domingo, 6 de junho de 2010

Vibrações

Encaixou as pernas no quadril dele e sentou-se por cima, fazendo a saia levantar um pouco.
Ele a beijava com volúpia, passava-lhe as mãos, atiçadas e curiosas com o corpo escultural dela, falava alguns palavrões baixinhos.
Ela sorria.
A iluminação da boate era baseada em vermelho e verde.
A música era ensurdecedora e vibrante.

No dia seguinte, o corpo foi encontrado jogado no sofá, sobre as almofadas.
O sangue já secara.
Era possível perceber os arranhões e as mordidas espalhadas, de onde jorrara o visco.
Os olhos do rapaz estavam vidrados, mortificados.

Dimitra andava pelas ruas escorada nas paredes.
Sob suas unhas, pedaços de pele.
Em sua língua, todo o som do alimento da noite anterior.

Natália Albertini.

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