terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Verme.

O trem metálico deslizava pelos túneis escuros, silencioso.
Eu tinha a cabeça encostada no vidro, séria.
Um cheiro acre me chamou a atenção.
Farejei algo diferente, com certo nojo.
Não precisei correr os olhos pelo vagão, de cara o vi parado no meio do corredor, fixo.
Devia ter por volta de um metro e meio de altura.
Sua pele era translúcida, seus cabelos, pesados e negros, e os olhos verde-escuro, de pupilas dilatadas.
Tinha manchas vermelhas e arroxeadas na região dos cotovelos e da nuca.
Sua aparência era debilitada, doente, embora o sorriso contido não desgrudasse seus lábios desbotados.
Ele não me olhou diretamente, mas eu sabia que havia me visto e era isso que o fazia sorrir.
Endireitei o corpo e senti meus lábios arquearem-se sobre meus caninos em repulsa, despropositadamente.
Um demônio num corpo de um menino.
They were back in town.
Pensei que precisava avisar Andreas o mais rápido possível, mas isso foi só um vislumbre de pensamento, pois o cheiro daquele verme, súdito do verme-mor, me enojava de forma intensa e viscosa.
As portas se abriram e ele se foi.
Só então senti o arrepio desgrudar-se de minha pele e meus dentes serem cobertos pelos lábios não mais escancarados.
Vermes.
Ainda extermino todos eles.
E guardo os corpos como troféus.
Andreas vai gostar disso... É, ele vai.

Natália Albertini.

Um comentário:

Dayana Sartorio disse...

Maldosa, sempre!
Posso visualizar seu rosto enojado ao ver esse ser, louca!
Belo texto, as always!