terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Costas.

Seu próprio reflexo a encarava do espelho.
Os cabelos caíam mais de um lado.
Ele, com a cabeça abaixada, mordia de leve seu ombro, por detrás dela.
Os corpos pressionavam-se um contra o outro.
Uma das mãos dele apertou-lhe o seio esquerdo com enorme força, fazendo-a fechar os olhos com intensidade e arquear os lábios sobre os caninos.
Quando se recuperou da onda de calor e do arrepio, voltou a olhar para o espelho.
Encontrou os olhos esverdeados dele a fitá-la fixamente.
Tudo o que via no reflexo era seu corpo, até a faixa do umbigo, e, por trás de si, os olhos dele sobre seu ombro, seus braços que passavam por sua frente, beliscando uma ou outra parte de sua cintura, e suas pernas, por fora das suas próprias.
As batidas da bateria e as cordas gritantes de guitarra berravam nas caixas de som.
O quarto era envolvido em penumbra.
Ele ergueu o rosto e mostrou o maxilar bem aberto, de dentes bem formados.
Ela ergueu o cabelo, levou a mão esquerda dele a seu seio e o induziu a apertá-lo com ainda mais força, enquanto sentia as perfurações de seus caninos em seu ombro.
E o sangue a lhe escorrer pelas espáduas, quente e viscoso.
Ele lhe elogiou as costas.

Natália Albertini.

Um comentário:

Rebs disse...

sabe como é né, puro sangue...