domingo, 23 de março de 2008

Frappuccino Premiado II: Arrivederci,Otário!

*Sem revisão.E não sei porque to continuando isso,mas whatever,algumas pessoas me pediram.


Sofia praticamente jogou o dinheiro na mão do taxista e nem esperou pelo troco,saiu do carro branco e bateu a porta ruidosamente,fazendo com que o velhote sentado no banco do motorista a xingasse.Ela não se desculpou,muito menos olhou para trás,apenas tocou o interfone para pedir ao porteiro que abrisse os portões frontais.Subiu alguns pequenos degraus e adentrou o hall de seu prédio,que ficava em um bairro nobre da cidade,atravessando-o até o elevador.

Ao entrar em seu apartamento grandioso,empurrou a porta tão fortemente que os vizinhos de baixo e de cima chegaram a pensar que o prédio estava prestes a desabar.Sofia estava irada.Quem aquele imprestável galanteador pensava que era?

Jogou sua bolsa em um canto qualquer de seu quarto e deitou-se de bruços,estirada na cama.Queria morrer.Não,melhor ainda,queria matar,estava determinada a fazê-lo.Compraria uma arma naquele momento,pela internet ou telefone,através de seus contatos internacionais e faria ela mesma o serviço.O acertaria com três balas: uma no meio da testa,para que ele tivesse algo alojado na cabeça oca;outra no coração,para ele não se apaixonar nem se reencarnasse; e outra no pau dele,para o que o maldito não levantasse mais nem com o dono morto.E,como Fillipe era vaso ruim,se não morresse,poderia ficar como o 50 Cent,com várias balas alojadas no corpo.

Sofia começou a bater os pés e os punhos sobre o colchão e a gritar bem alto, como se tivesse voltado aos cinco anos e seu pai não quisesse ir comprar para ela a nova Barbie Princesa de Qualquer Lugar que havia acabado de passar na TV naquele momento.Mas ela já havia ganhado um presente naquele dia,um presente bem rural e antiquado para uma garota como ela.

Caminhou até a copa e abriu o armário de louças.Olhou para toda aquela brancura por alguns segundos e logo depois começou a arremessar os pratos e taças,um por um,com toda sua força.Por mais nervosa que ou desiludida que estivesse,não ia chorar por ele.Quebraria toda sua louça cara e inútil,destruiria toda sua casa,mas não derramaria uma só lágrima por aquele putão.

-CALHORDA!-gritou enquanto jogava mais um prato detalhadamente pintado no chão.-Pinto-mole,broxa,covaaarde!

O interfone tocou.Quem seria o idiota que estava ousando atrapalhar sua sessão espiritual de descarrego sem pastor de igreja?

-Senhorita,você está bem?Estão reclaman...

-Vá se ferrar,seu imprestável!-ela interrompeu o porteiro que humildemente estava tentando exercer sua função e bateu o fone no gancho.

Precisava acabar com aquela raiva de uma vez.Precisava mostrar a Fillipe,aquele canalha,quem mandava.Era ela quem mandava.A vida inteira havia sido daquele jeito e não seria ele que iria contrariar.

Apoiou as mãos sobre o balcão e pensou em algum plano.Correu até o quarto e pegou um celular roxo na bolsa.Apertou alguns botões e começou a procurar nomes em sua agenda de contatos.Nicholas?Não,era muito tapado.Tiago?Muito baixinho e não depilava o tórax.Merda,precisava lembrar de um carinha legal naquele momento.Foi até o último nome e voltou algumas vezes.Di,Di...Diego!Ele mesmo,aquele era perfeito,tesudão.

-Alô,Diego?Oooi,Di.-ela prolongou,tentando parecer o mais biscate possível.-é a Sofia.Sim,estou ótima,não podia estar melhor.-Pipipiii!O detector de mentiras apitou dentro dela.- Sabe aquele nosso encontro pendente?Seria adorável que a gente se encontrasse hoje.Ótimo gracinha.Pode passar para me pegar daqui a meia-hora.Beeeijo.

Jogou o celular em um canto qualquer,ligou o aparelho de som e selecionou a função que queria com o controle remoto.Nem precisou trocar o CD,aquele era perfeito.E era do bosta do Fillipe,mas e daí?Serviria para alguma coisa pelo menos,além de poluir o ambiente com tanta barulheira.Subiu no sofá e começou a pular e berrar junto com a música, como se fosse uma adolescente insana.

