quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

A gente já tá chegando? / Velocidade Alucinante.

enigma - sadness
<\embed> src="http://www.mp3tube.net/play.swf?id=3c9ac674677a3b7c5b2050d9572501db" quality="High" width="260" height="60" name="mp3tube" align="middle" allowScriptAccess="sameDomain" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" wmode="transparent" menu="false" Passou pela catraca e desceu a escada rolante, logo chegando ao piso inferior e postando-se de frente e um espaço vazio por onde dali a alguns instantes passaria o transporte público. Olhou para os lados e reparou em algumas poucas pessoas.
Um homem a seu lado tinha a expressão sisuda, o cenho franzido e a mão esquerda na têmpora do mesmo lado. Trajava um terno marrom escuro, trazia na mão uma maleta quase que do mesmo tom e olhava o relógio incontáveis e repetidas vezes. Aparentava estar bastante preocupado e com pressa.
Uma garota um pouco mais adiante vestia uma saia nada justa que alcançava-lhe os pés, uma regata monocromática e segurava uma bolsa de pano, de onde emergia um fio branco, um fio que ia até suas orelhas e a transportava a um outro mundo, pois ela com certeza não estava ali. Parecia bastante descontraída, despreocupada e nada desconfiada.
Olhando para o outro lado, avistou um rapaz trajando calça jeans, camiseta de alguma banda e carregando uma mochila às costas. Tinha o cabelo um tanto quanto bagunçado e os óculos caíam-lhe ao nariz, fazendo com que tivesse que ajeitá-los constantemente.
Mais à frente, conseguiu ver uma mulher que carregava algumas sacolas grandes e pesadas. Vestia uma roupa simples e seu cabelo estava preso num rabo-de-cavalo. Tinha a face abatida e aparentemente quase melancólica.
Voltou a encarar o espaço vazio que por enquanto abrigava apenas os trilhos metálicos. Abaixou a cabeça e ajeitou a mochila nas costas, imaginando se alguém a observava, mesmo que por apenas alguns segundos, assim como ela fazia com os outros.
O barulho familiar chegou a suas orelhas, alertando-a. Instantes depois, uma das portas metálicas estacionou bem à sua frente, permitindo-a que adentrasse o veículo.
Entrou e postou-se de pé, em frente a uma anciã sentada num daqueles banquinhos preferenciais, e segurou-se num dos canos para que não caísse.
O monstro de metal seguiu viagem com toda aquela sua velocidade. Marina começou então mais uma de suas filosofias dentro de seu cotidiano. De vez em quando tinha esse tipo de “ataque”, como dizia ela.
O que passava por sua mente agora era que todos os passageiros estavam ali, sentados ou de pé, ouvindo música ou não, acordados ou dormindo, alheios uns ás vidas do outros. Cada um dos passageiros devia ter uma história de vida inimaginavelmente incrível a seu próprio modo. Cada um dos passageiros tinha um sorriso, uma lágrima, um suspiro, um grito, uma piscada, um susto, uma vontade, uma vitória e até um fracasso para compartilhar com todos os outros. Mas ainda assim, ninguém se dava conta disso. Ninguém sequer parava pra pensar nesse tipo de coisa.
Estavam todos num mesmo barco e estavam todos destinados a um mesmo destino. Alguns paravam antes, outros entravam depois. Mas, no final, todos tinham o mesmo (in)feliz destino. Acotovelavam-se, xingavam-se e praticamente esmurravam-se para entrarem naquele trem que passava por debaixo da terra e levava ao inferno.
Cada um tinha uma razão diferente para encontrar-se ali exatamente naquele instante.
Achava incrivelmente interessante o fato de tantas pessoas terem seus destinos entrelaçados, ainda que por frações de segundos, serem levados a um mesmo destino, porém sequer darem-se por conta de quem são seus companheiros.
Daí tinha uma de suas doutrinas: o egoísmo só crescia no mundo em que vivia. Qualquer dia desses, o monstro criado por próprias mãos humanas, engoliria seu criador.
A moça chegou à estação desejada. Desceu do veículo e silenciosa e mentalmente, desejou que todos os outros viajantes que ficaram lá tivessem uma boa e não dolorosa viagem, e que talvez algum dia pudessem compartilhar suas vidas.


Natália Albertini.

2 comentários:

Hobbit disse...

hmm um dia eu disse que, vc escrevia bem mas não gostava dos seus assuntos, vc continua a escrever bem e pra mim os assuntos estão ficando mais interessantes.
sem criatividade pra falar mais =/

=*

=J

Gabrielle disse...

Gostei do texto! Eu tambem fico observando os passageiros quando viajo, fico imaginando o que cada um fará quando chegar na estação, presto atenção na face, nos olhares, no movimento das mãos...
Não que eu tenha ateques filosóficos, mas é uma maneira de me distrair enquanto não chego ao meu destino.

Beijo!