quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Olhos Fechados

Cheiro de café.
Cheiro de café e roupa lavada.
Tic, cinco. Tac, quinze.
Cinco e devagar quinze. Cinco e cinza.
Travesseiro fofo demais e um edredom bem quentinho.
Pra que abrir os olhos?
O pensamento de por os pés no chão já é dolorido.
O novelo na garganta ainda não desceu.
Mais quente que a cama, são minhas pálpebras. Mais fofas e gordinhas que o travesseiro também.
Sigur Rós rondando todo o ambiente, mesmo que em silêncio, mesmo que antes mesmo de saber de sua música.
Um resquício de sol vespertino se espreguiçando na cama, triste igual.
Vozes fúnebres vindo de lá de longe, numa cozinha a um quilômetro de distância.
Pra que por os pés no chão?
Que chão?
Me diz que chão.
O que agora te separa de mim?

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