-WHOAAAAA,I NEVER MEANT TO BRAG,BUT I GOT HIM WHERE I WANT HIM NOOOW!-ela até sabia o refrão.O que a convivência não fazia?Aquele refrão era uma outra mentira para o momento,mas que se danasse.

No final do refrão,foi interrompida por uma voz que conseguiu se sobressair à dela e à música:

- O que é isto?Algum tipo de casamento grego com pop punk?

O que diabos era pop punk?Ela olhou para trás e viu o dono da voz.Lançou um olhar mortífero de Godzilla para ele,pulou do sofá e começou a caminhar em sua direção,com os lábios crispados,soltando fogo pelas ventas.Era Fillipe,o namorado traíra.Antes de destruir a cidade,destruiria ele.Iria pisá-lo até que ele parecesse um gato atropelado.

-Você!-ela apontou para o rosto dele- Como-ousa-entrar-assim-na-minha-casa?

Ela fechou os punhos e começou a socar o peito dele,incessantemente.Estava parecendo uma devassa com olhos de drogada,de tão vermelhos que estavam.

-Heeeey!-ele berrou,enquanto tentava capturar os punhos dela.-Se você se esqueceu,eu moro aqui também,meu bem!

-Meu bem é o cacete!-ela retorquiu,os cabelos castanhos despenteados.-Você não mora mais aqui.Não a partir do momento em que começou a foder com outra pelas minhas costas!

Ela nunca havia dito tantos palavrões de uma vez e isso estava o assustando um pouco.Mas tudo estava bem,era só manter a calma,ele sairia ganhando.

-Bem debaixo do meu nariz!-ela salientou,apontando o próprio nariz,como se ele fosse algum tipo de retardado que não entendia nada.

-Bem...Então eu já devia ter sido expulso daqui há muito tempo,sabia?

De onde ele conseguia tirar tanto cinismo?Iria pagar para fazerem uma pesquisa mental nele,talvez conseguisse ganhar milhões.

-Seu filho-da-puta mentiroso,cínico,cara-de-pau!

-Não era isso que você costumava dizer quando estávamos em perfeita sintonia debaixo dos seus lençóis de seda.-Fillipe respondeu,sua face se contorcendo em puro descaso.

Adorava fazer aquilo com ela,deixá-la louca a ponto de ter que enfiar-lhe calmantes goela abaixo.

-Deus,isto tudo é alguma piada?-Sofia perguntou,erguendo as mãos.-Você é definitivamente um babaca!Ba-ba-ca!-silabou.

-E é por isso mesmo que você me ama.-ele afirmou,a convicção enxendo seus pulmões.

-Como é que você sabe?Você é eu?Quem disse que eu te amo?

-Você mesma.Aliás,você não disse,você gemeu isso noite passada,no meu ouvido.-ele redargüiu.E o pior de tudo era que ela ainda o achava sexy soltando todas aquelas injúrias para deixá-la irritada.

-Não importa o que eu disse,é passado.Tudo o que eu sentia por você morreu no instante em que vi você beijando aquela vaca .

-Bom,não posso fazer nada se ela é melhor do que você na cama.

Ela acertou um tapa certeiro no rosto dele,que instantaneamente botou a mão no lugar atingido.Havia merecido aquilo,tinha passado dos limites.

-Estúpido,desgraçado.-Sofia berrou com a voz embargada,mais vermelha que um pimentão.E mais uma vez,tudo o que ela conseguiu fazer foi xingá-lo com palavras que não se equiparavam com as coisas que ele havia dito à ela.

Por que aquilo era prazeroso para ele?Ele não conseguia sentir nenhum pinguinho de consideração por tudo que haviam vivido juntos,por todos aqueles anos que agora pareciam ter sido em vão?

Os olhos dela começaram a marejar.Estava perdendo seu poder,sua força.Olhou para cima,numa tentativa de impedir que o choro viesse à tona.Tinha prometido a si mesma que não iria chorar,muito menos agora que ele estava ali.

-Saia daqui.-ela ordenou,a cólera transbordando de seus olhos.Ele permaneceu onde estava.-AGORA!

Ele continuou parado-a,olhando como se ela não tivesse dito nada.

-Você quer brincar?-ela perguntou,indo até o quarto.-Quer dar uma de criança?Então vamos brincar.

Ele foi atrás dela e a viu colocando uma pequena mala sobre a cama.

-Aonde você vai?.-perguntou Fillipe confusamente.

-Isso não lhe diz mais respeito.-ela respondeu e começou a jogar algumas peças de roupa dentro da mala.

