sábado, 2 de maio de 2009

Trampolim

Nós quatro estávamos, assim como boa parte de todo o país, na beira do trampolim, de mãos dadas, evitando olhar para baixo, adiando o que sabíamos que aconteceria. E sem piedade nem explicações, nos empurraram, nos jogaram pra fora da tábua, como comida aos tubarões capitalistas.
Nós quatro estamos agora, como boa parte do país, em queda livre, com arrepios subindo e descendo por nossas espinhas, com um buraco no estômago, pois o que sentimos não é mais um simples frio na barriga. A queda é tão imprevisível, que mal sabemos o que nos espera ao final: se é um monte de água gelada ou o chão duro e intranspassável. O que se segue é um período de angústia e receio, além de grande nervosismo.
Embora uma bola de água salgada se forme em minha garganta a cada vez que tento lhe dirigir a palavra, acho que ele sabe que eu faço de tudo, tudo mesmo, isso é, transponho todo e qualquer limite que eu possa ter para manter todas as nossas mãos unidas e entrelaçadas, pois tenho certeza de que não há força maior que possa separá-las.
Por hora, o que nos resta a fazer é esperar que a piscina não seja muito funda ou que haja uma cama elástica bem resistente no fim de queda (que, a propósito, podia ser logo, muito logo...).

'Where do we go? Nobody knows...'
Natália Albertini.

3 comentários:

Billy disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Billy disse...

A força da minha sedução poderia separar as suas mãos, você sabe (6).
Será que a cama elástica aguentará todos que cairem sobre ela? Hope so! Luv, luv

yoyo disse...

hmmmm gostei do texto. Muito bem escrito!! sabe pq eu sei disso? pq enquanto eu lia tava passando imagens na minha cabeça, tipo ... sei la como explicar! auhehuaehu mas gostei! vou ler os outros! =D