domingo, 13 de janeiro de 2008

Tesão Mais Álcool Igual A Cura Milagrosa.

Timbaland & One Republic - Apologize

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Roberta caminhava com as mãos nos bolsos do sobretudo, rumando em direção ao parque. Ao chegar no local desejado, avistou de longe Thiago, sentado num dos bancos, a propósito, no banco em que deram um de seus primeiros beijos.
A garota aproximou-se do namorado que, por sua vez, levantou-se, postando-se de pé, recebendo-a com um abraço e um beijo, dos quais ela tratou de se esquivar rapidamente. Sabia que algo não ia bem, ele nunca pedia que se encontrassem com tanto fervor se algo não estivesse fora do lugar.
A morena limitou-se a acomodar-se no banco, logo sendo imitada por ele. O rapaz iniciou o diálogo com uma voz tímida:
- Como você tá hoje, meu amor?
- Nada de surpreendentemente excêntrico, apenas bem.
Ele sorriu, divertia-se com o modo com que a moça encarava seu dia-a-dia. Antes que prosseguisse, ela adiantou-se:
- O que tem para me contar?
Thiago praticamente arrancou o sorriso do rosto, de vez em quando odiava o jeito dela de perceber suas intenções. Já que estavam ali, ele teria de lhe contar, por bem ou por mal, então, que fosse pelo menos mal e que fosse agora, antes de perder a coragem que acreditava ter.
- Beta, tem sido tão difícil essa sua ausência, pra mim.
- Thiago, você sabe a razão de tudo isso, não acho necessário justificativa alguma.
O garoto estampou uma expressão sizuda no rosto, encarando-a com certa impaciência, ela estava tão rude e ainda nem sabia do que tinha para lhe contar. Era melhor terminar logo com isso.
- Sim, eu sei. Sei que tem que ficar com sua mãe, sei que não quer descuidar dela por um segundo sequer, mas ainda assim, somos namorados.
- Olha, meu bem, eu sei que não tenho te dado a atenção que merece, me desculpe. Você não imagina o quanto eu gostaria de passar horas apenas com você, jogando conversa fora ou até mesmo ficando em silêncio. Mas o médico disse que o estado dela é perigosíssimo, quase terminal. E eu tenho tanto, mas tanto medo. Eu tenho a impressão de que se eu sair de perto dela, algo ruim vai acontecer. A propósito, não quero demorar muito aqui. Diga-me logo o que tens a dizer.
Thiago sentiu um aperto enorme no peito e um vazio preenchê-lo por completo. Lágrimas brotaram-lhe aos olhos, porém ele não as permitiu que caíssem, segurou-as e enfim iniciou o discurso que tinha planejado:
- Querida, ontem eu fui na festa do Paulo, aquela que você recusou. A Marcinha estava lá e eu acabei bebendo demais e, por fim eu...
- Pode parar - ela o interrompeu.
- Não, quero lhe contar até o fim.
Roberta simplesmente abaixou a cabeça, meneando-a. Esfregou uma mão nas outras, respirou de maneira extremamente profunda e ergueu a cabeça novamente, deixando o olhar fugir por alguns instantes, logo voltando-o ao rapaz à sua frente. Thiago, antes chamado por ela de "Thi", percebeu que a garota estava a ponto de chorar. O rapaz foi insolente a ponto de dizer:
- Mas, Beta, veja pelo lado bom: eu estou te contando antes que outros te contem, eu estou te contando!
Roberta esboçou um sorriso. Achou enorme graça no fato do garoto realmente achar que aquilo melhorava alguma coisa. Por um instante achou que ele estava brincando, mas no momento seguinte, entendeu que o coitado era realmente ingênuo a ponto de crer em tamanha bobagem. E pensar que um dia ela o havia considerado um dos mais sensíveis e respeitosos homens que já havia conhecido.
Ele aproximou-se, ensaiando um abraço, mas ela, obvia e rapidamente, repeliu-o.
- Me desculpa... - ele insistiu.
Ela balançou negativa e lentamente a cabeça mais uma vez, franziu o cenho de modo melancólico e deixou que duas ou três lágrima percorressem sua face, alcançando seu queixo e molhando suavemente seu sobretudo. Ela limitou-se a dizer:
- Agora é tarde, e nada justifica essa sua atitude. Espero que seja maduro o suficiente para aceitar sua perda. Se bem que, por outro lado, ganhou a Marcinha. Faça bom proveito. - e levantou-se, dando-lhe as costas e dirigindo-se ao hospital, ao quarto 103, o quarto de sua mãe.
Adentrou o quarto, beijou a testa da doente adormecida e largou o sobretudo na poltrona. Foi ao banheiro lavar as mãos e logo depois sentou-se ao parapeito da janela. Observava, alheia ao mundo lá de baixo, as pessoas passeando na calçada. O que a espantou foi que os olhos não estavam irrigados com aquela água chamada lágrima, o coração não bombardeava, nem nada do processo habitual que a mistura de frustração, desespero e desapontamento causava. Enfim entendeu porque nada daquilo havia acontecido: Roberta sabia que se ele havia feito aquilo com ela, não era digno de tê-la consigo. Se ele havia feito aquilo, ele não a mereceria nem em um zibilhão de anos.
Algumas semanas depois, a mãe da moça recuperou-se extraordinariamente, recebendo alta e podendo deixar o hospital. Claro, ainda tinha de tomar uma certa medicação, mas estava praticamente curada.
Roberta agradeceu a todos os deuses e santos aos quais tinha recorrido anteriormente, mas, principalmente, agradeceu ao fato de Thiago ter fodido com a vadia da Marcinha, afinal, aquele ato de bebedeira e tesão simultâneos havia lhe causado algo muito melhor: a cura de sua mãe.
Roberta, dali em diante, acreditou mais do que nunca que a natureza sempre mantém tudo em equilíbrio.

Natália Albertini.

Um comentário:

Rafa O'Konors disse...

juro que não há UMA palavra no seu texto da qual eu não tenha gostado. eu adoro o jeito como vc fala da vida das pessoas que estão na sua mente.
eu leio aqui sempre. seja qdo vc escreve ou quando é a Ana. Já estou viciada nisso. e agoora!? auhahuahua
mas falando sério, qdo vier postar avis aque eu venho aqui e leio e comento.
hahauahua

loirao, vc sabe que sou sua fã e da Aniinha tbm!
amo as duuuuuuas