terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Ela queimava.

O ambiente era iluminado somente pelas três ou quatro velas acesas, avermelhadas.
Ela estava sentada ao meio do cômodo, só de calcinha e uma regata branca.
Os cabelos iam bagunçados, confusos, assim como sua mente.
Era rodeada por cartas escritas numa caligrafia corrida e não muito caprichada.
Ela lia e relia aquelas palavras já tão conhecidas às duas e meia da madrugada daquela quinta-feira.
Coçava a cabeça, passava as mãos pela cintura, lambia os lábios.
Os olhos queimavam junto com a tequila escorregando sua garganta.
Cada gole servia para calar sua boca.
Por fim, se levantou, meio embriagada, vestiu seus jeans e chinelos.
Jogou o resto da tequila em toda aquela papelada.
Alcançou seu maço de cigarros ao chão. Pegou um palito de nicotina e o acendeu com seu Zipo.
Então, jogou o isqueiro às cartas e deixou o apartamento.
Todas as cartas que ela nunca mandou estalavam ao fogo.
Ela queimava.

Natália Albertini.

2 comentários:

Dayana Sartorio disse...

Jesus Chrime!!
Este me chocou de uma maneira deliciosamente estranha.

Rafa. disse...

E junto, talvez, queimavam palvras que até outrora lhe causavam a estranha sensação de quem não sabe o que fazer em determinada situação.