sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Meus olhos.

Uma chuva silenciosa e esguia caía hoje, por volta das quatro e meia da tarde. Minha mãe, então, decidiu me levar ao serviço, para que eu não tomasse ônibus.
Sim, ela é linda assim mesmo, para aqueles que ficaram wondering.
Numa das avenidas principais, o farol avermelhou.
Ela reduziu a velocidade, pisou na embreagem e desengatou o carro.
Falávamos sobre coisas muitas, nada de suma importância.
Eu a olhava calmamente, envolvida na conversa, quando ela, repentinamente, se interrompe e diz:
- Meu Deus, como seus olhos são lindos!
Eu, surpresa, olhei para os lados, sem reação, e então retornei com minhas quietas reticências.
Ela tentou se explicar:
- São tão grandes e...
Eu completei:
- Azuis, mãe, sim, desde que...
- Não! - ela interrompeu - Não é só a cor. São seus olhos em si. Eles são grandes, bonitos, parece que vão me engolir!
Sorri de canto daquela singela constatação que ela fez.
E, mãe, eles vão. Ainda vão engolir esse mundo todo, eu espero.

Ps.: Ela sempre fala da minha avidez e ganância, essa vontade imensa de ver tudo, descobrir tudo tão apaixonadamente. (:
Natália Albertini.

2 comentários:

Rebecca disse...

Ai que meigo, há tempos esse blog não via ternura e afeto! Quis abraçar sua mãe *-* HUAHSUU

Rafa. disse...

Eles só não engolem o mundo se tu não quiser, mas pelo que vejo nas escritas deste blog, essa possibilidade de "não querer", não existe. O que é ótimo para qualquer pessoa.