quinta-feira, 28 de julho de 2011

Cicatrizes de fogo.

Eu corria as fast as I could.
Minhas coxas levavam chibatadas, quase não aguentavam mais.
Eu corria, corria, corria.
O suor me brotava na nuca, gelado de cansaço.

E de medo.
Eles estavam atrás de mim. DE MIM!
E gargalhavam à minha volta, invisíveis no escuro denso.

Meus pés começaram a falhar, mas a inércia ainda não era forte o suficiente para fazê-los parar. Forcei-os mais.
As gargalhadas endemoniadas enchiam o ambiente invisível. Era como se eu estivesse vendada e eles rissem ao pé de meus ouvidos, muito próximos, me puxando pelos pulsos, me ordenando que eu ficasse.

Os toques e puxões que eu recebia nos pulsos pareciam me queimar a pele.
Meus olhos estavam arregalados, meu peito, arfante.

Meu corpo pedia descanso, embora a corrente de adrenalina fosse gigante.
Me perdia em desespero, pressa, agonia.
ELES ESTAVAM EM VOLTA DE MIM, PRESTES A ME PEGAR.
Um calor insuportável se alastrava, meu corpo parecia em chamas.
Aquela temperatura altíssima e muito vermelha se espalhava pelo meu pobre corpo, exausto e desesperado.
Eu forcei os olhos, tentando enxergar algo, tentando escapar daquele escuro implacável.
Tossi, trazendo um pouco de vômito à garganta.
Abri os olhos de sopetão, assustada. Tinha grande dificuldade de respirar, o ar não parecia querer adentrar meu corpo, como se lá dentro fosse encontrar algo desagradável demais.
Rodei a cabeça no travesseiro encharcado de suor.
Percebi-me em meu quarto, arfante, espantada e amedrontada, mas num escuro menos denso e perigoso que antes.
Suspirei em alívio, enxuguei a nuca com o lençol e tentei voltar a dormir, em vão.
De manhã, logo pelas primeiras horas, quando me levantei, vi meus pulsos e tornozelos em carne viva, envoltos por machucados semi-cicatrizados e sangue mal-seco.
E eles ardiam.
Não, não.
Eles queimavam como se alguém estivesse bem ali ateando fogo a eles.

Ps.: meus pulsos aos olhos de Rebecca Bonaldi. Esse foi pra você, baby! :D
Natália Albertini.

2 comentários:

Rebecca disse...

Hahahahahaha sou testemunha, vi os pulsos machucados, sempre soube que eram eles que os puxavam enquanto dormia!
Acho chique texto com dedicatória, beijos.

Dayana Sartorio disse...

Nossa que agonia gentee!!!
Baby, você viu isso!?!?! Jezuis mi chicoteia hein!