terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Veludo adocicado.

Ele fez um sinal com o indicador, mandando-a se aproximar.
Ela obedeceu. De lingerie preta e rendada. De gatinhas.
Ele abriu mais as pernas, ouvindo a calça de couro estalar.
Ela chegou até ele, apoiou as mãos sujas em seus joelhos e se pôs de pé com alguma dificuldade.
Embora tivesse uma das maçãs do rosto dilacerada, sorria de maneira felina e sensual, com olhos de pantera.
Ajeitou-se e sentou em seu colo.
Enquanto ele sussurrava um vocabulário barato e imundo, ela lhe dava a melhor lapdance de sua vida.
Rebolava de forma a encaixar os quadris e passava as unhas afiadas por seu tronco desnudo e esbranquiçado.
Os dois sorriam enquanto faziam as línguas se entrelaçarem.
As unhas dele eram tão pontiagudas quanto as dela.
Assim, partículas de pele eram arrancadas das costas, dos ombros e dos peitos de ambos.
A escuridão dava espaço para seus corpos avermelhados, cheios de apetite.
Ele ergueu a mão e puxou violentamente os cabelos dela, fazendo-a envergar o delgado pescoço para trás, em dor, embora ainda sorrindo.
Ele lambeu a região e desceu por entre os seios dela, sentindo o gosto de pele lhe lamber a língua.
Em sincronia, atacaram-se.
Enfiaram as unhas um no outro até sentirem o fluido vital pulsar para fora do corpo, esmaltando as unhas de vermelho.
Morderam-se.
Arrancaram nacos de pele das cinturas, dos ombros, dos pescoços, dos rostos e das barrigas.
A carne na boca era esponjosa, suculenta, mouth-watering. O sangue seco em algumas partes dava o tempero agridoce, picante.
As gengivas vibravam por mais e mais.
Ajudavam as próprias línguas a empurrarem os nacos de carne pra baixo da garganta com boas goladas do melhor visco.
Aquele ainda morno e grosso, que enche a boca e nada nas gengivas e bochechas, que escorrega pela garganta, rubro, aveludado, doce e pesado.

E pela manhã, por entre as cortinas negras, corpos sujos, ensanguentados e cansados, ofegantes, jogados ao carpete vermelho.

Ps.: ouvir Manson a uma hora dessas dá nisso.
Natália Albertini.

3 comentários:

Ela disse...

Pasmei... Você me lembra Florbela Espanca quando escreve... Beijos

Rafa. disse...

Continuas com o talento de escrever forte e fazer com o que o teu leitor imagine perfeitamente a cena contida no texto.

Kedley disse...

Comecei lendo e imaginando a cena. De repente vejo terminando em sangue e pedaços.
Muito bom! Curioso pra ver os outros haha.