domingo, 8 de fevereiro de 2015

T

Como um travesseiro depois da soneca, ela era macia.
Era macia e doce.
E pequena.
Seu corpo, com ossos de passarinho, se encaixava perfeitamente no meu abraço.
Tinha os pulsos finos e as mãos pequenas. Uma delicadeza de bailarina. Mas não era nem de longe fraca, como se podia ver pelos cabelos grossos, curtos e resistentes. Resistiam.
A franja, teimosa, às vezes lhe cobriam os olhos que podiam parecer doces demais, mas quando os deixava à mostra... Ah, que deleite!
Eram verdes, compreensivos, determinados e por vezes até melancólico.
Eles falavam baixo, mas falavam firme. Com poucas consoantes, todavia.
Ela era fluida, sem movimentos bruscos ou que interrompessem seu caminho natural. Talvez por isso fosse tão boa dançarina. E também atriz. E também mulher. E menina.
Me era inevitável chamá-la de "pequena". Porque a mim, me parecia tão minha. Apesar de ver nela contida sua total liberdade.
Todavia... É, era um pouco minha.
E eu, talvez soubesse, bastante dela.

De sua meia-irmã,
Natália Albertini.

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