Ele encostou no batente da porta e ficou observando-a.O que ela podia estar tramando?Sofia era toda cheia de inventar vingançinhas de última hora.

-Eu vou passar a noite fora-ela começou,largando a mala e voltando a olhá-lo nos olhos.-e se eu voltar aqui amanhã e você não tiver dado o fora,eu vou jogar as suas coisas pela janela,entendeu?

-Como assim?Eu não posso sair até amanhã,tenho um monte de coisas aqui,esse apartamento é meu também!-ele protestou,indignado.

-Não interessa,você vai dar o fora querendo ou não.-ela ordenou,firme.Fillipe permaneceu quieto.Agora a briga estava meio a meio.

Ele passou os dedos entre os cabelos loiros e suspirou.Ia ter que dar um jeito de acabar com aquela ira pulsante de Sofia.Tinha que ser passageiro,porque apesar de tudo,gostava dela.Era certo que ele estava estragando tudo triplamente com seu cinismo e ironia,mas não podia deixar tudo para trás assim, de repente.

-Tudo bem.Eu vou dar um jeito.-ele disse.-De concertar tudo isso.

-Mas você é retardado ou o quê?-ela indagou,com um sorriso debilmente incrédulo.-Não tem mais nada a se concertar aqui,entendeu?NA-DA!A gente acaba aqui,agora.Daqui a uma semana eu não quero nem lembrar que você passou pela minha vida,entendeu?

Aquilo estava começando a feri-lo um pouco.Se ele sabia que ia dar naquilo,porque tinha a traído?Por passatempo,luxúria masculina?A Nicole era só uma brincadeira,era Sofia que ele queria,era por ela que havia lutado.Não havia um jeito de colocar o leite derramado no copo?Porque ele simplesmente detestava começar a se sentir sensível e arrependido.

O celular de Sofia tocou.Ela o atendeu e murmurou algumas palavras que Fillipe não conseguiu definir.Ela fechou a mala e começou a caminhar decidida em direção ao elevador de seu apartamento e Fillipe foi atrás,sem saber o que fazer.Não conseguiria encontrar uma solução naquelas circunstâncias.

-Por que você está me seguindo?-ela o fitou.

Ele não respondeu.Ela virou-se de costas e entrou o elevador.Fillipe tentou entrar também,mas ela foi mais ágil e apertou o botão para que as portas fechassem antes de ele conseguir acionar o sensor que as mantinha abertas.

Enquanto ela deixava algumas poucas lágrimas rolarem em frente ao espelho, quebrando sua promessa,Fillipe,correu desesperadamente até as escadas.

Quando ela já estava do lado de fora do prédio,ele chegou ao térreo e começou a apertar o botão que abria a porta de vidro, incessantemente,como se fizesse diferença apertar uma vez ou várias.

Ele correu e conseguiu segurar um dos portões externos antes que Sofia o deixasse bater.

-Espera!-ele gritou,desesperado.-A gente não pode acabar assim!

Sofia olhou para trás e o encarou.Ele pôde enxergar a mágoa e a raiva misturadas dentro dos olhos azuis dela e de certa forma se sentia desconcertado em saber que era ele que estava causando aquilo.

Ela virou-se de volta em direção a rua,onde havia um Mercedes prata parado,com os faróis ligados,sem dar ouvidos ao que ele tinha dito.Não importava mais,não agora que o rancor já começara a se instalar em suas entranhas.

Fillipe queria pedir desculpas,mas o orgulho não permitia.E o orgulho era o seu pior defeito,o que sempre arruinava tudo.

Ela entrou no carro,sentou-se no banco do passageiro e abaixou o vidro.Ele queria ter algo para dizer,mas não tinha nada para remediar a situação,então ficou apenas com as mãos nos bolsos da calça social,olhando-a,como se seus pés tivessem se enraizado à calçada cheia de paralelepípedos.

Ele pôde perceber que ela estava dando o troco quando viu um cara sentado no banco do motorista,teve até a impressão de que o conhecia de algum lugar. Sofia lançou-lhe um último olhar odioso,com os lábios tremendo,como lembrete do que ela havia dito sobre ele não estar mais ali amanhã.


-Arrivederci,otário.-ela o afrontou,sorriu vitoriosamente e fechou o vidro escuro do carro.

Ia ter que se virar para dormir em um hotel,porque sabia o que aconteceria se não o fizesse e ia ter que se contentar com aquele final.

O carro partiu,deixando-o para trás,estático,olhando para o mesmo ponto onde estava antes.

Ela o havia derrotado.

PepperAnn.

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