quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Pequenino.

Ele foi chegando de mansinho, com uma corrida que quase não passava de uma caminhada, com os bracinhos dobrados à altura do tórax.
Era pequeno, mal devia me alcançar a cintura. Tinha o cabelo raspado rente à cabeça. A pele beirava o tom daqueles chocolates bem doces. E os olhos... Os olhos eram do tamanho de duas ameixas, escuros iguais, mas reluzentes como as estrelas que começavam a dividir o céu com o Sol que já se ia.
O menino corria à frente dos pais, que andavam com mais calma, conversando sobre algum assunto leve.
Eu, assim como eles, caminhava, mas com a mochila nas costas e talvez uma cara não tão aberta, porque o pequeno me olhava meio desconfiado.
Me olhava com aquele jeito de criança que espera ser repreendido pelo adulto mais próximos.
O miúdo jogging dele quase não alcançava minhas passadas normais.
Ele me olhava de baixo pra cima, desconfiado.
Eu o olhava de cima pra baixo, sisuda.
Os olhos dele brilharam.
Os meus reluziram de volta.
Abri um sorriso.
Ele se espantou, até diminuiu o ritmo.
- Assim você não vai me ultrapassar! - e fiz que ia correr, sorrindo mais.
Ele se sobressaltou, com a boca num feliz O, espantado e alegre. Depois dos pequenos segundos que levou para entender que eu estava brincando com ele, ele pôs força nas perninhas e começou a correr mesmo.
Corremos juntos por curtos metros.
Deixei ele me ultrapassar e parei.
Ele parou e me olhou. Pra cima.
Eu sorri mais uma vez pra ele e dei um tchau, agora o ultrapassando em caminhada lenta.
Ele me deu um tchau com uma mão pequenina, e um sorriso bem maior que nossa corrida.
Deixei-o pra trás, mas guardei os sorrisos que roubei dele na mochila.

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