sexta-feira, 12 de março de 2010

Interlúdio.

A sala branquíssima, intransponível e seca. Silenciosa, não fosse pelo barulho da tevê ligada.
Cadeiras vazias, solitárias.
Numa delas, um corpo. Pernas à vontade, a direita sobre o apoio da cadeira e a esquerda esticada sobre o chão. Costas eretas, duras. Ombros erguidos e imponentes. Cabelos bagunçados, volumosos e abrangentes.
Nas mãos, apoiadas sobre um joelho, um livro. Palavras apunhalando as brancas páginas (da experiência).
O rosto tinha uma expressão lívida, límpida e concentrada, imersa na ideologia transmitida pelo texto.
Pairava no ar somente sua respiração.
Sua respiração e mais nada.
Sua respiração, nada e suas reflexões.
Sua respiração, nada, suas reflexões e Clarice.
Ah, Clarice.
Elas duas e a felicidade clandestina da sala branca.

Ps.: mas hein?
Natália Albertini.

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