quarta-feira, 8 de junho de 2011

Cintura.

O sol matutino cutucou-lhe as costas descobertas.
Ela franziu o cenho e mexeu a boca, passando a língua pelos lábios, tentando fazer com que aquele insistente e meloso sono desgrudasse dela.
Espreguiçou-se e murmurou um baixo "já vou" para o sol que se esparramava pelas costas.
Barulho da televisão do lado de fora da porta fechada do quarto.
Esticou o corpo esbelto, forçando braços e pernas para cima, mas então deixou-se cair de novo sobre o travesseiro e o lençol amarrotado.
Engoliu saliva seca, ainda cheirando a rum.
Franziu o cenho de novo, sentindo os cílios se embaraçarem sobre pálpebras pesadas e dorminhocas.
Forçou o pescoço para baixo, encostando o queixo no peito, e, com a camiseta levantada até as costelas e a boxer um pouco abaixada, enxergou sua cintura, esverdeada em um ponto e arroxeada em outro.
Levou uma das mãos até ali e tocou os hematomas.
Dor.
Vislumbres da noite passada.
Sorriso largo e olhos fechados de satisfação.
Virou para o outro lado, encolheu-se de novo, deixando o outro lado do corpo à mostra - esse marcado no pescoço e ombro - e se permitiu envolver-se no sono das dez da manhã.

Ps.: e esses são os melhores domingos, não? (:
Natália Albertini.

Nenhum comentário: