quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Pernas.

Ela ficou uns segundos olhando a rua, lá embaixo, que ele havia apontado.
Tentou imaginar que horas eram, sem sucesso.
Se virou em sua direção para dar tchau (dessa vez era de verdade). Ele foi mais rápido.
Sentado na cama alta, tinha as pernas compridas apoiadas no chão. Ela no meio.
A puxou pela cintura pra mais perto.
Sorriram.
O Sol ainda batia de leve em seu rosto. Os olhos cor de mel, os cabelos quase loiros.
Ali, com as pernas encostadas, se sentiu subitamente protegida. E nem sabia do quê.
Com o corpo mais alto que o dele (só naquele momento, claro, tendo em vista que de pé, ele dava umas duas dela), ao abaixar o rosto pra perto do dele, os cachos claros reluziram.
Os lábios se encontraram de mansinho.
Fecharam os olhos lentamente, a claridade vespertina ficando pra trás das pálpebras devagar.
Ele desceu as mãos para as pernas dela.
E depois subiu, claro.

Natália Albertini.

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