segunda-feira, 16 de março de 2009

We're Going to Jackson.

Minhas mãos estavam apoiadas na mesa de madeira, e no meio delas estava posicionada um recipiente metálico coberto por um pano de prato branco de bordas vermelhas de crochê. Tinha as costas eretas e a cabeça direcionada para minha diagonal esquerda, pois essa era a direção dele.
A cozinha era simples, toda lígnea, mesclando tons claros e escuros, mas principalmente formada por antiguidades. O batente da porta também era daquele material, e era onde ele se apoiava, espiando o cômodo ao lado.
O rapaz se virou e num milésimo de segundo, estava passando por detrás de mim. Tentei reconfortá-lo:
- Você está mais aflito que eu!
Não obtive resposta verbal. Ao invés disso, ele me puxou pela mão, deixando na mesa a torta que eu tinha levado, e começou a me arrastar para o cômodo ao lado. Este, por sua vez, era também marcado por poucos móveis: apenas uma mesa e quatro cadeiras, todos também lígneos.
As três pessoas, duas mulheres e um homem, que estavam sentados, sorriram ao me ver, o que me tranquilizou. O homem voltou a tocar seu violão numa melodia que parecia distantemente familiar.
Meu menino me puxou até a escada, em cujo segundo degrau eu me sentei e esperei que ele me imitasse. Mas não o fez: pelo contrário, ele continuou subindo a escada. O olhei de soslaio, sem palavras, a que ele me respondeu:
- Desculpa, não posso ficar.
Ainda que a ausência dele me incomodasse, não pude tirar o sorriso do rosto. Voltei a olhar para aquela família, especialmente para aquele casal que ficava cada segundo mais idoso e familiar, me sentindo extremamente bem por ter sido bem aceita.
Olhando antentamente para aquele homem, percebi que ele se assemelhava incrivelmente com um velho amigo meu. Quase no fim de toda aquela onde de sensações, percebi que a melodia era sim boa e velha conhecida minha. Passei a ler os lábios de Johnny e June, cantarolando mentalmente com eles.

Meus dedos me trouxeram a sensação do algodão liso e úmido. Revirei os olhos e me virei, tirando dos ouvidos o fone e desligando o aparelho eletrônico que irradiava as letras J, A, C, K, S, O e N, bem como as que formavam Cash e Carter.
Depois disso, dormi só com o barulho do ventilador.

Natália Albertini.

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