quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Turn your mobile off, please.

Outros julgariam aquela posição muito estranha e improvável para alguém assistindo a um filme num cinema, mas para ela era confortabilíssima.
As personagens mexiam-se com tanta fluidez, que qualquer movimento de suas próprias mãos lhe parecia absurdamente bruto.
Por um momento desligou-se do contexto do filme e passou a fixar-se nas personagens em si, nosvestuários, na maquiagem, nos cabelos, nos pequenos detalhes do cenário que passam despercebidos aos olhos da maioria.
Prendeu-se à trilha sonora, àquela música tranquila. Alguma melodia que longinquamente se parecia com Anya Marina.
Prestou atenção em cada detalhe da cena à sua frente, destacando pontos que alguém jamais notaria. Simplesmente pelo puro prazer de ver, cega, o que os outros, ditos portadores da visão, nunca veriam.
Fazendo o papel de quem sabe uma segunda Joana, esquecida de qualquer Otávio e muito mais de qualquer Lídia, perscrutou-se, redescobrindo os nós dos dedos, tensos, amarrados uns nos outros, aflitos com o decorrer da história, em oposição aos ombros que, relaxados, viviam o momento como um todo, aproveitando desde a textura do ar condicionado até o sutil acariciar do algodão da blusa.

Certo tempo depois, deixou a sala de cinema sozinha, ajeitando as vestes e a bolsa no ombro. Deixando para trás toda aquela fantástica experiência, tentanto arquivar o máximo de informações possível, tentando não se sentir precipitadamente nostálgica, como costumava fazer a cada vez que se dava por conta que o relógio custava muito a retroceder os ponteiros.

Ps.: aquele cheirinho de ar condicionado é do ozônio, right? Ozônio. Ozonólise, cetona e aldeído...
Natália Albertini.

Um comentário:

Yoseff disse...

pelo ar condicionado estava saindo ozônio??!!
!!!!!
hahahahaha