quinta-feira, 17 de junho de 2010

Longuíssimos!

Sua boca, cercada pela barba por fazer, articulava-se em palavras cheias de sotaque húngaro.
Eu, entretanto, não me prendia a isso, mas sim a uma outra parte de seu rosto em particular.
Três palavras dentro de mim cresciam exponencialmente.
Eu podia senti-las na ponta de meus deds e em minhas orelhas.
Podia ouvi-las dilacerando-se em minha nuca, em meus pulsos, em meus tornozelos.
Não iria interromper a estória tão interessante que ele relatava, mas ao mesmo tempo eu precisava.
Eu tinha de dizer!
Eu tinha de fazer talvez a constatação mais pura e natural de toda a minha vida, eu tinha, eu tinha!
Ai, meu Deus, não conseguia mais segurá-las!
As pestinhas me rasgaram a garganta, pisotearam-me a língua e morsdiscaram meus lábios. Me derrotaram, derramando meu sangue.
Constatei, vencida:
- Que cílios longos!

Ps.: e ele me disse pra escrever isso, pois então cá estou a entregar essa minha constatação ao universo.
Natália Albertini.

Um comentário:

d. carollina disse...

Gostei do texto, parece uma espécie de "as aparências enganam", não imaginava que iria falar "que cílios longos' q LÇASDKSAÇLF anyway, bom texto. Parabéns pelo BLOG.