terça-feira, 10 de agosto de 2010

Eterno véu.

Ainda tenho na ponta dos dedos a memória de sua unha rachada ao meio, no polegar esquerdo.
Você com aquele rosto limpo e lívido, de olhos fechados e lábios selados.
Aquele estúpido véu te cobrindo.
Aquelas velas.
Aquelas pessoas.
Toda aquela solenidade.
Toda a minha vontade de arrancar esse estúpido véu e agarrar seu corpo, gélido, com força. Te segurar aqui comigo.
Pra sempre.
E então aquela mulher chegou e se apresentou como sua amiga, logo dizendo:
- Ele falava tanto de vocês, netas dele... Quando ia chegando perto do aniversário de vocês, ele se corroía em indecisão, falava que não sabia o que dar, que ia acabar dando dinheiro, mesmo...
Minhas pernas fraquejando.
Minha visão embaçando.
Meu peito se contraindo em oceanos.
Esse véu nos separando.
Pra sempre.

Ps.: por quê?
Natália Albertini.

3 comentários:

Marie Elm disse...

Oi Natália,

Nos vimos uma única vez na comemoração do aniversário da Tamiris em 2009. Não trocamos palavras, mas tenho recordações da sua presença ali.

Acompanhei, diante dos textos aqui expostos, os "instantes finais" daquele alguém que lhe serviu de alicerce na vida. Devo dizer que me surpreende a delicadeza dos seus detalhes, apesar de eles serem bem sucintos e sem toda aquela exacerbação densa na disposição das palavras.

Os sentimentos exigem o tempo para serem revestidos de belas lembranças. Sempre o tempo. E tudo ficará mais atenuado. E belo.

Um abraço,
Mariana.

Leticia disse...

larga o mundo e vai ser escritora!

me fez chorar umas 5 vezes com esses textos, for real.

te amo mesmo vc tendo um coração peludo

Tama ors disse...

Aperto no peito, sempre o aperto no peito e a garganta fechada ao ler as suas palavras.