segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Melodia.

Esticou a canga sobre a esteira, naqueles incontáveis e minúsculos grãos de areia.
Tinhas mexas do cabelo trançadas e enxarcadas, bem como a roupa de banho e o resto do corpo.
A água salgada ainda fresca escorria-lhe nuca abaixo, pelos ombros e braços, pelas ancas e pelos quadris.
Pôs-se de joelhos sobre as cores que acabara de esticar sob o Sol e então deitou-se com as costas para cima, apoiando a cabeça nos braços cruzados.
A inspiração calma e a expiração sossegada faziam os ombros subirem e descerem delicadamente.
Os raios amarelamente lânguidos lambia suas costas de forma esponjosa.
A sombra do prédio atrás da orla começava a se espreguiçar à areia.

Abriu os olhos devagar, com os cílios empoeirados.
Passou a língua pelos lábios e, com o cenho franzido, girou a cabeça para saber onde estava.
O sol havia dado espaço à imagem projetada do prédio, em cinza claro, ao bege.
Envergou o corpo para trás e avistou sua irmã, sentada numa cadeira, com os pés enfiados nos minúsculos e infindáveis grãos. A garota lhe mandou um:
- Opa! Viva?
Sorriu de canto e só aí percebeu que adormecera sob o sol, sobre a areia, com a melodia do oceano indo e vindo lhe embalando os pensamentos oníricos.

Ps.: isso faz tão bem. (:
Natália Albertini.

Nenhum comentário: