segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Cevada

Abriu a lata de cerveja: infortúnio.
A maldita estourou em suas mãos, esparramando aquela espuma ansiosa pelo chão, sujando-lhe os dedos, melecando-os.
Os amigos zombaram dela e ela, despreocupadamente, riu junto.
Colocou a lata no banco ao lado, pedindo para que jogassem fora, e foi ao banheiro lavar as mãos agora lambuzadas.
Empurrou a porta do estreito e mal iluminado metro quadrado que se tinha a pachorra de ser chamado de banheiro ali, à procura da pia.
Antes que conseguisse enfiar-se dentro do pequeno local, outro corpo colou-se ao seu e a empurrou, fechando a porta atrás de si.
Ela foi prensada contra a bancada da pia, seus ossos à cintura, do quadril, pressionados contra a pedra fria, seu rosto de frente para o espelho, ao lado do dele.
Ele era mais alto e mais forte. Com uma das mãos lhe segurava pelos cabelos e com a outra, trancava a porta.
Ela sorria, os olhos já semi-cerrados devido ao álcool.
Ele tinha os dele completamente fechados, envolto na atmosfera dela.
Ela observava seus reflexos, divertidas com o prazer dele em sentir o cheiro de seus cabelos, bagunçando-os com uma das pesadas mãos, enquanto que, com a outra, vasculhava-lhe as pernas, quase subindo por dentro do vestido.
Ela balançou a cabeça e ajeitou o corpo, encaixando-se melhor, de trás, no dele, enquanto ele ainda lhe pressionava contra a pia.
Ela esqueceu de lavar as mãos.
A imundíssie era uma boa companheira nessas horas.
Jogou um dos braços pra trás e puxou-lhe os cabelos da nuca.
Ele gemeu e a xingou, o que a divertiu.
Ajudou o rapaz a apertar-lhe com imensa força um dos peitos, lambendo os lábios, ainda encarando o próprio reflexo, vendo a língua dele perder-se em sua nuca e em sua orelha.
A mão dele beliscou-lhe uma das coxas, por dentro, quase à virilha.
E aí subiu.
E apertou, com um dos dedos mais levantado que os outros.
Ela revirou os olhos e jogou a cabeça para trás, ao ombro dele, quase arrancando-lhe cabelo.
A cerveja esparramada.

Natália Albertini.

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