segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Quatro asas.

Livros, cadernos, lápis e canetas scattered on the table.
Bzzzzzzzzzz.
Ela estudava arduamente.
Bzzzzzzzzzz.
Escrevia, lia, anotava, relia, falava sozinha e escrevia mais um pouco.
Um post-it aqui e um marca-páginas ali.
Bzzzzzzzzzz.
CAZZO!, ela pensou enquanto procurava pela maldita abelha! na cozinha.
Achou-a voando ao redor das três lâmpadas fluorescentes.
Angustiada e brava, simultaneamente, com o zunido incessante daquele inseto, encarou a pequena abelha furiosamente.
Bzzzzz...zzzzzz...zzzzzzz.
Foi quando aquela minúscula bolinha amarela e preta sentiu suas asas falharem por alguns instantes e começou a girar no ar, caindo na direção dela, à mesa.
Caiu, impotente, a seus pés, sem conseguir levantar voo do chão.
Ela sorriu de canto, divertida com o acontecido, e bateu com o chinelo sobre a zunidora do inferno!.

Duas ou três horas depois, ela continuava à mesa, persistente em seus estudos.
Tiriti.
Lia mais um pouco, anotava nos livros.
Tirititi.
Colava os post-its verdes, já que os azuis já tinham se esgotado.
Tiritititi.
O barulho de asas na proteção das lâmpadas a infernizou tanto que a fez olhar para cima, procurando a outra desgraçada?!
Achou uma mariposa voando e batendo contra as lâmpadas, estúpida, repetidas vezes.
Ela fuzilou com os olhos aquele inseto nojento, de asas negras, manchadas, sujas, e corpo bege, meio aveludado, repulsiva!
O inseto sentiu o peso de seus olhos sobre si e tornou-se pesado também.
As asas pararam de bater por milésimos, e isso foi o suficiente para fazê-la cair rodopiando no ar, inválida e indefesa.
Caiu ao chão e ficou se retorcendo.
As asas não correspondiam a seus comandos.
Ela, novamente satisfeita, sorrindo de canto, levantou da mesa e bateu com o chinelo sobre a mariposa uma única vez, somente abatendo-a, não a esfarelando.
Pelo menos não sou cruel, não é mesmo, sua infeliz?
Ainda sorrindo, recolheu-a com dois guardanapos e a jogou ao lixo.
Voltou tranquila a seus estudos, sem pensar no que aqueles dois insetos mortos quase que por sua vontade poderiam significar.

Horas depois, ela transcreveu tudo aquilo em terceira pessoa num daqueles blogs.

Ps.: me senti a Carrie, numa boa...
Natália Albertini.

Um comentário:

Rafa. disse...

Matou, e digo mais, matou bem.