhava seu vocabulário em busca de vogais ou consoantes que traduzissem sua felicidade. Como não achou nada fiel, optou por dizer o que costumava dizer:
- Você é tudo que eu preciso...
A menina sorriu de canto e, desta vez, quem fechou os olhos foi ela. Respirou de maneira longa, profunda e audível.
- Mas bem que eu não seria tudo o que precisaria se passássemos fome e morássemos debaixo de uma ponte, sujeitos a enchentes e a assassinatos de última hora como a maioria. - seca.
- Eu me alimentaria da tua luz, moraria na tua pureza, me secaria com o teu calor e revieria, porque todo amor que eu tenho por você não cabe numa única vida.
Ela era cética. Acreditava somente na ciência e era bastante pessimista, entretanto, em momentos como este, era obrigada a admitir que algo maior existia. Algo como o respeito, a gratidão e, quem sabe, até o tão famoso amor.
Ela arfou e beijou-lhe o pescoço. Ele arrepiou-se por inteiro e estremeceu. Não era um arrepio simplesmente carnal, era o arrepio vindo de dentro causado pela ligação incontestável e suprema que ela mantinha com ele pelo toque de qualquer parte do corpo.
O apaixonado ergueu o ombro direito como que dizendo para que ela se levantasse: ela o obedeceu. Os dois olharam-se sem combinar, apenas intuitivamente. Nos olhos dela, ele encontrava sua paz e seu desespero. E nos olhos dele, ela encontrava toda sua ciência resumida e toda e qualquer teoria que anulava todas as outras.
Como que num ato irremediável e inevitável, os lábios se encontraram. O amarelo e o vermelho já nem mais existiam. O prateado sol noturno não era evidente. Toda a luz irradiava deles. Abraçaram-se e mantiveram a ligação pelo máximo tempo possível. Teve-a nos braços durante o máximo tempo possível.

Sentado na mesa, comendo alguns pequenos biscoitos e lembrando do fato passado, o garoto ouve a mãe reclamar:
- Você não passa uma noite sequer sem babar no travesseiro, menino?

Natália Albertini.

Um comentário:

Marco A A disse...

ei,
Você é tudo que eu preciso...

já to ansioso e ainda fico lendo isso, nem vou conseguir dormir xD
bom, bom, muito bom
=* pra escritora da minha vida