domingo, 27 de janeiro de 2008

Pra fora do peito e da garganta.

Bem, esta é a primeira vez em que escrevo como ninguém menos que eu mesma, Natália Albertini. Sem máscaras, sem falsos cabelos, sem falsas cores de pele, sem falsas roupas e sem pseudônimos. Esta é a primeira vez que faço isto e espero que ainda faça algumas vezes mais, pois assim posso expressar minha opinião sobre os mais diversos assuntos de maneira clara e objetiva.
Primeiramente gostaria de agradecer a todos os leitores e leitoras por darem atenção a nossos gritos, nossas lágrimas, nossos sorrisos, nossos suspiros; enfim, a nossos textos.
Agora, sim, apresentar-lhes-ei minha opinião sobre um assunto bastante discutido.
Chamou-me a atenção num dia destes a cena de uma mulher visivelmente paupérrima e seu filho, de mesma condição social, parados num farol. Sei que disso, todos falam, mas gostaria de contar-lhes o que se passou dentro de mim.
Eu encontrava-me acomodada confortavelmente dentro de meu carro quando meu pai passou por debaixo do farol verde e, simultaneamente, ao lado desta mulher. O que eu senti foi um misto de repúdia, dó e culpa.
Dó pelo fato de eu estar numa condição muito mais elevada que ela, dó pelo fato de ela, assim como o filho de aparentemente uns cinco ou seis anos, encontrar-se praticamente numa subvida, e não no que pode ser dignamente chamado de vida.
Dó pelo fato de nosso país ter o número de pessoas assim cada vez maior, dó de ver que o que os detentores de maior poder e influência querem mais é que esta classe baixa, ou melhor dizendo, baixíssima, cresça mesmo. É incrível o fato de eles realmente lutarem por isso, lutarem pelo extremismo. Lutarem para que a classe média suma, para que eles apenas se evidenciem cada vez mais com seus carros, casas e roupas luxuosíssimas, para que a classe baixa fique cada vez mais lá embaixo.
Dó de realmente acreditar nisso tudo. Tenho asco dos políticos que, de uma maneira geral, desejam isso com todo o coração e alma, quer dizer, se é que eles passam de um pedaço de carne humana que apenas quer marcar sua existência neste mundo com sua riqueza.
Por favor, se algum de vocês tiver um argumento forte o suficiente para me fazer acreditar que eles não querem ver o Brasil lotado de seres humanos com roupas, estômagos e corações rasgados e destroçados apenas para que possam alimentá-los com alguma ajuda mensal de dois reais e alguns centavos, fazendo com que estes miseráveis proponham suas reeleições, use-o agora.
Repúdia pelo fato de ver aquela mulher usando seu próprio filho – ou será que devemos dizer “seu próprio pedacinho de carne e sangue humanos”? – para conseguir alguns míseros trocados. É praticamente o mesmo que jogar um inseto ao lago para capturar seu próprio peixe. Percebia-se nos olhos dela que ela pouco se importaria caso alguma motocicleta arrancasse o braço do garoto enquanto ele o estendia para a janela de algum luxuoso carro, aliás, seria até uma boa coisa, sabiam? Afinal, ela teria um a menos para alimentar e ela não seria culpada por nada!
Repúdia por ver estampado na cara dela o mais típico exemplo de individualismo. Repúdia ainda por saber que nada disso passa na cabeça dela, que ela só faz isso graças ao instinto de sobrevivência que seu corpo colocou em uso, graças ao alarmante estado de desespero instalado nela.
E além de tudo, fui vítima de uma onda de culpa. Sim, me senti um tanto quanto culpada por ter sido ensinada a temer essas pessoas que lutam pela própria sobrevivência – e não pela dos filhos. Por ter sido ensinada a não dar trocados que não me fariam falta em momento algum apenas para não correr o risco de ser estuprada, seqüestrada, roubada ou qualquer outra coisa deste gênero.
Culpa por assistir aos filhos da puta verem de lá de cima de seus gigantes e vítreos edifícios o Brasil daqui de dentro ir à falência, torcendo para que isto apenas ande mais rápido, e não me mexer, aliás, não saber o que fazer, não saber como desatar minhas mãos e fazê-las atingirem o nariz daqueles malditos que praticamente berram aos nossos ouvidos em seus discursos: “FODAM-SE VOCÊS!” – desculpem-me as palavras, mas é exatamente isso.
Por hora, vou parar, pois me empolgo e, se não cessar este texto agora mesmo, fico até amanhã escrevendo.
Espero que opinem sobre este e todos os outros textos e comentem.
Grande beijo.

Natália Albertini.

2 comentários:

Hobbit disse...

é, essa situação, não só do nosso pais, mas de todos os outros, é realmente triste, é triste que soziho não podemos fazer nada, e não importa quanto junto estejamos, sempre os mais ricos sao mais poderosos e fortes, como eu digo, nosos planeta ta morto, ninguem chora mais por nada, nem por uma pessoa que morre, todos os dias morrem milhares, e ninguem chora, e já é tarde pra voltar atras.

=* pra sagitariana mais gata xD

Laí disse...

é, o que mais popdemos dizer deste país sem ser algo qeu se relacione com um lixo. E o pior, é que todos contibuem para que isso nunca mude. Não qeu eu não contribua, afinal, eu poderia fazer muita coisa, mas fui ensinada a consevar minha opnião para não ser criticada. é eu realmente fico abismada com o fato, de alguns de nós sermos totalmente inuteis para o nosso país. é, seres inuteis e insignificantes para o mundo.

te amo.