sábado, 18 de setembro de 2010

Egoísta num quarto escuro.

E eu aqui, nesse quarto escuro, tentando mandar embora essa melancolia que vem se apossar de mim mais uma vez.
Amanhã vamos almoçar todos juntos, talvez até passar na sua casa.
Você não estará lá, o que provavelmente me fará muito mal.
Ver aquela casa vazia é o mesmo que fincar um afiado punhal em meu peito e girá-lo, sentindo a dor excruciante e o sangue me escorrendo corpo abaixo, esvaindo-se.
Não te ouvir cantarolando alto, não te ver arrastando os chinelos pelos azulejos, não te sentir sorrindo atrás dos grossos óculos e cabelos grisalhos. Não você. Não eu.
Me afundo nessa escuridão, engolindo as bolas de mar que se formam em minha garganta, tentando dizer à minha mente que é natural não te ter mais.
O problema é que minha mente já assimilou isso, mas minha alma ainda não quer aceitar, ainda e pra sempre sente sua falta.
Amanhã acordarei com as pálpebras inchadas e, mais uma vez, pintarei meus olhos de preto, para esconder tal inchaço e, quem sabe, demonstrar luto.
Eu sei que as pessoas dizem que assim foi melhor pra você e tudo o mais, mas desculpe, , sou egoísta e quero me reservar o direito de sentir (infinitas) saudades de você.
E eu aqui, nesse quarto escuro.
E eu aqui, nesse escuro.
E eu aqui, escuro.

Natália Albertini.

2 comentários:

Sabrina Araujo disse...

Voltei...
Genial, me identifico com seus textos!
beijoos

Lê Cami disse...

Qnd meu avô paterno partiu, em abril do ano passado, escrevemos - eu e minha irmã - sobre ele no blog. Falamos de como era vê-lo esvaecer, mas não sentimos tanto assim sua partida. Só dói mesmo quando vejo meu pai falar dele. Pra ele foi assim como vc descreveu: excruciante....